"Esmola é uma coisa, dignidade é outra": Francisco Rosa
Matéria publicada em 25/02/2013, às 14:23:23

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Oriundo de família humilde e natural de Catalão (GO), Francisco Rosa chegou em Anápolis em 1966 depois de residir na zona rural de São Miguel do Araguaia, mais precisamente na região da Ilha do Bananal, até os 17 anos. Graduado em Direito, Educação Física, Teologia e Pedagogia trabalhou como funcionário de carreira da Prefeitura de Anápolis e teve a oportunidade de conviver com pessoas que contribuíram e continuam contribuindo com o progresso e o desenvolvimento de Anápolis e do Estado de Goiás. “Graças a Deus aprendi muito com essas pessoas e hoje tenho a grata oportunidade de colocar em prática aquilo que gosto, que sei fazer e que tenho convicção de que está sendo útil para a sociedade”, revela o titular da Secretaria de Desenvolvimento Social do município de Anápolis, com 600 funcionários e um orçamento anual de R$ 15 milhões, cujas ações são destaque em nível nacional pela forma humana e eficaz com que são conduzidas. Francisco Rosa, o Chico Rosa, é o nosso entrevistado.

Francisco, estamos iniciando um novo ano, uma nova gestão, mas parece que o ritmo acelerado de sua secretaria não parou.
Não, não parou. Na verdade, graças a Deus nós estamos ampliando, melhorando e aperfeiçoando nossas diversas ações. Na medida em que você melhora, pode-se perceber onde estão as vulnerabilidades e, com isso, sabermos onde melhorar nossa performance em prol das políticas públicas que hoje desenvolvemos em Anápolis. Nossa secretaria foi criada em 2009, num ato de visão e coragem do prefeito Antônio Gomide e, hoje, graças a Deus, chegamos ao ponto de ter que desmembrar as diversas ações da Secretaria de Desenvolvimento Social com a recente criação da Secretaria do Trabalho que, de início, passará a se responsabilizar por três dos nossos programas que são o Qualificar, em parceria com o SENAI, SENAC e IFG; o SINE e o Projovem Trabalhador que são mil vagas de trabalho para a juventude de 18 a 29 anos. Nessa arrancada que daremos em 2013 na área social vejo que podemos melhorar muito mais o nosso perfil no atendimento individual e particular às pessoas. Um exemplo, será o Social Móvel, um programa que passaremos a desenvolver a partir de fevereiro.

Tudo o que temos na Secretaria, nos CRAS, nos PETIs estará disponível também nos locais onde as pessoas residem. São 70 programas que serão levados aos nossos usuários como confecção de carteiras do SINE, bolsa família, PETI, tratamento dentário, relação de cursos, oftalmologista, mãe gestante, leite materno e o velório municipal que será um espaço dentro do Cemitério Parque com todas as condições para velar, gratuitamente, os entes queridos daqueles que não têm como arcar com essas despesas. Além desses programas, desenvolvemos dezenas de outras ações que agora serão disponibilizadas no local onde as pessoas residem através do programa Social Móvel que irá ao encontro delas.

O que mudou do início do primeiro governo de Antônio Gomide para essa nova etapa de trabalho?
Em 2009 estávamos apenas iniciando, criando uma secretaria e enfrentando todas as dificuldades inerentes a todo começo, mas agora não. Neste início de 2013 estamos a todo vapor, a máquina está bem untada e a obrigação de toda a nossa equipe é melhorar o nosso desempenho em direção à camada mais carente, em especial aquelas pessoas cadastradas no Cadastro Único de Assistência Social, onde nós usamos toda a estrutura do Brasil Carinhoso, mas com o nome de Brasil Sem Miséria, atendendo as pessoas de baixa renda, retirando-as de áreas de risco e de preservação ambiental como fizemos no Parque das Laranjeiras e no Parque da Liberdade, de maneira que agora o nosso interesse é sairmos em busca das pessoas e não ficarmos aguardando que elas venham até nós. Hoje nós já podemos dizer que temos essa qualidade e essa capacidade de implementar as políticas públicas com essa intensidade e profundidade, indo em busca das pessoas carentes.

Foi preciso sair para adquirir mais experiência fora, com outros projetos, para desenvolver bem o seu trabalho, Francisco?
Não. A experiência vem sendo adquirida ao longo dos anos. Primeiro, venho de uma família muito humilde, nasci na roça e lá fiquei até os 17 anos para, somente depois, me mudar para a cidade onde me envolvi com política estudantil, fui militante na política partidária e, juntamente com muitos amigos, combati ferozmente a ditadura militar. Como funcionário público, por 35 anos, atuei praticamente em todas as secretarias municipais, começando pela área social com meu amigo Sebastião Lino de Souza, na gestão do prefeito nomeado Irapuan Costa Junior. Como sou formado em Direito, Educação Física, Teologia e Pedagogia tive a grande oportunidade de aprender com as pessoas do passado, por exemplo, na área da Educação Física fui um adepto do programa do preparador físico da seleção brasileira de futebol, Cláudio Coutinho e, com o projeto Cooper,  tive a oportunidade de preparar muitos jovens para o desporto municipal, estadual e nacional; na área da Teologia, entendendo a importância do Reino de Deus vir até nós e que para que isso ocorra temos que ser quebrantados e humildes de coração e, na área da Pedagogia, aprender com o grande Paulo Freire em prol das pessoas. Então, fui aprendendo e vendo que poderíamos ter espaço para fazer muito pelo próximo. Na prefeitura, sempre tive a condição de estar junto ao povo e aos mais carentes, a condição de realmente fazer e também de aprender. Dessa forma, quando o prefeito Gomide me convidou, em 2009, tudo o que ele me pediu para fazer era aquilo que já estava na minha cabeça, de acordo com minhas convicções e bastava colocarmos em prática e melhorar sempre mais. Por isso, hoje a gente vê uma cidade alegre e tranquila porque as políticas públicas foram todas implementadas com muito critério, responsabilidade e objetividade.

Qual é a abrangência dos programas sociais hoje em Anápolis?
Hoje a gente começa a atuar desde o apoio total à mulher gestante, depois passamos para os cuidados com o seu bebê que depois vai para a creche, para a escola, para o PETI, para escola em tempo integral, o Pro Jovem, o Cidadão do Futuro, o Qualificar, a inclusão no mercado de trabalho; depois para o Centro de Convivência dos Idosos e, finalmente, quando a pessoa vem a falecer, temos o Velório Municipal com total apoio às famílias carentes. Então, a gente cuida das pessoas com idades que vão de zero a zero, ou seja, até zerar a sua existência, com carinho, eficiência

“Anápolis, hoje, praticamente já não tem mais moradores de rua e, graças a Deus, está muito bem conceituada nacionalmente no que diz respeito a esse assunto”

e muita dedicação. A população vem até nós, é bem recebida e conversa conosco. Hoje, vivo 24 horas o meu trabalho. Sou assalariado da prefeitura, vivo para isso e trabalho o dia todo. À noite, saio para cuidar dos moradores de rua que não mais são um grande problema para Anápolis. Em março de 2009, iniciamos um programa denominado “Não dê esmola, dê dignidade” e muitas pessoas, algumas religiosas, ficaram indignadas e não concordaram, num primeiro momento. Foi aí que explicamos que esmola é uma coisa e dignidade é outra, bem diferente. Se alguém quer dar esmola, ao invés de dar o dinheiro ou a sopa para o cidadão carente, deixando-o no lugar onde está, no sol ou na chuva, tire-o de lá e leve-o para casa ou para uma instituição filantrópica e lhe dê dignidade através da chance de se reabilitar de uma vez por todas. Foi isso que começamos a fazer em 2009 e hoje Anápolis praticamente já não tem mais moradores de rua e está muito bem conceituada nacionalmente no que diz respeito a esse assunto. Em 2010, para nossa surpresa, o governo federal criou o CREAS-POP que cuida da População de Rua através do qual envia recursos para aplicarmos nessa área.

Tiramos o morador da rua levando-o para a Casa de Passagem onde ele é alimentado e ganha um kit com calçados, roupas, material de higiene pessoal, ao mesmo tempo em que levantamos a situação dele perante a justiça para, somente depois, encaminhá-lo. São 62 instituições filantrópicas parceiras que cuidam dessas pessoas, inclusive com tratamento terapêutico, além das instituições próprias da prefeitura como o Viva Vida de 08 a 18 e de 19 a 100 anos, feminino e masculino. Em Anápolis, o morador de rua está em extinção, mas ainda temos o desafio daqueles que encontram-se em situação de rua, o que são outros quinhentos. São pessoas de passagem, drogados, foragidos da justiça e que estamos buscando sistematicamente os mecanismos mais apropriados para também encaminhá-los rumo ao resgate de sua dignidade.

Você é um técnico ou sua dedicação e prazer seriam fruto de uma vocação para o social?
Sou formado em Direito, Educação Física, Teologia e Pedagogia e todo o meu aprendizado nessa área social se deu através do trabalho ao longo de 35 anos como funcionário público, estudante, professor de educação física, teólogo, bacharel em Direito, pedagogo e como pessoa ligada ao povo o tempo todo. Trabalhei por muitos anos na Procuradoria Geral do Estado, orientando as pessoas como se aposentar ou ter direito à pensão alimentícia e outros benefícios. Naquela época, a Faculdade de Direito de Anápolis ainda não tinha Escritório Modelo e a gente estagiava na PGE, cujo procurador era o Dr. Olímpio Ferreira Sobrinho que também era o diretor da FADA, daí, o meu privilégio de ser formado por pessoas desse gabarito. Graças a Deus aprendi muito com essas pessoas e hoje tenho a grata oportunidade de colocar em prática aquilo que gosto, que sei fazer e que tenho convicção de que está sendo útil para a sociedade. Então, chegamos ao ponto de nos depararmos com um Brasil que tem essa mesma vertente, a vertente de um Brasil Carinhoso quando vemos uma população que tem dinheiro, come bem, tem seu carro, sua casa própria.

O programa Minha Casa, Minha Vida é uma dádiva divina. A ele só tem direito famílias que vão de zero a três salários mínimos a quem já entregamos mais de 6.000 moradias em Anápolis e, para 2013, já estamos construindo mais 2.700 casas e não inventamos a roda não. Aqui a gente atende famílias de zero a três salários mesmo, porque quem já tem mais de três salários, tem condições de buscar um financiamento e não precisa do Minha Casa, Minha Vida que está voltado para aquelas famílias que moram debaixo de uma ponte ou de uma lona preta, ou seja, que sejam realmente carentes do benefício. São pessoas que às vezes nem sabem que têm esse direito. Nesse caso, estamos fazendo a busca ativa e trazendo essas pessoas para dentro do Brasil Carinhoso, que aqui é o Anápolis Sem Miséria. Aqui as submetemos a uma triagem para ver, primeiro, do que elas estão mais precisando, para depois dar o encaminhamento.

Por exemplo: pegamos uma família, recentemente, que morava debaixo de uma lona preta no Parque das Laranjeiras, sem a menor condição de sobrevivência. Os tiramos de lá, levamos as meninas - que já são mães - para o Bolsa Família onde já recebem mais de R$ 300,00; o pai, doente e idoso, levamos para o LOAS - Lei Orgânica da Assistência Social, um benefício que garante um salário mínimo; o filho dele, levamos para o Qualificar, no SENAI e hoje ele está empregado em um laboratório do DAIA. Finalmente, levamos a família para sua casa própria no Residencial Leblon, ou seja, uma família que tinha zero como renda, hoje recebe mais de R$ 2.000,00, pagando em torno de R$ 40,00 de prestação de sua casa própria. Além disso, os filhos menores são acompanhados por profissionais de saúde e obrigados a estudar, a mãe tem que fazer um curso profissionalizante ou de aperfeiçoamento e mais: os enquadrados no Bolsa Família e no Minha Casa, Minha Vida, agora têm direito a creche o que libera as mães para os cursos e para o trabalho. No ano passado, tivemos mais de 13.000 carteiras de trabalho assinadas no município. Por aí, pode-se ver que nosso aprendizado para atuar na área social se dá no dia a dia, aprendendo com as pessoas. Graças a Deus.

Mesmo diante de tantos bons programas, ainda existe quem critique e coloque defeitos, alegando que toda essa ajuda com as bolsas do governo incentiva a ociosidade. Como você analisa tudo isso, Francisco?
Isso tem caído muito em todo o Brasil porque, aparentemente, o Bolsa Família é um programa paternalista e político. Aparentemente, porque na medida em que se criou o Minha Casa, Minha Vida, o Pronatec e o Bolsa Família, vemos hoje
que criou-se uma nova realidade na assistência social. Com o Bolsa Família, as pessoas saem da miséria e começam a comer. Depois, vão para o Pronatec para se profissionalizar, conquistam um emprego e sua renda já pode ultrapassar o limite máximo permitido e ela não tem outra alternativa senão

“O desafio agora é ampliar o trabalho de ir ao encontro das pessoas carentes para saber de suas necessidades prementes, imediatas”

sair do Bolsa Família por ter migrado para o mercado de trabalho. Daí, o nosso desafio de tornar essa família competitiva no mercado de trabalho. Em seguida, ela vai para o SENAI e IFG fazer cursos técnicos, tornando-se uma família padrão e em condições de fazer cursos superiores como eu tive e você teve, só que hoje a moda é fazer cursos técnicos em virtude da crescente demanda nas empresas para esse perfil. Dessa forma, os brasileiros estão percebendo que esses programas não são paternalistas e muito menos eleitoreiros, mas sim, programas de resgate da cidadania da população que se encontrava em situação vulnerável, de abandono e de dificuldades que pareciam intransponíveis. Todos esses programas são altamente fiscalizados e mapeados pela presidente da república, juntamente com seus ministérios. E em municípios como Anápolis, realizamos uma fiscalização intensa e permanente por exigência do prefeito Gomide, com uma equipe na Secretaria de Desenvolvimento Social com essa visão e essa dedicação e, mais, em nossa cidade a população também está vigilante, sabe dos seus direitos e sabe cobrar e denunciar através dos veículos de comunicação. Somos hoje um pólo educacional e foi o tempo em que se podia passar os outros para trás.

Hoje você faz ou não faz. Não mais existe meio termo, nem como enganar as pessoas. Antigamente distribuíam cestas básicas na calada da noite. Hoje as pessoas são cadastradas, recebem normalmente e estamos trabalhando com elas através do Bolsa Família, PETI, Qualificar e tantos outros programas que objetivam o resgate da dignidade. Invariavelmente, a grande maioria dos beneficiados por nossos programas sociais têm a obrigação de fazer cursos profissionalizantes como o de costureira industrial, por exemplo, mantido hoje pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico que auxilia no financiamento de máquinas e equipamentos. Então, ao concluir o curso de costureira no SENAI com duração de 300 horas, a mulher já sai trabalhando para a Hering na própria indústria ou em sua residência e, com isso, ela ganha mais R$ 1.500,00 e certamente não mais vai querer saber dos R$ 70,00 ou pouco mais do Bolsa Família, até porque já superou esse perfil. Por tudo isso, comprovadamente, longe de pensar que tais programas têm vocação paternalista ou eleitoreira. Pelo contrário, todos eles são destaques nacionais e internacionais e o programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, serviu de modelo para diversos países do mundo, principalmente da África.

Que novos desafios se apresentam para os próximos anos na área social?
O maior dos desafios é continuarmos com o nosso padrão de trabalho, buscando a permanente ampliação de sua abrangência e uma maior eficácia de suas ações. Precisamos melhorar o nosso desempenho fora da Secretaria, porque dentro dela, recebendo as pessoas, somos gigantes. Sair em busca das famílias é o nosso próximo grande desafio porque trabalhamos com o funcionário público e precisamos mudar essa cultura. Graças a Deus tivemos a honra de contar com a criação do SUAS - Sistema Único de Assistência Social pelo qual é obrigatório haver assistência social em todos os setores: na saúde, na educação, na infra-estrutura, ou seja, o assistente social está em todos os lugares passando a visão de que precisamos enfrentar a miséria lá onde ela está e não migrá-la para cá. O desafio agora é ampliar nosso trabalho de ir ao encontro das pessoas carentes para saber de suas necessidades prementes, imediatas. Às vezes você encontra uma pessoa morando debaixo de uma lona que diz precisar de uma casa quando, na verdade, ela está precisando, primeiro, de um tratamento dentário ou de saúde para curar uma febre ou, em outros casos, o que é preciso é retirar um idoso entrevado numa cama, abandonado e dar-lhe a assistência que ele necessita de imediato. Ou seja, precisamos fazer a leitura correta da situação em que se encontram os necessitados para fazermos a coisa certa, levando-os para o atendimento dos mais de 70 programas sociais que disponibilizamos atualmente. O grande desafio é esse: ampliar e melhorar cada vez mais a abrangência desses programas. Para isso temos potencial, capacidade, recursos financeiros e as políticas públicas adequadas a cada caso.

O sucesso desses programas sociais em Anápolis não atrai pessoas carentes de outros municípios?
Atrai porque a fama corre. No trabalho que fazemos com pessoas em situação de rua nos deparamos com egressos do nordeste, por exemplo, em muitos casos até pela própria localização geográfica de Anápolis, situada no coração do Brasil e uma cidade que construiu duas capitais e é hoje pólo industrial, comercial, educacional e de segurança. As pessoas sabem da fama e para cá se dirigem sendo recebidas por nós nas entradas da cidade de onde as levamos para a Casa de Passagem e vamos trabalhar com elas, entrevistá-las e encaminhá-las. Se a pessoa tem a profissão de pedreiro, por exemplo, querendo melhorar sua performance, a encaminhamos para os cursos profissionalizantes e ela tem então a oportunidade de se inserir no mercado de trabalho onde hoje a mão de obra encontra-se bastante escassa.

Algumas cidades adotam a política de sequer deixar os imigrantes permanecer ali por muito tempo encaminhando-os para outras cidades com tudo pago. Seria correto agir assim também em Anápolis?
Uberlândia, por exemplo, tinha uma equipe da prefeitura dentro da rodoviária que recebia os migrantes, oferecendo alimento, banho, roupas e uma passagem tendo Anápolis como destino final. Isso não se pode fazer. O correto seria atender essas pessoas lá mesmo e não empurrá-las para fora da cidade. Deus nos ensina que temos que cuidar dos de casa, mas tudo bem. Aqui não fornecemos passagem como ocorria no passado e as pessoas se aproveitavam disso para fazer turismo no nordeste, por exemplo, e elas voltam
depois para pedir mais passagens.Aqui encaminhamos para a Casa de Passagem, damos total assistência, alimento, banho, roupas, verificamos a situação civil,  judicial e familiar de cada um; se o pai quer trabalhar, o levamos no dia seguinte para ajudar a carregar ou descarregar caminhões no Mercado

“Com 62 anos, entendo que o que faço equivale ao que faz um grande político. Minha secretaria, com 600 funcionários, é minha prefeitura”

do Produtor ganhando R$ 50,00 por dia, ou seja, R$ 300,00 por semana, o que já lhe dá condições de pagar um aluguel, podendo ser ajudado com o Bolsa Família, cesta básica, melhorando o seu desempenho e contribuindo para engrossar a oferta de mão de obra no mercado. Mas quando se trata de um oportunista, nos primeiros dias ele desiste e vai embora espontaneamente. Aquele que quer trabalhar e melhorar de vida, fica e depois de alguns meses liga convidando para uma visita à sua residência para comer um franguinho frito e bater um papo, o que faço com grande prazer e felicidade por saber que essa família está bem amparada e integrada à vida social da cidade. O mesmo aconteceu comigo quando aqui cheguei em 1966, vindo de São Miguel do Araguaia, com uma cachorrinha nas mãos, chinelas e duas calças e uma camisa. De lá até aqui eram dois dias e meio de viagem de jipe. Fui atraído por Anápolis, fui imigrante e aprendi com a Teologia a importância de tratar bem os estrangeiros. Em Israel, no tempo de Jesus, o povo de fora era bem tratado e havia sempre um lugar para recebê-los. Maria e José subiram para fazer o censo e chegando lá, estava tudo lotado mas tinha pelo menos a estrebaria onde eles ficaram.

Cheguei aqui, fui muito bem recepcionado e trabalhei com uma pessoa por nove anos, cursando o quarto ano primário. Depois de sete anos estava no primeiro ano do curso de Direito, trabalhei como balconista, estagiário em um escritório de advocacia, fiz concursos, Educação Física, Teologia, ou seja, sou um imigrante que aqui chegou, recebi título de cidadania, casei com uma anapolina, aqui constituí minha família, presto serviços e me aposentei aqui; tenho um terreno no Cemitério São Miguel onde serei enterrado ou seja, sou um imigrante e não vou tratar bem aqueles que aqui chegam, principalmente quem quer crescer? O prefeito Gomide também é um imigrante que foi bem recebido e fez de Anápolis uma das melhores cidades do Brasil para se viver, se tornando o melhor prefeito da história do município. Precisamos pensar assim. Por outro lado, não podemos dar trégua aos malandros. Em uma cidade que tem ruas e praças limpas e bem iluminadas o malandro não permanece. O mal quer sempre se sobrepor ao bem, mas onde clareou o mal não fica. Daí a alegria de vermos os parques e praças de Anápolis bonitas e bem iluminadas e cheias de gente de bem, passeando e sendo felizes.

Francisco Rosa, você tem alguma pretensão política?
Pretensão política nenhuma. Não posso. Passei toda minha vida como militante na política estudantil, fui do MDB, depois fui para o PT e nunca me candidatei. Hoje, com 62 anos, entendo que o que faço equivale ao que faz um grande político. Minha secretaria é minha “prefeitura”. Hoje comando 600 funcionários, um orçamento de R$ 15 milhões, com mais de 20 programas o que equivale a mais que muitas prefeituras do interior. Como político não teria condições de fazer o que faço como secretário. Não preciso inventar a roda, até porque não teria a liberdade e as amizades e a integração que temos hoje com todos os segmentos da sociedade, com os pobres, ricos, maçonaria, rotarianos, com todas as religiões para que o meu trabalho abranja a todos, sem conotação religiosa e dando atenção ao Reino de Deus. O Pai Nosso diz “venha a nós o Vosso reino, seja feita a Sua vontade”, assim, precisamos implantar o reino de Deus no coração das pessoas para que elas tenham melhoras nas partes material e espiritual e respeito, ao mesmo tempo em que sejam respeitadas e tenham garantido o direito de cultuar o seu Deus. Não misturo as coisas e isso tem sido muito positivo na consecução do nosso trabalho, graças a Deus.

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