Nossa maior meta é integrar italianos e descendentes e resgatar e promover a cultura de nossa querida Itália em Goiás: Pier Angelo Tognini
Matéria publicada em 11/06/2013, às 13:36:09

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Os primeiros imigrantes italianos começaram a chegar ao Brasil na década de 1870. Porém, foi entre as décadas de 1880 e 1910 que houve o maior fluxo de italianos para o território brasileiro, principalmente, para as regiões sul e sudeste do país onde ainda concentra-se até hoje.
Grande parte dos italianos que migrou para o Brasil era de origem humilde, principalmente de regiões rurais da Itália. O Brasil era visto como uma terra nova, repleta de oportunidades. Vale lembrar que a Itália passava por uma crise de emprego na segunda metade do século XIX, gerada, principalmente, pela industrialização do país. Se por um lado a Itália tinha muitas pessoas querendo buscar trabalho em outros países, o Brasil necessitava de mão-de-obra. Após a Abolição da Escravatura (1888), os agricultores optaram pela mão-de-obra de origem europeia, ao invés de integrarem os ex-escravos ao mercado de trabalho. O próprio governo brasileiro fez campanha na Itália para atrair esses italianos para o trabalho na lavoura brasileira.

Grande parte das colônias italianas se concentrou nas regiões sul e sudeste do Brasil. O estado de São Paulo foi o que mais recebeu imigrantes italianos que foram trabalhar nas lavouras de café e também nas indústrias da capital do estado. Já no sul do país, estes imigrantes se concentraram, principalmente, na região da Serra Gaúcha. Muitas colônias italianas foram criadas em cidades como Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Garibaldi. A cultura de uva para a produção de vinho foi a principal atividade econômica realizada por estes imigrantes.
Alguns italianos chegaram ao Brasil dispostos a criar pequenas empresas e prosperar na nova terra. Vendiam o que tinham na Itália e investiam no Brasil em áreas como a agricultura, comércio, prestação de serviços e indústria. Muitos desses italianos empreendedores prosperaram em seus negócios, gerando riquezas e empregos no Brasil. Um dos exemplos mais conhecidos foi Francesco Matarazzo e seus irmãos, que emigraram para o Brasil em 1881 e construíram em São Paulo um verdadeiro império industrial.

Os italianos que vieram viver no Brasil trouxeram na bagagem muitas características culturais que foram incorporadas à cultura brasileira, estando presentes até os dias de hoje. Muitas palavras italianas foram, com o tempo, fazendo parte do vocabulário português do Brasil. No campo da culinária esta influência foi marcante, principalmente, nas massas (macarronada, nhoque, canelone, ravióli, etc.), molhos e pizzas. Os italianos também ajudaram a fortalecer o catolicismo no país.

De acordo com dados estimados da Embaixada da Itália no Brasil, vivem no país cerca de 25 milhões de descendentes de italianos, sendo que grande parte concentrada nas regiões sul e sudeste. Em 1912, estes italianos saíram em busca de novas terras, seguindo então rumo à região onde hoje se situa a cidade de Nova Veneza (GO), no Mato Grosso Goiano. Ao chegarem, se depararam com uma natureza prodigiosa caracterizada por planícies, morros, vales e uma vegetação de beleza sem igual. A cidade de Nova Veneza foi fundada em 1924 tendo sua origem na antiga colônia dos Italianos. O local escolhido para sua construção pertenceu a antiga fazenda “Barra da Cachoeira” que tivera parte de suas terras desmembradas para essa finalidade. Comemora-se em 21 de fevereiro o Dia Nacional do Imigrante Italiano.
As centenas de associações italianas existentes no Brasil exercem um papel importante na preservação e divulgação da cultura italiana. Uma delas é a AIGO - Associazione Italiana di Goiás que promoveu jantar de apresentação dos novos dirigentes no dia 19 de maio no Restaurante Abruzzo, em Goiânia. A nova diretoria, liderada pelo presidente Pier Angelo Tognini, foi eleita para um período de três anos.

No jantar, a nova diretoria, além de apresentar seus projetos para o próximo triênio, fez uma homenagem aos primeiros dirigentes da AIGO, fundada em 1988, alguns deles nas pessoas de seus descendentes. Segundo revelou Pier Angelo Tognini, os objetivos da nova diretoria são diversos, porém, o maior deles é integrar todos os italianos residentes em Goiás no trabalho de resgatar e promover a cultura italiana, preservando tradições para as atuais e futuras gerações. Pier Angelo Tognini nos concedeu o prazer desta entrevista.

Pier Angelo, você acaba de ser escolhido para presidir a AIGO - Associazione Italiana di Goiás. Como você recebeu essa confirmação e de que forma pretende corresponder a tamanha responsabilidade?

Sinto-me muito honrado por ter sido indicado para assumir a presidência da AIGO e recebi a indicação com “arrepios”, pois temos muito trabalho pela frente, mas estou animado para liderar essa nova fase da Associazione que conta com pessoas da nova geração de italianos e descendentes, filhos e netos e, ainda, com diversos projetos interessantes que contribuirão para o resgate da cultura italiana no Estado de Goiás.

O que é e quais são os principais objetivos da AIGO?
A Associazione Italiana di Goiás é uma entidade sem fins lucrativos, de caráter cultural, social, esportivo e beneficente, fundada em 21 de agosto de 1988 por um grupo de italianos liderados por Arnaldo Raggi, ex-vice cônsul da Itália em Goiânia. Desde sua fundação a AIGO promove diversos eventos para a divulgação da cultura e gastronomia italianas. Atualmente a Associazione está empenhada na construção de uma sede própria, na criação de um Patronato com a finalidade de prestar serviços de assessoria jurídica e administrativa aos italianos e descendentes e no resgate e promoção da cultura italiana em Goiás através da realização de festivais de cinema, ópera, gastronomia, etc. A AIGO é formada por voluntários, italianos, descendentes e amantes da cultura italiana, que têm em comum a paixão pela Itália e o interesse em manter vivas as tradições herdadas dos imigrantes italianos.

Fale-nos um pouco de suas origens e de seu casamento com Maria da Graça e com o Brasil.
Nasci na Itália onde cresci e me eduquei. Quando comecei a trabalhar fui enviado para a Turquia onde residi por quatro anos. De lá, fui transferido para o Brasil, em 1974, para a construção da usina hidroelétrica de São Simão, em Goiás. Foi lá que conheci Maria da Graça, amor à primeira vista que completa 39 anos. Em função de minha profissão moramos em Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais e decidimos voltar para Itália em 1988. Ficamos um tempo na Itália e nos mudamos para a África onde residimos por seis anos.  A volta ao Brasil (minha segunda pátria) se deu em outubro de 1996, quando nos estabelecemos em caráter definitivo em Goiânia.

O que representa a Finestra, a empresa que vocês constituíram, no contexto da indústria goiana?
Com certeza a Finestra mudou conceitos com sua constante e incessante busca de inovação e qualidade, tanto nos produtos como nos serviços.

Quais deverão ser as maiores metas da Associação?
As maiores metas da AIGO são: integrar todos os Italianos, descendentes de Italianos e também amigos; divulgar a cultura Italiana como a música, o canto, a dança, a culinária e, em particular, manter vivas as tradições das varias regiões Italianas, até porque muitos descendentes de Italianos desconhecem a Itália. A Associação tem em seu seio o coral Toscanelli e todo o esforço possível será feito para que possa alcançar nível de excelência.

Que tipo de atividades seriam as mais adequadas às necessidades da grande colônia italiana que ajuda a construir o progresso de Goiás?

Todas as atividades que a Associação se propõe são importantes, como assistência jurídica para obter a cidadania Italiana para quem tem direito e cooperação e intercâmbio de experiências com as demais associações de outros estados brasileiros. Auxiliar, assistir e assessoras os empresários que desejam manter relações comerciais com a Itália é outra de nossas metas.

As ações da Associação expandirão para o interior do estado?
È nosso objetivo alcançar todos os Italianos e descendentes que atualmente residem em Goiás, bem como queremos ter participação ativa em eventos já conhecidos como o Festival de Nova Veneza, entre outros.

Em algumas outras instituições do gênero investe-se muito em atividades lúdicas com idosos, buscando o resgate do mundo vivido, das tradições de outrora o que transforma o cotidiano dos participantes e dos demais membros. Em Goiás existe algum projeto nesse sentido?
Sim, temos objetivos ambiciosos nesse sentido a começar pela construção da sede da Associação onde será possível exercer essas práticas envolvendo todos, crianças, jovens e idosos.

A Associação buscará aproximação com as classes política, empresarial e comunitária?
É inevitável que se busque essa aproximação, até porque a Associação é laica e apolítica. Uma relação estreita com todas as classes é vital.
 
Haverá algum projeto voltado para as questões ambientais?
Absolutamente sim; não porque o tema esteja na moda, mas sim porque temos plena consciência de que a questão ambiental é de suma importância para a sobrevivência humana e para a vida no planeta.

Qual é a sua mensagem para a colônia italiana radicada em Goiás?

Vocês são a Associação, ela não existe sem a participação de todos. (Contato: italianiingoias@gmail.com ou pelo facebook Italiani in Goiás). Deixem suas sugestões, curtam, compartilhem. Será um prazer e uma honra tê-los conosco nessa jornada que não é de um só, mas sim de todos nós italianos.

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