Saúde: Quanto vale uma vida?
Matéria publicada em 11/07/2013, às 13:05:06

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Após 30 anos de pleno exercício do trabalho na área da saúde, depois de haver convivido com o sistema do Fundo Rural, com o nosso antigo INAMPS - Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social - e hoje com o SUS - Sistema Único de Saúde, sinto-me extasiada diante do que tenho presenciado. Grupos humanos, a sociedade, meios de comunicação, jovens e velhos de todas as idades demonstrando coragem de pisar e caminhar em solo brasileiro para externar sua insatisfação diante de vários aspectos da vida humana. Parabenizamos todos aqueles que, utilizando deste espaço, exercitam a cidadania num ambiente de paz e tranquilidade, sem hostilidade, sem violência.

Não há mais espaço para violência nos dias atuais. Hoje, o espaço é para o dialogo, para a reivindicação, para a vivência de uma democracia que contemple os direitos humanos e que, acima de tudo, contemple a vida de cada cidadão, de cada ser.
“Fomos criados à imagem e semelhança de Deus para amá-lo e servi-lo”, logo, impossível será cumprir esse desígnio se não tivermos saúde, o maior bem do homem. Sem saúde não há como trabalhar, não há como estudar, não há como produzir; não há como crescer, não há como desenvolver-se em uma comunidade; não há como aprofundarmos na ciência para estudar e descobrir meios que possam salvar a vida das pessoas doentes, das pessoas carentes, acamadas, sedentas de amor e solitárias no leito de dor.
O nosso grande apelo hoje é que possamos ter e conviver com um Sistema Único de Saúde que contemple, para todo cidadão brasileiro, procedimentos do mais simples ao mais complexo nas instituições hospitalares, com valores dignos e suficientes para cobertura das necessidades de quem os utilizam.

Ficamos surpresos - e indignados - quando descobrimos que uma diária hospitalar paga por um tratamento de pneumonia, por exemplo, incluindo medicamentos, funcionários, água, luz, alimentação e outros seja de apenas R$ 145,60; mais surpresos ainda ficamos quando percebemos que precisamos reunir mão de obra qualificada num laboratório, utilizando água, energia e kits de reagentes para a realização de um simples hemograma e receber por isso apenas R$ 4,11. O mesmo acontece quando da realização de um exame de urina, que desde a limpeza do espaço físico até a valorização do conhecimento de quem o realiza, vale apenas R$ 3,70. Ainda mais surpreendente é ver um médico cirurgião ou obstetra realizar uma cirurgia de vesícula (Colecistectomia) ou um parto Cesário e receber apenas R$ 695,77 e R$ 695,73, respectivamente.

E assim, poderíamos preencher dezenas de páginas da Planeta Água relacionando os valores pagos pelo SUS pelos procedimentos vários, tecendo um rosário de “desvalores” econômico-financeiros e constatando que, ao final, resta para as instituições e profissionais da saúde o mais importante de tudo isso que é a valorização que Deus nos dá pela nossa condição humana de servir. Quando vemos um médico que consulta pelo SUS receber a escandalosa quantia de R$ 10,00 nos perguntamos: “Será que em todos os níveis da sociedade todas as despesas, todo o consumismo são valorizados nesta mesma proporção?”

Acredito que precisamos, urgentemente, rever os valores humanos, os valores da vida e lutar no sentido de que haja uma maior compreensão e maior compartilhamento das despesas com quem tem maior condição financeira e que pode pagar por elas. Nesta minha reflexão quero lançar um olhar profundo para as necessidades das crianças abandonadas, sofridas e, às vezes famintas; para as necessidades dos idosos que hoje são mais de 10% da população; para o sofrimento dos portadores de doenças incuráveis como o câncer e várias outras patologias que implacavelmente acometem o ser humano.
Tudo isso me faz dobrar os joelhos e pedir a Nossa Senhora, nossa mãe, a Jesus Cristo, nosso irmão, que nos concedam força, esperança e coragem para continuarmos unidos pelos mesmos ideais do servir, dedicando-nos - sem medo - àqueles que mais necessitam de saúde e vida.

E que o Espírito Santo ilumine a todos os homens e mulheres de boa vontade para sabermos discernir o  que devemos fazer, como devemos realizar, como continuar cuidando com amor de  todos os carentes, dos doentes nos hospitais, nas clínicas, em casa, no sertão brasileiro e nas paragens mais longínquas deste imenso país.
Uma das formas mais eficazes e capazes de ajudar na recuperação das mães gestantes e crianças é a implantação e efetivação da Pastoral da Criança, tão bem pensada por Zilda Arns e hoje executada por dignas agentes de saúde que se dão, através de seu trabalho no dia a dia, à causa pela vida de todas as crianças doentes e necessitadas e de suas mães.

Rezemos, pois, por todos os profissionais da saúde para que não se cansem de exercer, com humanidade, suas profissões, de abraçar com o eterno amor os objetivos primeiros que nortearam nossas profissões e para que, humanamente, sejamos capazes de pedir pela paz, de trabalhar pela fraternidade entre os povos, de cuidar dos mais necessitados e de clamar aos céus pedindo a Deus um Sistema Único de Saúde mais digno, mais eficiente, com mais recursos, com coração aberto no seio da sociedade, especialmente nas comunidades mais carentes. Pedir a Deus para que a população brasileira não abandone as Santas Casas de Misericórdia que surgiram no Brasil em 1543, em Santos (SP) e que hoje, espalhadas por todo o território nacional, continuam lutando para manter o carisma e a missão de servir, especialmente aos mais doentes e escoriados da sociedade. Valorizemos, pois, essas Santas Casas, os hospitais filantrópicos, os profissionais da saúde e todas as instituições de saúde que valorizam a vida.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

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