Etanol herói ou vilão?: Especialistas garantem que 2% a mais de etanol no motor movido a combustível mineral não causará dano
Matéria publicada em 04/05/2015, às 15:22:20

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Aumento foi só para gasolina e diesel Etanol pegou carona
O reajuste nos preços dos combustíveis determinados pelo governo (gasolina e diesel) acabou ocorrendo também no preço do etanol sem explicação plausível. Entressafra, preços defasados e custo social foram argumentos do setor que não convenceram e quem saiu perdendo, uma vez mais, foram os proprietários de veículos flex. Mas as consequências da nova investida do governo ao bolso dos brasileiros vão além. O aumento da adição do álcool anidro à gasolina é outro problemão na vida dos proprietários de veículos automotores.


De 25 para 27
A partir de 16 de fevereiro as gasolinas comum e aditivada passaram a sair das bombas com o limite de 27% de álcool anidro em sua composição. O teto anterior era de 25%, enquanto o mínimo continua em 18 por cento. Para a maioria dos brasileiros é certo que o aumento da adição provocará danos aos motores dos veículos. Porém, “os carros a gasolina não precisarão recorrer à opção premium (que hoje custa R$ 4,00) com a adição máxima de 27% de etanol à gasolina para minimizar tais danos”, garante o engenheiro Cleyton Zabeu, presidente da Comissão Técnica de Motores Ciclo Otto da SAE Brasil.
No início do mês, a Anfavea (associação que reúne os fabricantes automotivos) havia feito uma recomendação para que modelos movidos somente com o derivado de petróleo evitassem a gasolina comum ou aditivada, pois a presença maior de álcool anidro poderia ocasionar danos no propulsor e comprometer o desempenho do veículo. O alerta, porém, segundo o engenheiro, é válido apenas para os automóveis carburados que já sofrem com os atuais 25% de etanol na gasolina, ocasionando perda de potência e corrosão dos componentes, e também os importados adquiridos via empresas independentes, que não tiveram o propulsor adaptado para a proporção da mistura brasileira.
“Os motores com injeção eletrônica (a maioria da frota nacional) possuem um sistema de gerenciamento capaz de se autoajustar para variações bem maiores do que apenas 2% na composição”, explica o especialista. Ele diz ainda que mesmos os importados vendidos oficialmente nas concessionárias passam por uma calibração no motor que permite cobrir mais de 27% de presença de álcool na gasolina sem causar danos. “Haverá uma ligeira perda de potência. O motorista precisará acelerar um pouco mais. Quanto à partida a frio, nada mudará”, acrescenta Cleyton Zabeu.
Enquanto isso, as fabricantes seguem o mesmo discurso do Anfavea e recomendam o uso da gasolina premium para motores que só aceitam o combustível mineral.


Aumento velado
Com o acréscimo de etanol, a lógica seria que a gasolina sofresse uma redução no preço, afinal o combustível vegetal é mais barato que o mineral. Mas, por enquanto, o governo federal não sinaliza para tal corte. “Quando se coloca álcool na gasolina, cada litro de combustível vai conter menos energia. Portanto, pagaremos o mesmo valor para comprar menos energia”, revela o professor José Antônio Andres Velasquez Alegre, integrante do Departamento Acadêmico de Mecânica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).


Danos da conversão
Mais de 90% dos carros produzidos no Brasil atualmente são Flex. Mas se você tem um veículo movido somente a etanol ou a gasolina e pensa em fazer a conversão de combustível, é bom ter claro que essa prática não é recomendada pelas montadoras nem pelos fabricantes de peças de injeção.
A conversão dos motores de gasolina para etanol caiu nas graças dos motoristas no início dos anos 2000. Um dos motivos era o preço bastante atrativo do etanol. Outras justificativas eram o aumento da potência e a diminuição da emissão de poluentes. Hoje, essa prática é cada vez menor. Além do valor do etanol não estar tão convidativo, surgiram vários problemas com trocas de peças, especialmente velas de ignição, bomba de combustível, injetores e escapamento. Nos carros mais antigos, equipados com carburador, a transformação de gasolina para etanol é ainda mais drástica.

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