Wildo Gomes dos Anjos: Recuperar mendigos é como recolher conchinhas no mar: não se pode resgatar todas, mas cada uma tem um valor muito especial
Matéria publicada em 17/04/2013, às 14:40:58

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O Rev. Wildo Gomes dos Anjos, fundador e presidente da Missão Vida, instituição filantrópica que há 29 anos recupera mendigos, estudou Teologia no Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil e, durante vários anos, desenvolveu um ministério com jovens. Há anos, viaja pelo país e exterior pregando e divulgando o trabalho da Missão Vida. Residiu nos Estados Unidos durante 18 meses, onde fez cursos nas áreas de Comunicação, Marketing e Gerenciamento. Participou como preletor dos congressos Brasileiro de Evangelização, Geração 2000, Vinde (Visão Nacional de Evangelização) e UESA (União Evangélica Sul-Americana) em Londres. Já ministrou em igrejas de todas as capitais brasileiras e em congregações de 38 países, entre eles Estados Unidos da América, Canadá, Inglaterra, Coreia e vários países da América Latina. Missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil em Anápolis (GO), é autor de dez livros, entre eles, A Missão que Surgiu na Madrugada e Milagres. Em 2007, recebeu a Comenda Gomes de Souza Ramos, concedida pelo governo municipal de Anápolis a 100 personalidades que prestaram importantes serviços à sociedade. Rev. Wildo dos Anjos, nascido em 10 de janeiro de 1963, casado com Rosane Borges Gomes em 1988 e pai de Luiza, Henrique, Deborah e Gabriela é o nosso entrevistado.


Reverendo Wildo, como foi o início do trabalho da Missão Vida?
Grandes realizações são possíveis quando se dá importância aos pequenos começos”. Essa é uma afirmação do filósofo chinês Lao-Tsé que se aplica perfeitamente à história da Missão Vida. Quando, há mais de 30 anos, comecei a distribuir sopa aos mendigos nas ruas de Anápolis (GO), contava com pouquíssimo apoio, mas sabia que, mesmo que eu conseguisse alimentar apenas um mendigo e, durante a refeição dele, falar do amor de Jesus Cristo, o esforço valeria a pena. Era um começo singelo ante a demanda que estava ali, ao alcance dos meus olhos.

A muitas pessoas, parecia um trabalho inútil e, invariavelmente, infrutífero. Entretanto, a fé no propósito que o Senhor havia colocado no meu coração e a certeza de que Ele estaria sempre comigo, me fez prosseguir. Da distribuição de sopa nas madrugadas, passei à ajuda efetiva que me levou a retirar mendigos das ruas e instalá-los em hotéis simples da cidade. De sonhador, passei a ser chamado de louco. Os adjetivos não me incomodavam, porque a confiança no Deus da minha salvação me impulsionava e me mantinha firme. Do primeiro morador de rua resgatado, passamos ao primeiro centro de recuperação de mendigos do Brasil que, com esforço e dedicação, foi crescendo e se tornando conhecido pela qualidade e lisura do serviço prestado. Serviço este com reflexos diretos na comunidade local, na vida dos beneficiários e, principalmente, no reino de Deus.

Como funciona o programa de recuperação?
A Missão Vida trabalha exclusivamente com homens de rua. O programa de recuperação se dá em três ciclos: triagem, recuperação e reintegração. No primeiro estágio, os mendigos chegam aos núcleos bastante debilitados. Nestas unidades, eles recebem os primeiros cuidados médicos e psicológicos, têm os primeiros momentos de aconselhamento individual e têm a oportunidade de se acostumar com a ideia de uma mudança radical em suas vidas. Completados 60 dias, eles são transferidos para o Centro de Recuperação onde dão continuidade ao processo de recuperação. A rotina dos internos nesta segunda fase envolve cultos e devocionais, aconselhamento individualizado, atividades de lazer e uma grande diversidade de terapias ocupacionais: horta, viveiro, lavoura, granja, pocilga, cuidado com animais, serviços gerais, cozinha, serralheria, marcenaria, produção de rapadura, artesanato, dentre outras atividades.

Ao concluir o programa de recuperação o ex-interno pode ser encaminhado ao Centro de Reintegração. Esta unidade abriga aqueles que não têm família ou não são aceitos por ela e, também, para aqueles que preferem permanecer fora de suas cidades de origem. Neste núcleo, os moradores recebem alimentação, moradia e auxílio para encontrarem um trabalho e, assim que conseguem um emprego, passam a contribuir mensalmente com uma pequena quantia para manutenção do local.

Qual é o foco atual da Missão Vida?
Foram muitos os desafios até que a Missão Vida chegasse a ser o que é hoje: uma instituição filantrópica evangélica, de utilidade pública municipal, estadual e federal  com trabalho reconhecido no Brasil e no exterior. Com nove núcleos em seis estados brasileiros (Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Paraná), são oferecidas, gratuitamente, 560 vagas para homens interessados no programa de recuperação. Seu público-alvo continua sendo os moradores de rua e a parceria com igrejas tem ajudado, não apenas na triagem, como também na manutenção de cada unidade. Além do trabalho com os moradores de rua temos em Anápolis uma unidade da Clínica Vida que atende às pessoas assistidas pela instituição e também a comunidade carente local.

Possuímos também o Centro Educacional Vida, instalado no Bairro Itatiaia, em Anápolis, uma região com grandes desafios sociais e educacionais, oferecendo atividades a crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos, jovens e adultos da comunidade e da região. Às crianças e adolescentes matriculados na escola regular é oferecido um contraturno com reforço escolar, com foco na aprendizagem, estudo e tarefas escolares, e, ainda, aulas de música, incentivo à leitura, brinquedoteca, sala de vídeo, laboratório de informática, lazer, esporte e uma refeição. Já o atendimento a jovens e adultos é oportunizado por meio de cursos profissionalizantes e de atualização para o mercado de trabalho.

O senhor imaginou que a Missão Vida tomaria esta dimensão?
Sinceramente, jamais pensei que aquele primeiro prato de sopa se transformaria em mais de dois milhões e meio de refeições servidas em quatro anos. Também vale ressaltar que estar à frente de um trabalho dessa magnitude não é tarefa fácil, mas posso dizer que, mesmo com as lutas pessoais pelas quais tenho passado, considero-me um privilegiado por ter sido escolhido por Deus para esta função.

Qual é o grau de envolvimento da Prefeitura Municipal de Anápolis com o trabalho da Missão Vida?
O relacionamento da Missão Vida com a Prefeitura Municipal de Anápolis tem sido bom, principalmente no que diz respeito ao trabalho com as crianças. A parceria no trabalho com os mendigos ainda está em fase de estudo para firmarmos convênio. Temos percebido que o Prefeito Antônio Roberto Gomide é uma pessoa sensível e seus secretários, especialmente o de Cultura, Augusto César e o de Ação Social, Francisco Rosa, têm mantido um maior contato conosco e são muito competentes e empenhados em ajudar.

Como a Missão Vida é mantida?

Totalmente através de doações, em sua grande maioria por pessoas que ofertam uma média de R$ 15 reais mensais. Os mantenedores, intercessores, além dos missionários, obreiros e funcionários da Missão Vida, sem dúvida alguma, são de fundamental importância para que esta engrenagem continue funcionando e abençoando mais e mais pessoas.  A Bíblia diz: “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal. O Senhor o livrará e o conservará em vida” (Sl 41:1-2a). As pessoas, ao verem a extensão do trabalho da Missão Vida, tem a errônea ideia de que trata-se de uma instituição rica. Diferentemente de uma empresa convencional, cuja ampliação e crescimento, via de regra, levam ao aumento da receita, em uma instituição filantrópica acontece exatamente o oposto: aumentam-se as despesas e, por isto, toda e qualquer ajuda, por menor que seja, é muito bem vinda.

Em números, que resumo poderia ser feito do trabalho da Missão Vida?
De 2009 a 2012 foram 2.613.517 refeições servidas; 54.162 procedimentos médicos; 254.912 medicamentos doados; 170 ex-mendigos formados Instituto Bíblico Palavra e Vida e 1.300 cestas básicas distribuídas.

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