Música goiana - I: Belkiss Carneiro de Mendonça " A música verdadeiramente artística era a das igrejas"
Matéria publicada em 04/05/2015, às 15:30:08

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Belkiss Carneiro de Mendonça

A música goiana é muito rica e apresenta uma trajetória densa que tem revelado talentos, inclusive com reconhecimento internacional. Como a música brasileira de maneira geral, a criação musical goiana teve importante contribuição de índios, portugueses e africanos. Essa herança se expressa, por exemplo, na “Dança dos Tapuias”, um dos quadros da Festa do Divino Espírito Santo, em Pirenópolis. O tradicional auto As Pastorinhas (encenado desde 1922 e que compõe também a Festa do Divino Espírito Santo) foi inicialmente um ritual de catequização de índios. Esse caráter cedeu lugar à pregação religiosa, que marcou o perfil da música goiana durante muito tempo.

A musicista Belkiss Spenziéri Carneiro de Mendonça revela que a música verdadeiramente artística era a das igrejas, produzida para as funções religiosas. Mais tarde esse gênero chegou aos lares, levado pelas moças que tocavam e cantavam. Modinhas e romances despontavam com elaboração e muito sentimento. Registra a história que os primeiros trabalhos musicais que surgiram em Pirenópolis tinham a assinatura do vigário José Joaquim Pereira da Veiga.

Entre os nomes mais importantes da música goiana, no século 19, destacaram-se José do Patrocínio Marques Tocantins, Tonico do Padre, Baltazar Ribeiro de Freitas, Braz Luiz de Pina, Sebastião Pompeu de Pina Júnior, José Pirahy, Mestre Quilú e Antônio Marcos de Araújo, entre outros.
As bandas tiveram um papel relevante no caminho da música. Sua função era divulgar as composições regionais e animar as festas populares, os dramas, as comédias. Mas apresentavam-se também nas igrejas com pompa e circunstância. Em Corumbá de Goiás destacou-se a Corporação Musical 13 de Maio (fundada em 1890), ainda hoje atuante  e, em Pirenópolis, a Banda Phoenix, fundada em 1899 por Mestre Propício. A Phoenix também ainda resiste e, atualmente, conta com 45 integrantes e 70 instrumentos. Saraus e serenatas tornavam-se atração, sobretudo na Cidade de Goiás, na primeira metade do século 20. Nesse período proliferaram conjunto musicais, cantores e solistas. Esses grupos chegaram a fazer fundo musical para os cinemas mudos da época. Nesse contexto, surge uma personagem fundamental na história da música goiana. É Maria Angélica da Costa Brandão (conhecida como Nhanhá do Couto), que foi pianista, cantora lírica, professora e incentivadora da música erudita. (Continua)

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