Infraestrutura: Prefeitura de Anápolis anuncia obra de canalização do Córrego das Antas
Matéria publicada em 11/07/2013, às 11:47:31

Ver mais de Edição Junho de 2013 N° 111 - Brasileiros vão às ruas e obrigam governo a acelerar mudanças

Ver outras Edições


A Prefeitura de Anápolis, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável, anunciou o início da canalização do Córrego das Antas. Orçada em mais de R$ 25 milhões, revela a nota, a obra irá resolver dois grandes e antigos problemas da cidade: a degradação ambiental e a mobilidade do ernome fluxo de trânsito da região central.

Marginal
O serviço irá canalizar o córrego nas regiões do Centro, Vila Góis e Nações Unidas, compreendendo ainda a construção de uma via marginal de mais de dois quilômetros, entre a rua Engenheiro Portela e a avenida Presidente José Sarney. Pelo projeto, a nova avenida irá passar, inclusive, pelo novo Parque da Liberdade, construído pela Prefeitura no final das duas pistas da Getulino Artiaga, diz a assessoria de imprensa da Prefeitura. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável, Clodoveu Reis, mais de 30 mil pessoas serão beneficiadas com a obra, que irá desafogar o trânsito na região.
O secretário explica que a iniciativa, além de contribuir com a qualidade de vida, vai garantir mais segurança aos moradores e também a todos que transitam pela região. “Essa é mais uma importante obra realizada para a população de Anápolis. É a Prefeitura devolvendo o dinheiro dos impostos em benefícios”, afirma.

Infraestrutura
A canalização do Córrego das Antas faz parte de um trabalho realizado pela atual administração que busca solucionar problemas na infraestrutura da cidade de forma permanente. Outras ações nessa área já foram realizadas em diversas regiões da cidade com destaque para a canalização feita entre as avenidas Universitária e Afonso Pena e também no Córrego das Antas, na região do Andracel Center.

Ciclo hidrológo é prejudicado quando ocorre impermeablização
Nos últimos dois séculos, muitos dos cursos d’água que cortam grandes centros urbanos tiveram seus leitos transformados em grandes canais revestidos por materiais resistentes, como pedra e concreto. A canalização foi feita em nome da adequação dos cursos d’água ao crescimento dos municípios. Ao canalizá-los, era possível aumentar as vias de transporte e os loteamentos, além de se eliminar, supostamente, o problema das enchentes, do esgoto e do excesso de lixo. Segundo revelou o Dr. Odilon Alves, presidente da Comissão de Direito Ambiental da OAB - Subseção de Anápolis, a canalização de cursos d’água ignora suas características naturais e, principalmente, o fato de eles serem fundamentais à regulação climática, à biodiversidade, à vida. A canalização é, na verdade, uma máscara para os problemas urbanos. É o esgoto que deve ser canalizado, e não os córregos e rios, afirmou.

Tecnicamente está comprovado que sem obstáculos naturais, as águas dos cursos d’água correm mais rápido, em retos canais. Evitam-se inundações em um trecho, mas elas passam a ser mais destruidoras em trechos mais à frente, uma vez que a água chega com uma velocidade bem maior. Além disso, a aceleração das águas contribui para a eliminação das comunidades aquáticas. Morrem peixes, pássaros e vegetação dos cursos d’água e de suas margens.

O ciclo hidrológico é também prejudicado pela canalização. Com o leito de rios e córregos revestido por materiais impermeáveis, a água não infiltra no solo e, consequentemente, não chega aos lençóis freáticos. A infiltração é importante para regularizar a quantidade de água dos rios e córregos e proporcionar seu escoamento subterrâneo até os mares e oceanos. Sem infiltrar, mais água é retida na superfície, provocando inundações nas áreas mais baixas.

Cobertos por grandes avenidas, muitos cursos d’água são lembrados somente ao transbordarem, quando o volume de água e lixo ultrapassa a capacidade de suas galerias. Limpar e manter esses canais são procedimentos difíceis e perigosos, principalmente nos fechados, pois o acesso é complicado.
“A mais grave consequência da canalização é o fato de ela comprometer a relação entre homem e natureza. As áreas verdes das margens são substituídas por concreto e asfalto; nadar, pescar e navegar passam a ser atividades quase impraticáveis”, concluiu o advogado.Em Minas Gerais, foi aprovada a Deliberação Normativa COPAM nº 95/2006, que restringe as possibilidades de canalização de cursos d’água.

Ver mais de Edição Junho de 2013 N° 111 - Brasileiros vão às ruas e obrigam governo a acelerar mudanças

Ver outras Edições

Copyright © 2015 - Todos os direitos reservados.

A Revista Planeta Água é uma publicação mensal da Versátil Consultoria em Direito e Comunicação Social

Rua Benjamin Constant, 2018 - Centro / Anápolis-GO

Telefones: (62) 3311-3489 / 3706-8000