"Rendo especial homenagem aos empresários que acreditaram no DAIA e no sonho de Irapuan Costa Junior": Sultan Falluh
Matéria publicada em 18/11/2013, às 10:20:27

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Sultan Falluh nasceu no Rio de Janeiro em 15 de agosto de 1930, o quarto de uma prole de seis filhos do casal de sírios Nazira e Farhan Falluh. A convite de um irmão, José Falluh, pai do oftalmologista, Paulo Falluh, que veio para Goiás em 1938, o pai de Sultan veio para Anápolis em 1943, aonde chegou em 31 de julho trazendo a família. No final de 1943, seu pai instalou um empório, a Casa Seis Irmãos. O ainda menino Sultan deixou o emprego que tinha e foi trabalhar com o pai. Em 1946, a Casa Seis Irmãos transformou-se em loja de calçados e foi transferida para a Rua Barão do Rio Branco. Em 1973, Sultan Falluh adquiriu a unidade da Falluh Renner, empresa que, pessoalmente e com muita competência, conduz até os dias de hoje.

Sultan Falluh casou-se em 1955, aos 24 anos, com Erotides Jayme Falluh, com quem teve seis filhos: Reinaldo, Nazira, Elizabeth, Suzana, Cristina e Lúcio. Com os filhos vieram os netos, sete no total. A família cresceu ainda mais, com o casal sendo presenteado com dois bisnetos. Um novo fato iria mudar a vida de Sultan e, principalmente, a trajetória  do desenvolvimento de Anápolis. No início dos anos 70, o então governador de Goiás, Irapuan Costa Junior, convidou-o para o cargo de diretor administrativo da Companhia de Distritos Industriais de Goiás, hoje Goiasindustrial, com a missão de fazer um acordo com os proprietários de uma área para a implantação do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), o que fez com desenvoltura, articulação e diplomacia. Rotariano, Sultan Falluh divide hoje o seu tempo com os olhos e a mente voltados para o que mais gosta de fazer, além de curtir o aconchego da família: administrar sua conceituada e moderna loja Falluh Renner, e cuidar, com muito amor e carinho, de sua belíssima fazenda que fica a 20 minutos da cidade, um verdadeiro paraíso ecológico. Sultan Falluh, às vésperas do 37º aniversário do Distrito Agroindustrial de Anápolis, de cuja implantação foi, sem dúvida, o maior articulador, é o nosso entrevistado.

Como foram os primeiros anos de sua relação com Anápolis?
Anápolis estava surgindo, com aproximadamente 12 mil habitantes, ruas sem asfalto, sem escolas, sem água encanada e com energia elétrica precaríssima. Era uma cidade sem nenhum recurso, mas nós também não tínhamos recurso algum. Aos 17 anos, já emancipado e ouvindo um conselho de meu pai, comecei a participar das reuniões da Associação Comercial e Industrial de Anápolis assumindo, logo em seguida, um cargo de conselheiro da diretoria. Nos anos anteriores havia feito alguns cursos como o de datilografia na escola de Nadia Salomão onde estudei com o Frei Raimundo, recém chegado a Anápolis, pensando em me preparar melhor para o futuro. Passados alguns anos, meu pai decidiu mudar de ramo comercial abrindo uma loja de confecções e calçados no centro da cidade que possuía poucos estabelecimentos comerciais. Anápolis, naquele tempo, tinha pouca estrutura, eram poucas lojas no centro. A rua Barão do Rio Branco era a rua do Comércio, havia algumas lojas na rua Manoel D’Abadia e só. Naquela época o aniversário da cidade era comemorado em 15 de dezembro e não em 31 de julho como é hoje. Resumindo, são exatamente 70 anos de Anápolis.

A ACIA já era uma entidade atuante como hoje? Qual era o nível de sua participação?
Eu participava ativamente de todas as atividades e das campanhas que a ACIA realizava e com as quais conseguimos dotar o município de inúmeras coisas. Eu gostava de participar e ajudar de todas as formas e lembro-me muito bem das campanhas realizadas durante a administração do então presidente da ACIA Gibran El Hajj, já falecido, uma delas a que proporcionou a implantação da primeira unidade do Corpo de Bombeiros da cidade. Para tanto, tínhamos que angariar recursos junto ao comércio e foi o que fizemos. Conseguimos também dotar Anápolis de energia elétrica depois de uma árdua luta. O governador era Juca Ludovico que entendeu essa necessidade dos anapolinos. A energia que tínhamos vinha do ribeirão Piancó, era precária e não supria nossa carência. Com o advento da usina hidrelétrica de Cachoeira Dourada, conseguimos vencer a luta e dotar Anápolis de energia elétrica à altura de sua importância socioeconômica, já naquela época.

Outra causa que abraçamos foi a da construção do Colégio Estadual José Ludovico de Almeida para que os estudantes não mais pagassem mensalidades, colégio que foi e é uma referência até hoje. Depois disso, chegamos à conclusão que Anápolis, um polo de beneficiamento de arroz e um polo ceramista que exportava para as regiões sudeste e nordeste do País em larga escala, precisava se transformar em um polo industrial uma vez que íamos perdendo território com a emancipação dos nossos distritos como Nerópolis, Petrolina, Goianápolis, etc. Foi nesse período que Anápolis foi decisiva na eleição de Otávio Lage para governador, dando a ele a diferença de mais de 5.600 votos. Infelizmente ele, já falecido e que tem todo o meu respeito, não fez nada por Anápolis, alegando falta de recursos toda vez que dele cobrávamos os benefícios. Uma de suas atitudes que eu reprovei com veemência foi o isolamento de Anápolis com a pavimentação da rodovia ligando Nerópolis a São Francisco e Goianésia.

O município tinha grande potencial mas a atuação de algumas lideranças políticas contribuiu com o processo de industrialização?

Anápolis cresceu em industrialização e então partimos para melhorar a cidade, melhorar as ruas, melhorar as nossas lojas e demos um grande avanço com a profícua gestão do então prefeito Jonas Ferreira Alves Duarte, em cuja administração foi construído nosso estádio de futebol. Em sua gestão, por exemplo, só se cobrava IPTU de propriedades alugadas, dos imóveis próprios ele não cobrava o que era um incentivo ao crescimento da cidade. Gostaria de render uma homenagem especial ao governador que abraçou a causa da industrialização de Anápolis. Ainda como prefeito da cidade ele já dizia que só tínhamos uma opção: a industrialização através da implantação do Distrito Agroindustrial de Anápolis. E era isso o que nós queríamos, pois, caso contrário, a possibilidade da cidade fracassar era grande.

Ajudei-o na prefeitura sem qualquer remuneração e ajudei-o também como classista, através da ACIA, em defesa apenas dos interesses do município. Essa homenagem eu rendo ao ex-prefeito e ex-governador Irapuan Costa Júnior, uma pessoa que atendia nossas reivindicações e solicitações em favor de Anápolis. Rendo especial homenagem também aos empresários que acreditaram naquele grande empreendimento que Irapuan implantou e a quem dissemos que se não fizéssemos a nossa parte, oferecendo incentivos aos investidores, a industrialização não se consolidaria. Mas não tínhamos recursos para tal, nem recursos aprovados pela Assembleia Legislativa para implantação do distrito industrial. Naquele tempo, o deputado estadual de Anápolis mais atuante era Henrique Santillo que queria a implantação de um distrito industrial em Luziânia o que dificultava nosso pleito junto à AL. Foi quando resolvemos conversar com ele pessoalmente, ele entendeu e decidiu apresentar uma emenda dotando 70 milhões de cruzeiros para a obra do DAIA.

Como foi o episódio em que você pediu o apoio do então presidente Ernesto Geisel para a implantação do DAIA?
Tivemos a visita do então presidente da república, Ernesto Geisel, a Goiânia. Segundo o cerimonial, o presidente só poderia receber lideranças de instituições e entidades classistas em nível de federações, mas eu, como presidente da ACIA na época, resolvi que também gostaria de participar da reunião com Geisel. Aquino Porto, já falecido, achou por bem atender minha reivindicação para participar daquela comissão. Havia sido aprovado na Assembleia um projeto de construção do DAIA, por iniciativa do deputado Ursulino Tavares Leão, o primeiro a falar em industrialização de Anápolis na AL. Só que neste projeto, que para nós era inviável, o portal de entrada do DAIA ficava do lado oposto ao de hoje e, no trevo das BRs-060/153, previa-se a construção de um viaduto faraônico. Mas tudo bem. O importante é que tínhamos um projeto que abraçamos e levamos para a audiência com as lideranças empresariais, na presença também do então governador Irapuan Costa Júnior que dava assistência ao presidente. As lideranças usaram a palavra e, ao final, pedi licença para me dirigir ao presidente e disse: “Excelência, preciso de dois minutos de seu precioso tempo para expor a pretensão do governo do Estado de Goiás de implantar o Distrito Agroindustrial de Anápolis, o DAIA”. Nesse momento, os seguranças vieram para me afastar e o presidente disse: “Pode concluir...”. Prossegui, dizendo a ele que o DAIA representaria uma contenção do fluxo migratório para Brasília e que gostaria que ele compartilhasse conosco a ideia de implantar o nosso distrito industrial, grandioso para Anápolis, para Goiás e para Brasília. O presidente perguntou se tínhamos projeto o que eu confirmei na mesma hora. Então, ele me disse para procurar o ministro Reis Veloso em Brasília levando o projeto do DAIA.

O governador Irapuan Costa Júnior estava na porta quando saí da sala e eu disse a ele: “Governador, vendi o meu peixe!”. Dias depois chamei dois engenheiros, peguei o projeto e fomos para Brasília onde o ministro Reis Veloso, homem criterioso e verdadeiro estadista, nos recebeu, olhou o projeto e disse: “Está muito grande esse projeto para um início de industrialização. Precisam me trazer um projeto mais consistente. Façam uma redução nele e voltem aqui, pois este é um assunto do interesse direto do presidente Geisel”. E agora, perguntei aos engenheiros. Choveu de gente querendo fazer o novo projeto, mas queríamos um projeto que fosse viável e, principalmente, que fosse aprovado. Já como presidente da que hoje é a Goiasindustrial, procurei Oto Nascimento, o pai, já falecido, um grande engenheiro, responsável pela implantação de algumas indústrias no DAIA e perguntei se ele conhecia alguém para elaborar o projeto. Ele nos sugeriu consultar Henry Cole com quem mantivemos contato e dele solicitamos um projeto para o DAIA. Ao final, o projeto foi elaborado, otimizado o máximo possível, trazendo a frente do DAIA para a parte norte e deixando a construção do viaduto para depois. Levamos o projeto ao governador para aprovar ou não, porém, concordamos em não regatear nem pedir redução de valores e decidimos prosseguir até o fim para que tivéssemos um projeto aprovado à altura do estado de Goiás. O governador disse para buscarmos a mesma empresa para um enxugamento e adequação mais ampla do projeto e não deu outra: um mês depois, os mesmos engenheiros que nos atenderam antes, trouxeram o projeto definitivo, com as amplas vias e o desenho fantástico do DAIA, com definição de equipamentos e espaços, mas lembrando-nos da necessidade da localização da água e da preocupação com a preservação ambiental.

Como vocês resolveram o problema da água e dos recursos necessários à implantação do distrito?
Com a ajuda de um parceiro do Frigorífico Bordon que tinha um avião, sobrevoamos a área e localizamos dois lugares onde havia água suficiente para o distrito industrial: os ribeirões Caldas e Piracanjuba. Deixamos o avião e fomos a pé vistoriar os dois ribeirões optando, mais tarde, pelo Caldas que deu uma vazão de 1.200m/s. Enviamos o projeto pronto para Brasília onde foi aprovado. Partimos então para a busca dos recursos, o que conseguimos, em tempo recorde. Lá mesmo em Brasília ficamos conhecendo uma arquiteta e um engenheiro chefe com quem conversamos muito e de quem recebemos valiosa orientação. Em tempo recorde conseguimos reunir 33 milhões de cruzeiros a fundo perdido do governo federal. Até a Celg foi paga com parte desses recursos - 14,5 milhões de cruzeiros. Pedimos uma ajuda do então comandante da Base Aérea de Anápolis, cel Peixoto, para nos orientar sobre a pavimentação dos seis quilômetros da via principal do DAIA, com quatro pistas e um canteiro central. Ele nos atendeu gentilmente, cedeu um engenheiro da BAAN para acompanhar a obra e o asfalto ficou uma maravilha. Em seguida, conseguimos mais 12 milhões de cruzeiros, também a fundo perdido. Mas antes dessa libração, vieram técnicos de Brasília para verificar o que já havia sido feito. Percorremos o DAIA, almoçamos com eles na Churrascaria Caiçara e o trabalho foi aprovado de imediato. Ao final da construção, de todo o recurso alocado e mais os juros, conseguimos completar toda a obra e ainda sobrou uma verba no valor de 4,7 milhões de cruzeiros ou 3,7 milhões de cruzeiros, não me lembro bem, quando os procuramos para devolver o dinheiro. Isso causou um espanto porque ninguém devolvia recursos. Ficaram impressionados e nos parabenizaram, porém, aproveitei o momento para dizer que aquela verba daria para construirmos a administração do DAIA com o que concordaram plenamente.
 
Então os recursos para construção da sede do DAIA eram sobras do fundo perdido?
Sim. A sede da administração foi construída dessa forma e choro até hoje pela retirada da placa de inauguração que ali existia com os nomes das autoridades da época como o do governador Irapuan Costa Júnior e também o meu, já como secretário de Indústria e Comércio. Foi assim que nasceu o nosso querido Distrito Agroindustrial de Anápolis, inaugurado em 09 de novembro de 1976. Como o presidente Geisel estava acompanhando de perto todo esse processo fomos atendidos em nosso pedido para que o presidente participasse da inauguração do DAIA com asfalto pronto, sistema de água com captação, elevação e distribuição e esgoto também, enfim, com uma estrutura invejável num local privilegiado como Anápolis onde já estavam sendo implantadas as seguintes indústrias: CEMINA, PRECON e COFERRAZ. Nosso projeto era implantar nove distritos industriais no Estado. O presidente Geisel veio a Anápolis e inaugurou, além do DAIA, o Hospital Municipal Jamel Cecílio e o SESC no bairro Jundiaí no mesmo dia, quando nos cumprimentou pela correta e eficiente aplicação dos recursos.

“O presidente Geisel veio a Anápolis e inaugurou, além do DAIA, o Hospital Municipal Jamel Cecílio e o SESC no bairro Jundiaí no mesmo dia, quando nos cumprimentou pela correta e eficiente aplicação dos recursos”

Dizem que na inauguração você pediu ao presidente para ir de encontro ao povo. É verdade, Sultan?
Para a inauguração do DAIA, convidamos todos os colaboradores e diretores do Frigorífico Bordon, da indústria têxtil Vicunha, da Cervejaria de Brasília e de outras indústrias para prestigiar aquele importante momento para Anápolis. Eu era presidente da ACIA, secretário de Indústria e Comércio, responsável pelo DAIA e presidente da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), um dos partidos políticos da época, opositor do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Então, quase recebendo ordem de prisão, solicitei ao presidente que fosse de encontro ao povo e cumprimentasse de perto aqueles operários. Ele perguntou por que eu estava sugerindo aquilo e eu respondi: “É uma forma de Vossa Excelência agradecê-los pela presença e pelos aplausos e, por outro lado, o senhor e nós precisamos ganhar essa eleição para vereador em Anápolis onde nunca vencemos”.

Resultado: fizemos oito vereadores e a oposição fez sete, sendo aquela a primeira vez que Henrique Santillo perdeu a eleição em Anápolis. Na inauguração do SESC disse a ele que não tínhamos palavras para agradecê-lo e aproveitei para reivindicar a pavimentação da BR-414 que, na época, era uma verdadeira tragédia. Tempos depois, ele nos atendeu. Essa é uma parte da história de Anápolis que fazemos questão de não esquecer, elevando o pensamento a Deus e agradecendo a ele por tudo o que ele nos tem proporcionado. Continuamos com a esperança de que muito em breve estaremos passando pelo viaduto e pelo anel viário do DAIA que irão desafogar o trânsito em toda essa nossa progressista e rica região. O DAIA é minha segunda família e foi com carinho que criei para ele o slogan: Distrito Agroindustrial de Anápolis – Trevo do Brasil, porque a partir daqui alcançamos todos os grandes centros do País. Quero fazer um registro final. No primeiro mandato do governador Marconi Perillo o DAIA estava praticamente desativado. Esse jovem percorreu o distrito de norte a sul onde viu tanta coisa, mas viu muita coisa desativada, disse que não se poderia perder uma estrutura daquela e garantiu que o DAIA seria uma das prioridades em sua administração. Marconi provou sua boa intenção, revitalizou o DAIA, trabalhou e trabalha por Anápolis, uma cidade que tem o privilégio de contar com pessoas do porte de Edson Tavares, por exemplo, que administra essa maravilha que é o Porto Seco Centro Oeste, sem falarmos de tantas outras pessoas desta maravilhosa cidade que com muito trabalho e dedicação contribuem com a definitiva afirmação do DAIA como o maior complexo industrial do Brasil Central. Parabéns, DAIA! Parabéns, Anápolis! Parabéns, Goiás!

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