" Em alguns anos Anápolis se consolidará como centro oftalmológico de referência": Dr. Augusto Pereira
Matéria publicada em 14/02/2014, às 12:51:09

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O   Hospital Oftalmológico de Anápolis é hoje uma referência em cirurgias e tratamentos de diversos tipos de doenças dos olhos. É também um dos pioneiros em transplante de córneas e por vários anos contribuiu, através do trabalho de seu diretor-presidente, o médico Augusto Pereira, com o funcionamento do Banco de Olhos de Anápolis. No início da década de noventa foram realizadas as primeiras cirurgias de transplante de córneas na região, no período em que o Dr. Augusto foi diretor técnico, por cinco anos, daquela instituição que paralisou suas atividades em 1997 com o decreto lei que estabeleceu o Sistema Nacional de Transplantes. Em funcionamento há seis anos, o HOA caminha a passos largos para a excelência na prevenção e promoção da saúde ocular, focando, ao mesmo tempo, na pesquisa e na especialização de profissionais médicos em oftalmologia. Buscar parcerias com outros setores, como a indústria, para tornar Anápolis um polo de modernidade oftalmológica está entre os planos desse profissional da medicina que, além de médico, revela-se como um autêntico empreendedor empenhado, no momento, na triplicação da capacidade de atendimento do HOA. Nesta entrevista o Dr. Augusto Pereira, que é mineiro de nascimento, mas anapolino por opção e por reconhecimento, dá detalhes dos desafios vencidos até o momento e das novas metas do Hospital Oftalmológico de Anápolis.

O senhor dirigiu por anos a fio o Banco de Olhos de Anápolis, agora fechado. Há planos para o retorno das atividades daquela instituição?

Aquele tempo que dispensei meu trabalho gratuitamente ao Banco de Olhos de Anápolis foram os melhores anos da minha vida de profissional médico. Conseguimos acabar com a fila de pacientes da cidade e ajudamos, significativamente, os bancos de olhos de Goiânia. Tudo tem seu tempo certo e creio que uma cidade como a nossa está madura o suficiente para  reabrirmos o banco de tecidos oculares. A sociedade, incluindo o poder público, em especial o prefeito Antônio Roberto Gomide, têm demonstrado que em Anápolis o hoje é o tempo para as realizações. A reabertura e o funcionamento de uma instituição como essa parece simples, mas não é, porque esse tipo de iniciativa depende de detalhes burocráticos nem sempre fáceis de serem vencidos. Mas não será a burocracia que nos impedirá de buscar o funcionamento do Banco de Olhos de Anápolis, o que faremos com determinação e objetividade para que tal aconteça brevemente.

Como a equipe de médicos do HOA alcançou posição de destaque em cirurgia refrativa?

Faço a cirurgia refrativa há 25 anos. Inicialmente a correção dos graus refrativos dos olhos era realizada com incisões nas córneas com bisturi de diamante. Com a evolução da técnica e a utilização do Excimer laser nesse tipo de procedimento, tive de trabalhar em Goiânia por 14 anos porque era economicamente inviável trazer um aparelho apropriado para essa cirurgia para Anápolis. Isso durou até cinco anos atrás quando participamos do grupo que trouxe para nossa cidade o que o “Food and Drugs Administration - FDA” dos Estados Unidos considerou como a melhor tecnologia do mundo para tratamento da visão com laser. Era um aparelho moderníssimo e de altíssimo preço que veio acompanhado de equipamentos de exames complementares muito caros e, por isso, a cirurgia ficava por um custo elevado para os pacientes. Passamos a utilizar o Allegretto e a moderna técnica de correção da miopia, astigmatismo, hipermetropia além da inovação ao tratar também a presbiopia (vista cansada) e o ceratocone, com o auxilio do aparelho de “Crosslinking” corneano, também importado da Alemanha. Há seis meses, trocamos aquele Allegretto por um modelo ainda mais moderno, mantendo Anápolis como referencial. A equipe de médicos do HOA tem, assim, além de anos de conhecimento adquirido na prática, um centro cirúrgico exclusivo para cirurgia ocular, através dos quais proporciona ao paciente a experiência de se tornar menos dependente ou livre dos óculos de forma segura e precisa.

O HOA volta-se para a modernidade e para a implantação de avanços administrativos e tecnológicos. É essa uma busca da alta categoria também nesse aspecto?

Isso faz parte da história do desenvolvimento da própria oftalmologia. Quando uma pessoa se dedica à arte da medicina, tem como objetivo melhorar cada vez mais os seus resultados. Como médico clínico e como cirurgião ele precisa investir na tecnologia mais avançada porque quanto mais modernos e avançados os aparelhos, maior a segurança, maior a precisão dos resultados. Essa é uma das características dos médicos da equipe do HOA que os coloca como profissionais preocupados com a constante busca do desenvolvimento técnico e de utilização de aparelhagem moderna e avançada. O HOA experimentou um crescimento muito grande e muito rápido devido à história e à forma como aconteceu essa revolução no campo oftalmológico e, na cidade de Anápolis, esse avanço não parou por aí, pelo contrário, continua em um ritmo ainda mais acelerado.

Diga-nos como foi o começo de tudo, Dr. Augusto?
Começamos com um pequeno consultório no Hospital Evangélico Goiano e, com o tempo, passamos a precisar de espaço, de aparelhos novos e outros detalhes que nos fizeram mudar do HEG para o Centro Oftalmológico. A demanda muito grande de trabalho, aliada ao espírito de companheirismo, rapidamente propiciou a formação de um verdadeiro time de oftalmologistas, cada um na sua especialidade, alguns voltados para a cirurgia de catarata, outros para o tratamento das doenças da córnea, como o ceratocone, para cuidar de pessoas com glaucoma ou para a cirurgia plástica, estrabismo e da retina. Com esse espírito e com o aumento do número de pacientes, tivemos que sair do Centro Oftalmológico que também havia se tornado pequeno e passar para o HOA. Hoje a estrutura física do hospital é insuficiente para o número de especialistas e pacientes, apesar de aqui só se tratar dos olhos. Já se faz necessária uma ampliação e é por isso que o HOA está triplicando a sua estrutura e também triplicando a possibilidade de mais e melhores serviços à população.

“O fato de ser um hospital de tratamento exclusivo do aparelho ocular faz com que problemas graves como infecção após a operação sejam cada vez mais raros.
É a experiência trazendo segurança e diminuindo, significativamente, a possibilidade de intercorrências”


Pode-se afirmar que o HOA é hoje uma referência em diversos procedimentos oftalmológicos?
Com essas mudanças você vai conseguindo melhores resultados em determinados tratamentos e hoje somos um serviço que abrange por completo os problemas oculares. Desde a primeira facoemulsificação, técnica cirúrgica para tratamento da catarata, em 1994, já realizamos mais de vinte mil cirurgias. A experiência traz segurança, diminuindo significativamente a possibilidade de intercorrências. Problemas graves como infecção após a operação são cada vez mais raros, com índices estatísticos comparáveis e até menores que os de hospitais de referência mundial. O fato de ser um hospital de tratamento exclusivo do aparelho ocular concorre positivamente para isso e essa é uma realidade que está sendo ampliada.

Há o pensamento de se investir em pesquisa no HOA?
O foco dos médicos do HOA, até há alguns anos atrás, era a terapia, o tratamento. Nós trabalhávamos para servir só aquele paciente que vinha até nós. Mas isto tem mudado, especialmente porque a equipe começou a se reunir várias vezes por semana para estudo e pesquisa e passamos a receber outros colegas médicos interessados em compartilhar nossa experiência e conhecimento. Essas conferências abriram um leque de oportunidades nesse campo, inclusive de fazermos pesquisas clínica e cirúrgica. Hoje, o HOA tem um serviço de estágio em que o médico recém formado faz uma prova e, se aprovado, frequenta o hospital durante três anos como estagiário, aprendendo a oftalmologia. Da terapia para as pesquisas foi um passo e estamos nos estruturando, cada vez  mais, para esta nova realidade, planejando, para breve, a implantação do Instituto HOA de Ensino e Pesquisa.

É possível manter esse ritmo de evolução e modernização exercendo apenas a função de médico?
A verdade é que esta realidade vem se modificando e se desenvolvendo de maneira tão vertiginosa que nos levou, a minha mulher, Dra. Jacqueline e a mim, a estudarmos administração hospitalar. Assim como a odontologia e a medicina, a administração também precisa ser feita com conhecimento de causa e não apenas de maneira intuitiva. Chegou aquele momento em que sentimos a necessidade de nos especializarmos em administração e não é nada fácil para um médico vestir uma camisa diferente. O administrador e o médico são de times diferentes. O médico tem uma relação de doação com o paciente e precisa estar sempre disposto a sentir junto com ele, a ter compaixão com ele e a dedicar o máximo individualmente para resolver o problema daquele que vem pedir ajuda. Por isso, raramente o médico é um bom administrador e, talvez também por isso, vários hospitais fecham as portas diariamente no Brasil. A administração, quando não exercida profissionalmente, prejudica a área financeira e inviabiliza qualquer empreendimento, inclusive o hospitalar. Por esse motivo, estamos concluindo uma MBA nessa área e contratamos uma consultoria especializada que nos ajuda a empregar o que há de mais moderno em técnicas de administração hospitalar melhorando ainda mais o padrão do HOA. O administrador faz coisas que o médico não aprendeu a fazer. Fixar metas, cobrar resultados das pessoas, saber liderar, atrair e reter talentos, incentivar, manter alto o estímulo dos colaboradores e remunerar justa e merecidamente são funções do empreendedor que o profissional médico tem muita dificuldade de fazer. É também importante controlar o crescimento para que ele não se torne um crescimento desordenado.

O que tem sido feito para controlar o crescimento do HOA?
Estamos baseando o crescimento do HOA em quatro pilares básicos, sendo que o interessante é que o financeiro é o último deles, ou seja, o financeiro é uma consequência dos outros três. O primeiro pilar está focado no paciente, ou no cliente do ponto de vista administrativo. O que podemos fazer para que o cliente possa receber o melhor tratamento do ponto de vista técnico e, além disso, se sinta bem, se sinta respeitado e fique satisfeito com o nosso atendimento? Em síntese, o que podemos fazer para que o cliente chegue ao hospital, seja bem atendido e saia daqui com uma experiência que o tenha encantado sob todos os pontos de vista? Essas são perguntas que são respondidas no HOA a todo momento, a cada procedimento, a cada atendimento. O segundo pilar é o dos procedimentos internos que devem se aprimorar para diminuirmos o tempo de espera do paciente e, ao mesmo tempo, manter o alto padrão, tendo os sistemas operacionais dos vários departamentos funcionando em perfeita sintonia, como em uma orquestra, e o mais rápido e perfeitamente possível. Para tanto, estamos trocando toda a parte de informática do hospital e realizando procedimentos operacionais padrão na recepção, na telefonia, nos centros cirúrgicos, nos exames complementares, dentro do consultório e no nosso “site”. O terceiro pilar deste planejamento estratégico é a observação da nossa própria formação e crescimento. Estamos implantando indicadores em cada área, constantemente medidos e corrigidos em função dos resultados, o que acaba sendo de grande utilidade para nossa orientação em direção às ações futuras.

Qual é o objetivo de se promover tantas transformações?
A ideia é oferecermos assistência oftalmológica centrada no cuidado ao paciente, utilizando tecnologia avançada na prevenção e reabilitação visual. Queremos e vamos crescer, mas queremos, acima de tudo, crescer com qualidade, aquela qualidade que tínhamos quando começamos a trabalhar, nós e uma secretária, sem nunca perdermos de vista os valores de satisfação do cliente: ética, qualidade, parceria, patrimônio humano e tecnologia. Tudo é muito complexo pela grandeza da demanda, mas é possível crescermos ainda mais, melhorando a qualidade se crescermos de forma ordenada, de forma organizada, mantendo o espírito de servir do médico com o melhor que pudermos proporcionar ao paciente.

“Assim como a odontologia e a medicina, a administração também precisa ser feita com conhecimento de causa e não apenas de maneira intuitiva. Chegou aquele momento em que sentimos a necessidade de nos especializarmos em administração e não é nada fácil para um médico vestir uma camisa diferente. O administrador e o médico são
de times diferentes”


Como administrar o tempo em meio a tudo isso, em meio a tantas obrigações e responsabilidades?
Antes eu atendia uma média de 50 pessoas por dia e hoje atendo a metade. Administro o tempo me dividindo entre o atendimento clínico, as cirurgias e a administração do hospital. Pode parecer muito trabalho, mas graças a esse esforço e dedicação é que podemos ver o paciente alcançar o melhor dos resultados de sua expectativa. É muito bom e isso é o que nos gratifica.
O que mais o HOA planeja para o futuro próximo, Dr. Augusto?
O hospital atua hoje na terapia dos problemas oculares e busca passar, o mais breve possível, para o campo da prevenção e promoção da saúde da visão. Para isso, precisamos nos aliar à indústria. Queremos fazer de Anápolis, hoje um polo agroindustrial e educacional, também um polo médico na área da oftalmologia. Como poderíamos, hoje, produzir um chip e implantá-lo na retina de uma pessoa para que ela voltasse a enxergar? Não há como fazer isso em Anápolis atualmente. O que se pode afirmar com toda a convicção é que estamos nos organizando, fazendo o melhor trabalho possível na parte clínica e cirúrgica, nos iniciando como pesquisadores, docentes e formadores de profissionais. Temos como sonho e meta desenvolver no futuro uma indústria de promoção da saúde na área da oftalmologia. Existem pesquisas que estamos fazendo aqui que são inovadoras e poderão modificar totalmente o tratamento de pacientes com doenças oculares no mundo inteiro. Isso só acontece porque como nos reunimos com frequência, discutindo casos, trocando conhecimento e experiências, chegamos a algumas conclusões extraordinárias. Acredito que daqui a alguns anos Anápolis estará definitivamente consolidada como um centro oftalmológico de referência, podendo, sem sombra de dúvida, proporcionar um tratamento da visão de altíssima excelência em várias áreas.

Seu trabalho foi reconhecido com o título de cidadão anapolino. Qual é o significado desse reconhecimento?
Me senti muito honrado com esse título que foi o reconhecimento de um sentimento meu, o sentimento de realmente ser anapolino. Não foi fácil deixar minha cidade, deixar tudo para trás, apesar de que logo depois que vim para cá, em 1990, também vieram minha esposa, meus pais e irmãos, ou seja, praticamente toda a minha família se mudou para Anápolis. Dediquei até agora, toda a minha vida profissional à população desta extraordinária cidade e é altamente gratificante e estimulante receber o reconhecimento através do recebimento de um título que me fez sentir mais anapolino do que já me sentia antes. Isto é maravilhoso!

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