O homem que constói robôs para melhor compreender os seres humanos: O objetivo não é apenas criar robôs realistas, mas entender todas as partes daquilo que constitui um humano
Matéria publicada em 09/06/2015, às 16:35:58

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Geminoid HI-2 criado com base no proprio Hiroshi Ishiguro

Imagine uma cena no futuro, onde você trocou o seu amante ou amigo de carne e osso por uma versão automatizada. Haverá um tempo que os robôs serão tão “humanos” a ponto de que não pensaremos duas vezes antes de termos um relacionamento com eles, ou mesmo não os distinguiremos mais de nós mesmos? Hiroshi Ishiguro, criador de robôs de renome no Japão e uma espécie de celebridade menor, crê que sim.


A alma das coisas
Ishiguro, diretor do Laboratório de Robótica Inteligente da Universidade de Osaka, passou boa parte de sua vida criando e dando vida a uma série de androides fotorrealistas, de aparência incrivelmente semelhante a de modelos humanos. Por exemplo, temos o Geminoid HI-2 criado com base no próprio Ishiguro; o Geminoid F baseado em uma mulher japonesa; e um protótipo anterior de seus androides foi até mesmo baseado em sua filha.
Grandes laboratórios de robótica pelo mundo tem se dedicado a criar robôs que em pouco se assemelham a seus criadores humanos, priorizando a funcionalidade e não a forma. Mas por que Ishiguro escolheu criá-los à nossa imagem e semelhança?
“O Japão é uma ilha isolada, e temos nossa própria cultura”, disse Ishiguro, fazendo referência à antiga religião Shinto como exemplo. “No Shinto, não distinguimos seres humanos e coisas. Acreditamos que tudo tem alma. Eu creio, por exemplo, que computadores, cadeiras e mesas, pedras e árvores, tem uma espécie de alma.”
Esta crença influencia percepções de tal forma que objetos inanimados como os androides Geminoid são imbuídos de uma espécie de alma. E como humanos são mais suscetíveis à empatia e relacionamento com criações semelhantes a eles, argumentou Ishiguro, por que não criar robôs próximos de nós?
“Para algumas tarefas, podemos usar um robô mecânico, mas se você quiser substituir um lojista humano por um robô, as pessoas gostariam de ter robôs próximos a seres humanos”, explicou Ishiguro. O objetivo, porém, não é apenas criar robôs realistas, mas entender todas as partes daquilo que constitui um humano.


Imitação humana
“A questão sempre gira em torno do que é um humano. Tento compreender os seres humanos ao construir robôs realistas”, afirmou Ishiguro, que também coloca suas criações em contextos que interagirão com outras pessoas. No momento, o androide teleoperado de Ishiguro, Geminoid H1-2, possui sensores táteis e 50 graus de movimento, que permitem que imite movimentos humanos como o piscar de olhos e agir de forma inquieta.

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