Anápolis receberá mais quatro parques ambientais até 2016: Francisco Carlos Costa
Matéria publicada em 10/07/2013, às 14:33:03

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Francisco Carlos Costa, graduado em Direito, Pedagogia da Educação Profissional e pós-graduado em Gestão Educacional é especialista em Gestão da Qualidade. Trabalhou na área de recursos humanos na Cervejaria de Brasília S/A (Cebrasa),  na Lojas Onogás e, ainda, na área de Recrutamento, Seleção e Treinamento da Consórcio Planalto de Veículos (Coplaven).
Foi presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos/Goiás (1983/84), presidente da Escola de Pais do Brasil – Anápolis (2005/06) e vice-presidente nacional da Escola de Pais do Brasil (2008 a 2012), em São Paulo (SP). Ingressou no Rotary Club Anápolis em 2007, classificação Ensino Técnico Profissional. Foi Presidente da Avenida de Serviços Profissionais por dois anos, Diretor de Protocolo, Vice-Presidente e seu atual Presidente (2012/2013). Está há quase vinte anos no SENAI, os últimos sete como Diretor.
Em dezembro de 2012 foi convidado pelo prefeito de Anápolis (GO), Antônio Gomide, para assumir a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Em janeiro de 2013 tomou posse e, desde então, responde por uma das mais importantes e estratégicas pastas da administração municipal.


Você já tem todo o controle da situação seis meses depois de assumir o comando da Secretaria?
Sim. Fui convidado em dezembro passado depois de construir uma parceria de quatro anos entre o Senai - onde respondia pela direção - e a Prefeitura, num trabalho de formação profissional levando cursos a oito bairros da cidade. Em 2011, começando pelo Conjunto Habitacional Filostro Machado, implantamos o primeiro Centro de Formação Profissional (Cenfor). Isso evoluiu, em março de 2013 inauguramos o Cenfor do Setor Industrial Munir Calixto e agora entregamos o do Residencial das Flores. Então, foi uma parceria de sucesso e acredito que em função disso o prefeito Antônio Gomide nos convidou para esta missão. Como a Secretaria, no ano passado, sofreu um grande desgaste com a operação La Plata em decorrência de irregularidades constatadas pelo Ministério Público resultando na saída do secretário e de outras pessoas, imagino que o prefeito quis trazer para a SEMMA uma pessoa neutra, sem nenhuma vinculação política nem com o meio dos empreendedores do setor imobiliário relacionados ao meio ambiente. Licenciei-me do Senai, fui colocado à disposição da Prefeitura e iniciamos efetivamente o nosso trabalho em 15 de janeiro de 2013. Já tomei pé da situação, hoje dominamos toda a problemática de tramitação dos processos, percorri a cidade de ponta a ponta e já conseguimos organizar nossa equipe de trabalho. Sempre trabalhei em equipe e acredito que equipamentos e máquinas são muito fáceis de adquirir, agora, gente, uma boa equipe, não. Você tem que formá-la e quero destacar que a Semma é extremamente bem servida por uma equipe de biólogos, engenheiros ambientais, técnicos nas áreas de saneamento e resíduos sólidos e pessoal administrativo. Além disso, das quatro diretorias existentes na SEMMA, tive a felicidade de escolher, juntamente com o Prefeito Antonio Gomide, todos os seus diretores, colocando nelas pessoas de nossa inteira confiança.

Quais são os avanços e quais são os maiores desafios a serem enfrentados, Francisco?
O meio ambiente foi uma área em que a cidade evoluiu muito, sobretudo com a melhoria da qualidade de vida dos anapolinos que ganharam também com a melhoria da limpeza urbana realizada por uma empresa muito bem monitorada pelo prefeito; houve um grande avanço na melhoria dos espaços públicos com a revitalização e construção de praças e parques ambientais e uma grande evolução no aspecto da conscientização ambiental. Mas temos muito por fazer. Como profissional da educação e devido ao meu trabalho como diretor de uma faculdade tecnológica, acho que qualquer ação, qualquer realização, sempre pode ser melhorada, então, no que se refere ao meio ambiente acredito que Anápolis ainda tem muito a ser alcançado. O maior desafio está na educação ambiental que precisa ser elevada a partir do ensino fundamental, passando pela educação dos jovens, do ensino acadêmico, até chegar aos seios das famílias a ponto dos anapolinos, quando perceberem alguém depositando lixo e entulho em áreas inadequadas como as margens de nascentes, cursos d’água e rodovias, por exemplo, se posicionarem contra isso, entendendo que estão mexendo com eles, que estão diminuindo sua qualidade de vida, ou seja, a ponto do meio ambiente estar na pauta do diálogo diário da família.

Que esse seja um assunto corriqueiro na pauta de discussão dos membros da família. Acho que você, prezado diretor da Planeta Água, como ambientalista, jornalista e advogado e formador de opinião com o seu veículo de comunicação e também todos os segmentos da comunicação devem contribuir e trabalhar por um meio ambiente preservado pois este é o grande desafio do próprio planeta. Não temos um plano “b” para o planeta Terra e temos que fazer alguma coisa agora, Anápolis tem que executar essa ação de conscientização pela educação agora, deixando um legado positivo e à altura das necessidades das futuras gerações. Ao plantar uma árvore, não podemos pensar no agora como alguns cidadãos, mas naquilo que será proporcionado por ela a todos nós no futuro. Esse é o grande desafio da Secretaria neste momento e, por isso, neste segundo mandato do prefeito Antônio Gomide a Semma foi contemplada com uma Diretoria de Educação Ambiental ocupada pelo professor Neivaldo de Souza Dias que já está trabalhando para que possamos ter nossos parques sendo cuidados e protegidos também pela própria população. Parques como o Ipiranga, no bairro Jundiaí, uma referência na educação ambiental em Anápolis e o Parque da Liberdade, no centro da cidade, construído em cima de uma grota que era um lixão a céu aberto e que sabemos foi uma bandeira da revista Planeta Água cuja luta tive a oportunidade de acompanhar por vários anos através das frequentes matérias publicadas em favor da recuperação daquelas nascentes do Córrego Catingueiro, hoje preservadas e cuidadas enfeitando este outro grande cartão postal da cidade.

“O Parque da Liberdade, que sabemos foi uma bandeira da revista Planeta Água numa luta que tive a oportunidade de acompanhar, tornou-se um dos grandes cartões postais de Anápolis”

E que ainda não está concluído, até porque a ideia é a de que o Parque da Liberdade seja um parque linear avançando até se encontrar com as nascentes mais abaixo e que vêm do antigo Clube Panorama, depois da avenida Goiás, não é secretário?
Sim é o que está no projeto. E ali, estamos trabalhando para motivar famílias a empreender e se tornarem parceiras do parque. Imagina uma família humilde que reside ali próximo trabalhando com artesanato durante a semana que poderá ser comercializado nos finais de semana no parque, aumentando sua renda. Com relação ao Parque Ipiranga o perfil é outro, pois ali a motivação é para os grandes empreendimentos gastronômicos e imobiliários. Assim estamos trabalhando em diversas áreas da cidade com seus diversos perfis. Somando com os parques da Criança, da Juventude e JK, temos hoje cinco grandes parques ambientais, ou seja, já temos ricos espaços de educação ambiental onde toda a população pode ter uma interatividade com a biodiversidade da cidade. Em 2013, estamos com a obra no valor de mais de R$ 10 milhões do governo federal, do Parque da Cidade em plena execução e com previsão de entrega ainda neste ano do maior parque urbano linear de Goiás, quiçá da região Centro-Oeste, construído a partir da cabeceira do mais importante curso d’água de Anápolis por seu significado histórico. Lá teremos dois grandes lagos, ciclovia, pistas de caminhada, áreas de apoio, lanchonete, estacionamento e outros equipamentos.

Para 2014 já estamos com o projeto do Parque da Reboleira pronto, para 2015 estamos projetando o Parque Brasília, próximo ao CEL da OAB, no bairro de Lourdes e, em 2016, iremos implantar o Parque Pireneus. Além disso, em 2013, estamos executando a revitalização e construção de mais 10 praças. Este é o plano de trabalho da SEMMA, tanto na educação, quanto na execução de obras, para que o povo tenha alternativas de lazer e qualidade de vida, além do que estamos trabalhando na melhoria da tramitação dos processos que dependem das ações da Secretaria. Trouxemos Marco Aurélio da Silva Bueno, um jovem engenheiro ambiental, para nos ajudar a promover o saneamento nessa área de processos desencalhando mais de 400 processos de licença ambiental. Hoje, podemos afirmar, com segurança, que só existem processos parados por problemas dos próprios empreendedores que, se tiverem com a documentação em dia, obterão a licença no máximo em sete dias e com um fluxograma no máximo de 60 dias de liberação da licença em casos de pendências mais complicadas. Temos uma equipe de fiscalização ambiental todos os dias nas ruas e teremos um grande avanço na Diretoria de Fiscalização e Postura, que trabalha num limiar muito tênue, com a chegada do companheiro Manoel Sérgio de Oliveira. Um dos sucessos alcançados pela Postura, em parceria com o Gabinete de Gestão Integrada Municipal, coordenado pelo competente Sidney Pontes, a Polícia Militar e o Ministério Público, tem sido a Patrulha do Silêncio, com a coibição dos abusos cometidos pelos que usam sons automotivos e outros para perturbar a população. A cidade não é estática, ela é viva e o papel do poder público é garantir uma sintonia entre todos os entes que protagonizam o dia a dia do município. Outra novidade será a Patrulha Ambiental que chega para combater a poluição ambiental decorrente do descarte irregular de lixo em lotes baldios. O procedimento administrativo está pronto e finalizado, notificaremos os proprietários dos lotes baldios para realizar a limpeza e, caso eles não o façam, o poder público terá a liberdade de realizar o serviço e cobrar posteriormente dos responsáveis.

O Conselho Municipal de Meio Ambiente foi reativado recentemente e alguns segmentos da sociedade civil organizada, que antes estavam contempladas, ficaram de fora da nova composição. Isso não enfraquece o Conselho se tornando um prejuízo para a própria administração?
Primeiro temos que dizer da importância do Conselho. Em todos os segmentos da sociedade a cidade de Anápolis tem a atuação de conselhos para que a comunidade possa assessorar o poder público na elaboração de políticas públicas, o que vem funcionando muito bem. Creio que a representatividade da sociedade civil no Conselho é boa e que pode melhorar, é claro. O Conselho não está engessado, apenas ficou algum tempo inativo. Quando aqui chegamos encontramos uma lei que o reformulou em agosto de 2012 e seguimos o que estava determinado nessa lei. Ainda não podemos afirmar qual será o resultado dos trabalhos do Conselho, será uma questão de tempo, mas tudo faremos para que sua atuação se dê em perfeita sintonia com os anseios e necessidades da comunidade.

“O reconhecimento e o carinho da população é a nossa gratificação e é isso que deixaremos para o futuro:
um meio ambiente preservado para garantir uma qualidade de vida sempre maior para todos”


A antiga e danosa prática de alguns cidadãos de ligar o esgoto de suas residências e empresas na rede de captação de água pluvial e os problemas da velha rede de coleta de esgoto do centro da cidade, são também dois grandes desafios. Como resolver isso, secretário?

Estamos trabalhando em parceria com a Secretaria de Obras, coordenada pelo companheiro Clodoveu Reis, em parceria com a Saneago, para a execução de um ousado projeto englobando a substituição de toda a rede de coleta de esgoto do centro da cidade que irá mexer com as artérias centrais da cidade como resultado também da parceria com o governo federal com a destinação de recursos significativos para tal.

Os prazos da Política Nacional de Resíduos Sólidos estão sendo cumpridos por Anápolis?
Esta tarefa está a cargo de nossa Diretoria de Limpeza Urbana e Conservação de Parques e Jardins que tem à frente nossa competente diretora, Sibele Maki de Souza, que vem atuando de forma eficiente para o cumprimento de todos os prazos. Pelo Decreto n 12.305 até 2014 todas as cidades brasileiras deverão estar com os lixões erradicados. Anápolis já conquistou esse avanço antecipadamente e hoje fazemos parte dos 27 por cento dos municípios brasileiros e dos 3 por cento dos municípios goianos que já possuem aterro sanitário. Já temos também a coleta seletiva atendendo dezenas de bairros em parceria com nossa Cooperativa dos Catadores, uma área que ainda avançaremos muito e, além disso, a lei estabelece que todo município tem que ter o seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, contemplando essas áreas que citamos, com o incremento de todas elas e, ainda, com ações bem planejadas e executadas pelo poder público e por toda a sociedade geradora, para a destinação, por exemplo, dos resíduos da construção civil, com envolvimento das empresas de coleta e destinação dos mesmos, incluindo ainda cada cidadão que participa desse processo como catadores de material reciclável, empresas de caçambas coletoras, carroceiros, os da logística reversa e tantos outros envolvidos com essa questão dos resíduos sólidos. Estamos com essa missão, trabalhando concomitantemente na limpeza da cidade, na melhoria das ruas, parques e jardins, de maneira que possamos fazer de Anápolis um verdadeiro cartão postal.

Você chegou à Secretaria num momento muito emblemático, com as coisas acontecendo e para melhor. De que forma você analisa isso?
Olha, gosto de dizer que, embora tenha vindo para Anápolis com apenas sete anos de idade, estou aqui há 51 anos, 44 dos quais de trabalho na cidade, sempre com recursos humanos. Acho que essa oportunidade de atuar no meio ambiente ampliou sobremaneira meus horizontes porque hoje tenho toda a população anapolina como cliente e isso é muito gratificante. Tenho recebido o carinho de Anápolis por onde passo, reconhecendo o trabalho desta administração e é isso que ganhamos como gratificação e é isso que, certamente, deixaremos para o futuro: um meio ambiente preservado para garantir uma qualidade de vida sempre maior para todos.

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