Exames com radiação exigem cautela de médicos e pacientes: Estudo aponta que crianças que fizeram tomografia computadorizada antes dos 5 anos têm 33% mais chances de desenvolver um tumor no cérebro do que as que não fizeram
Matéria publicada em 09/06/2015, às 15:27:14

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Desde as primeiras descobertas sobre a radioatividade pelos franceses Henri Becquerel, Pierre e Marie Curie, no fim do século 19 e início do 20, têm sido inúmeras as aplicações de equipamentos de raios X na Medicina, beneficiando milhões de pessoas. Por meio de tal técnica, o paciente não precisa se submeter a procedimentos invasivos para que o médico faça o diagnóstico de uma lesão, como um traumatismo craniano, ou detecte uma doença em fase pré-sintomática, caso do câncer de mama. Mas estudos que vêm sendo publicados com cada vez mais frequência sobre a tomografia computadorizada (TC) mostram que é preciso ter cautela, principalmente em relação às crianças.

Um dos estudos, publicado pelo British Medical Association Journal (BMJ), com 10,9 milhões de pacientes nascidos entre 1985 e 2005, analisou os índices de câncer entre crianças e jovens de zero a 19 anos que se submeteram a uma TC e os comparou com pessoas da mesma faixa etária que nunca se submeteram ao procedimento. Os achados surpreenderam os estudiosos: indivíduos entre 10 e 17 anos que fizeram uma tomografia tiveram 24% mais chances de desenvolver um tumor do que os que não fizeram. Os índices mais preocupantes foram em relação ao que fizeram o exame antes dos cinco anos de idade, pois, neste caso, a chance de desenvolver um tumor, a maioria de cérebro, era 35% maior em relação a quem fez o exame depois dessa idade.
Uma das autoras da pesquisa, a professora de Radiologia e Imagens Biomédicas da Uni­­versidade da California (EUA), Rebbeca Smith-Bindman, afirmou que os números alertam para o fato de que há cada vez mais médicos que pedem o exame sem necessidade, geralmente pressionados por pais que exigem uma TC ou um raio X. “É frequentemente mais fácil para um médico pedir um exame de imagens do que passar mais tempo com o paciente discutindo seus sintomas para determinar se o exame é realmente necessário”, disse.


A diferença está na dose
Neste caso, os autores sugeriram que outras medidas poderiam ser adotadas, como o exame de ultras­som, que na maior parte das vezes pode substituir sem problemas a TC, ao mesmo tempo em que não emite radiação. Os mesmos pesquisadores afirmam, no entanto, que a discussão deve continuar a ocorrer, já que o estudo irá se prolongar. É importante notar, afirmam, que já há equipamentos com doses de radiação 50% menores do que há uma década e que os resultados obtidos a partir de dados colhidos no futuro permitirão avaliar se a otimização das doses feita hoje influenciará positivamente nos números mais adiante, fazendo com que decresçam.
O receio dos pais após a queda do filho pequeno é compreensível e, quando o trauma foi forte e a criança se queixa de dores ou desconforto, é preciso realizar um exame o mais rápido possível. No entanto, é preciso estar ciente de que a medida só deve ser tomada após uma conversa franca com o médico, que deve ser informado sobre todos os aspectos que envolvam o acidente. Isso porque há uma peculiaridade que deve ser observada no caso de pacientes dessa faixa etária. O efeito da radiação é cumulativo. Logo, quanto mais jovem a pessoa se expuser a ela, mais tempo terá para vir a desenvolver um tumor.

De acordo com especialistas, é preciso haver cautela antes do pedido por um exame – seja a mamografia, a tomografia computadorizada, exames de cateterismo por contraste ou exames de medicina nuclear que, quando bem indicados, são benéficos. “Os benefícios são sempre maiores do que os riscos, como tudo na Medicina. A diferença entre o benefício e o prejuízo, como no caso da prescrição de um remédio, é a dose”, afirmam os pesquisadores.

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