" A reversão do processo de degradação dos mananciais é uma de nossas metas": José Taveira
Matéria publicada em 29/04/2015, às 11:03:50

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José Taveira

José Taveira Rocha, presidente da Saneamento de Goiás S/A - Saneago, embora garanta abastecimento de água na grande Goiânia pelo menos até 2030, reconhece que é preciso se precaver e buscar alternativas contra um temido racionamento de água. Taveira foi liquidante da Caixego, comandou a GoiásFomento, o Ipasgo, o Detran, a Secretaria da Fazenda e assumiu, neste ano, a presidência da Saneago. Este reconhecido gestor público costuma dizer que é um cumpridor de ‘missões’. (Fonte: O Hoje)

A Saneago é um desafio?

A missão na Saneago é a natural de qualquer empresa, quer seja pública ou privada. O problema é sempre gestão. Tem que equalizar receita com despesa num primeiro momento, para num segundo momento conseguir gerar resíduos para investimento. O problema de água e esgoto não é só em Goiás, é no país inteiro e até no mundo, um problema de difícil solução e sempre carente de recursos para investimentos por se tratar de questões complicadas como escassez de água, diminuição do ciclo da chuva, poluição dos principais mananciais. Há regiões nos Estados Unidos onde não chove mais e em São Paulo a gente viu o que ocorreu. Então temos que fazer uma gestão na empresa para que ela sempre trabalhe com sustentabilidade e, ao mesmo tempo, desenvolver programas que objetivem e visem a reversão do processo de degradação dos nossos mananciais. Hoje em dia temos concorrência muito grande na utilização da água para a agricultura e pecuária através da irrigação por aspersão. Mexer com a administração da Saneago é um negócio desafiante e complexo. Então temos, nesse primeiro momento, tomado conhecimento das peculiaridades do setor, para a partir de agora desenvolvermos um plano de trabalho com algumas prioridades.


Como evitar crise de água em Goiás?
Precaução é a palavra. Temos o Sistema Mauro Borges, que é o reservatório do ribeirão João Leite, com capacidade para abastecer a região geoeconômica de Goiânia por alguns anos. Mas não podemos nos sentar e adotar posição de comodidade. Temos que buscar alternativas. Vamos procurar, através de pesquisas, outros mananciais que possam reforçar o abastecimento da região metropolitana de Goiânia porque temos o problema solucionado até 2030, mas o ano 2100 vai chegar. A mesma preocupação se dá com o entorno de Brasília, onde felizmente temos as várias usinas do rio Corumbá. Estamos fazendo um trabalho em parceria com a empresa de saneamento do governo do Distrito Federal para abastecer o entorno de Brasília, principalmente o entorno sul, região de Luziânia, que tem registrado um crescimento demográfico acentuadíssimo nos últimos anos.


“Vamos procurar através de pesquisas outros mananciais que possam reforçar o abastecimento da região metropolitana de Goiânia porque temos
o problema solucionado até 2030, mas o ano 2100 vai chegar”


Quanto falta investir para se concluir o Sistema Mauro Borges?
Passamos esse primeiro mês fazendo esse levantamento. Precisamos de geração de recursos, quer sejam obtidos através de financiamentos ou com geração de recursos próprios em torno de R$ 150 milhões para promover a distribuição da água do João Leite em Goiânia, Trindade, Senador Canedo, Aparecida, Abadia e Aragoiânia. Nosso plano é proporcionar uma constante geração de recursos próprios para fazermos a contrapartida desse projeto e buscar dinheiro nas instituições financeiras. A pretensão inicial, depois de uma conversa com o BNDES é procurar o BID, o Banco Andino, que também têm financiado alguns grandes projetos de infraestrutura no Brasil com enfoque especial em itens comoa instalação e produção de água e sistemas de esgotamento sanitário.


Os recursos do próprio estado estão regrados e este não é um fator complicador?
Preciso fazer um retrospecto histórico para deixar uma posição muito clara. Cada gestor público, ao seu tempo, em seu momento, tem uma missão. No início do terceiro governo de Marconi Perillo veio o Simão Cirineu e assumiu a Secretaria da Fazenda com a missão de promover intenso ajuste fiscal no estado e gerar capacidade de contratação de financiamentos. O que ocorreu. Ele desempenhou a missão de maneira brilhante para gerar excedentes onde pudéssemos buscar recursos no sistema financeiro para reconstrução da infraestrutura do estado, notadamente da malha viária. Foram contratados, em números redondos, R$ 4,5 bilhões no BNDES, no Banco do Brasil e na Caixa. Esses recursos vão sendo aplicados ao longo desses anos que se seguiram a esse financiamento. Ainda remanesce algo em torno de R$ 1 bilhão a ser liberado no exercício de 2015, que representa a complementação dessas obras que estão em andamento. Além de eventual financiamento que possa ser obtido ainda neste ano. Então, as obras que estão em curso, nenhuma delas será paralisada. Nem todas as obras foram financiadas. O Tesouro Estadual ao longo desse tempo gerou excedentes para investimento. Obras principais que estão fora do financiamento: Hugo 2, são 61 mil m² de hospital, um alqueire e meio para os goianos; Hugo de Uruaçu; reforma do autódromo; sete Credeqs; Centro de Convenções de Anápolis; aeroporto de cargas de Anápolis; duplicação da rodovia de Inhumas a Goiás. Todas essas obras representam investimento de alta expressão financeira e não estão inseridas nos financiamentos. Por exemplo, quando deixei a Secretaria da Fazenda, remanescia uma parcela em torno de R$ 30 milhões para complementar o pagamento do Hugo. O grosso dessas obras já foi pago, imagino que não teremos nenhum problema de continuidade das obras.


Durante o mês de janeiro aconteceram alguns apagões. Energia e água, juntas, estão com problemas?
A grande maioria dos nossos reservatórios requer bombeamento. Na eventualidade da incidência maior de apagões é claro que vai provocar prejuízo no abastecimento da água. É outro assunto preocupante no âmbito da gestão da Saneago. Chegamos agora, mas pedimos estudos nesse sentido, de dotar nossos principais sistemas de adução da água, talvez de geradores próprios, etc. Isso compete à área técnica da companhia definir, mas é sem dúvida um assunto que requer investimento pesado porque são sequenciais: faltou energia, vai faltar água em função do problema de bombeamento dos reservatórios. Estamos na fase de orçamento dos geradores para aquelas adutoras cuja incidência de falta de energia pode ser mais frequente, porque há muitos delas onde a água é captada no sistema de gravidade. Essas não teriam consequência nenhuma. Mas a administração da Saneago está preocupada e atenta a esse problema.


Haverá investimentos no sistema de coleta e tratamento de esgoto?
Já fizemos algumas reuniões com o então deputado federal Vilmar Rocha que assumiu a Secretaria de Meio Ambiente. Tivemos vários encontros para concluirmos canais de entendimento que serão, com o auxílio dele, conduzidos ao Ministério das Cidades. Ele tem relacionamento pessoal com o ministro Gilberto Kassab. Vamos pegar carona para tentarmos alocação de recursos de programas do governo federal para expandir o sistema de saneamento na grande Goiânia, no entorno de Brasília e nas cidades do interior. Acho que vamos ter grande alocação de recursos nos próximos anos para esses projetos, principalmente na área de saneamento.


“Vamos criar um sistema de extrema transparência na gestão e no relacionamento das empreiteiras com o estado. A mesma experiência que tive na Sefaz nesses 15 meses e que foi muito bem sucedida”


Houve uma redução do número de diretorias da empresa. Por que?
Porque no momento em que se diminui a estrutura, provoca-se um processo sequencial de economia. Das 16 secretarias, hoje são 10 no estado, ou seja, são menos seis carros, menos seis motoristas, menos muitos assessores, menos seis despesas de telecomunicações e assim sucessivamente. Então, a empresa tinha uma estrutura bastante ampla que foi diminuída e a estrutura que estamos implantando é suficiente para conseguirmos gerir a Saneago.


O senhor acha que atingirá
a meta de redução do custo da empresa em 30% como pretende?
Tenho certeza que vamos atingir a meta e isso será muito saudável do ponto de vista de gestão. Cada redução que conseguirmos, desde que não provoquemos colapso no funcionamento da empresa, serão recursos que sobrarão para investimento que é a grande necessidade da companhia e da sociedade goiana. Já tivemos redução expressiva - 26,7% - no número de comissionados e embora os comissionados na empresa fossem em número bastante reduzido, o baixamos de 65 para 47. São 18 folhas de pagamento a menos fora outras consequências daí advindas. Mesmo assim, estamos plenamente conscientes de que não se pode analisar a diminuição de uma estrutura só pelo número das diretorias, ou das secretarias, no caso do estado lato-sensu. Tem que agregar a esses cortes uma série de valores decorrentes da existência daquela diretoria e que provocarão economia bastante significativa no final de cada mês.


Como o senhor pretende conduzir a relação com as empreiteiras?
Vamos criar um sistema de extrema transparência na gestão e no relacionamento das empreiteiras com o estado. A mesma experiência que tive na Sefaz nesses 15 meses e que foi muito bem sucedida. As demandas das empreiteiras eram muito grandes sobre as finanças do estado. Tivemos sempre um relacionamento bastante transparente, cordial. Então, a disponibilidade de recursos e esse tratamento transparente que fizemos e conseguimos adotar no relacionamento do estado com os prestadores de serviço de uma maneira geral foi muito saudável no tempo que estive à frente da Sefaz e será também na Saneago.


O senhor já pensou em disputar uma eleição?
Não, não pensei. Na verdade, eu só disputaria uma eleição e seria até de bom grado, se tivéssemos reformas profundas no modelo político no Brasil. Uma delas é o voto distrital puro, que tem o condão de deixar a população em contato permanente com seus representantes e evita abuso do poder econômico. O dia que tivermos um sistema político nesse sentido asseguro-lhe que serei um sério aspirante a disputar um mandato eletivo numa região em que o povo conheça meu trabalho. No atual sistema prefiro viver longe do processo político.

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