O cromossomo do amor: Pessoas com síndrome de downsão tão capazes e dígnas de afeto quanto outra pessoa sem deficiência. A APAE traz as histórias de algumas delas
Matéria publicada em 29/04/2015, às 18:47:29

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O cromossomo do amor. Assim, carinhosamente é comum pessoas se referirem à síndrome de Down, uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais, o par 21, por isso a síndrome também é conhecida como trissomia 21. Na APAE, inúmeras são as atividades que os downs, sempre amorosos e receptivos, executam: oficina de culinária, capoeira, handebol, dança e teatro. Na Escola Maria Montessori, unidade educacional da APAE em Anápolis, são mais de 50 os alunos com a síndrome, sem contar os que são atendidos pelos programas de saúde.


Markatiney Linea, 27 anos, esteve entre os alunos da instituição. Hoje, no 7º período do curso superior de Administração, a jovem down conquistou uma vaga no mercado de trabalho local, confirmando as inúmeras capacidades das pessoas com a síndrome.  A mãe da jovem, Rosalina de Fátima, diz que buscou incentivar a filha para que atingisse o máximo de suas potencialidades: “Todos enfrentamos obstáculos e ela também tem seus limites, mas, sempre lutei e a incentivei para que alcançasse sua independência”. Desde quando soube do diagnóstico da filha mais velha, Rosalina conta não ter se desanimado. Pelo contrário, tem obtido constante motivação para incentivá-la. “Ela é como uma pedra preciosa para nossa família e a estamos lapidando desde quando nasceu, explorando suas capacidades e não fazendo distinção entre ela e qualquer outra pessoa”, diz a mãe que, orgulhosa, comemora as conquistas da filha. “Sua história incentiva outras mães a não deixarem seus filhos diagnosticados com alguma necessidade especial em estado de inércia, mas conscientizadas, os estimularem”. A responsável pelo departamento de Recursos Humanos do Rápido, unidade Jundiaí (onde Markatiney trabalha), Sirley Gomes de Moraes, conta que a jovem, carinhosamente chamada por Kaká entre seus colegas, tem superado as expectativas. “Ela desempenha sua função normalmente, além de ser muito interessada e eficiente, sempre com ideais inovadoras”, avalia. Contudo, o processo de seleção para a vaga de recepcionista pela qual Markatiney foi submetida, foi o mesmo aplicado às demais pessoas. “O critério usado para sua contratação e a vaga que ela ocupa no Rápidov estão nas mesmas condições aplicadas a uma pessoa sem deficiência”, relata.

A down, satisfeita com sua conquista, visa crescer profissionalmente e alcançar o cargo de gerência na organização. “Admiro muito a minha gerente e, um dia, quero ser como ela”, declara, enfatizando que, com dedicação, tudo é possível a todos.
Uma ideia na qual a dona de casa Márcia Spinelli sempre acreditou, pois desde quando ainda era solteira nutria o desejo de adotar uma criança especial. “Quando saía com minha mãe, reparava mães de crianças especiais tratando seus filhos com impaciência e aquilo me fazia refletir se afinal, era tão difícil cuidar de uma criança assim com amor?”, conta.

Quando já casada, os primeiros amigos que souberam desse projeto, pressupondo as dificuldades que o casal teria que enfrentar, tentaram fazer com que desistissem da ideia dizendo que crianças especiais não costumavam ir para filas de adoção. Mas, nem a falta de incentivo fez com que desistissem de entrar com um pedido de adoção. Quando o quinto filho biológico já tinha dois anos de idade, o telefone tocou. “Márcia, temos uma novidade para vocês. Acho que seu filho adotivo nasceu e é uma menina!”, fiquei surpresa, conta Márcia. “A assistente social precisa retirar uma criança com síndrome de Down, que foi rejeitada pela família, do hospital e está com dificuldades de encontrar um lar para ela. Na mesma hora lembrei-me de você, porque é uma criança como você sempre sonhou. Corra atrás do que for necessário para vocês ficarem com ela”, aconselhou.
Márcia e seu esposo foram ao Fórum da cidade e ali souberam que tudo seria burocrático e lento, porque o caso ainda seria estudado e, paralelamente, o casal precisaria entrar com o pedido de adoção e toda a documentação necessária exigida nesse tipo de processo. “Depois de tudo feito, entreguei a situação nas mãos de Deus e confiei. Se ela tivesse de ser minha, seria”, narra. Numa segunda-feira pela manhã o telefone tocou mais uma vez. Era a assistente social avisando que a adoção fora permitida e que o casal já poderia ir buscar a criança.

Atualmente, casada há 24 anos, e mãe de seis filhos, cinco biológicos e a caçula, Isabella de nove anos, portadora de síndrome de Down, Márcia participa do Clube de Mães da APAE, onde Isabella estuda e recebe tratamento. O Clube de Mães da APAE consiste em oficinas de artesanatos produzidos pelas mães de alunos e pacientes da instituição e que tem a renda revertida para a causa. “A partir do momento que me dispus a adotá-la, tudo foi acontecendo, fomos ajudados em todos os sentidos. Ganhamos roupas e móveis para ela e na APAE recebo todas as orientações necessárias enquanto mãe de uma criança portadora de síndrome de Down, além de a Isabella ter todo o atendimento médico e educacional que precisa”, relata, hoje tendo a resposta que buscava quando solteira: “Não é difícil tratar uma criança assim com amor. Pelo contrário: É prazeroso. Recebemos muito mais amor do que doamos. Eles são extremamente amorosos”, afirma emocionada.
Dandara Gemima, 27 anos, aluna da Escola Maria Montessori e apaixonada pela oficina de culinária oferecida pela instituição, diz que não se considera inferior às demais pessoas. “Todos temos nossas diferenças e eu sou uma síndrome de Down feliz, que tem o seu papel no mundo!”, ensina a jovem down. (Carol Evangelista)

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