A maior vocação de Anápolis é o conhecimento: Olímpio Ferreira Sobrinho
Matéria publicada em 16/08/2012, às 13:55:40

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Nascido na Fazenda Bom Jardim, município de Anápolis (GO), Olímpio Ferreira Sobrinho é filho de José Ferreira da Silva, mineiro de Bom Despacho e de Amélia Pereira Dutra, de família anapolina. É casado com a farmacêutica Maria Augusta Pinto Ferreira. Fez seus primeiros estudos na fazenda e concluiu o curso ginasial no Colégio Couto Magalhães, em 1944. Bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal de Goiás em 1959. É Procurador do Estado concursado e aposentado. Foi vereador, deputado estadual por dois mandatos e prefeito de Anápolis no período em que o município era considerado de interesse da segurança nacional. É membro do Lions Club, co-fundador e membro do Colégio Brasileiro de Faculdade de Direito e da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Iniciou-se nas letras com a publicação dos livros “Leonismo, Sublime Ideal”, “Canções Guardadas na Memória”, “Alocuções Cívicas”, “Meio Século Formando Gerações” e na colaboração de jornais. Faz parte da diretoria da União Literária Anapolina.

Fale-nos um pouco sobre sua vida, a de sua família e a ligação de vocês com Anápolis.
Nascido em 10 de janeiro de 1928, completei 84 anos de uma vida intensa e abençoada. Muito bem casado, tenho quatro filhos e dez netos, todos sadios, ilustrados e bem encaminhados na vida. Tenho três genros e uma nora. Filho de Anápolis, aqui fui vereador, deputado estadual por duas legislaturas, prefeito municipal e atuante na política e na sociedade local.

Quais foram os momentos mais marcantes de sua trajetória como professor e advogado, Dr. Olímpio?
Professor e advogado jubilado pela Ordem dos Advogados do Brasil depois de 50 anos na carreira. Procurador do Estado de Goiás, no momento presido a Associação dos Procuradores de Goiás. Fundador da Faculdade de Direito de Anápolis (FADA), ali fui diretor e professor por 40 anos. Atualmente sou, com muita honra, conselheiro da Associação Educativa Evangélica.

Qual foi a dimensão de sua participação na construção da UniEvangélica? Militei durante 41 anos na Associação Educativa Evangélica onde ocupei todos os cargos de sua administração e participei das grandes vitórias da AEE, até ver nascer a Universidade.

De que forma o senhor contribui com a reafirmação da fé no município?
Nasci na Igreja Evangélica, dela sempre dando testemunho. Sou ali Presbítero há mais de 50 anos e fundador de duas instituições evangélicas: a Associação Cristã de Inclusão Social e o Centro Rural de Convivência Evangélica, ambas em Anápolis (GO).

O senhor e Dona Nininha têm larga folha de serviços sociais prestados à comunidade. O que o senhor destacaria nesse setor?
Cuidados com as crianças, Projeto Conviver, do qual sou fundador e atual presidente, sempre com a indispensável presença da Nininha.

O que o atraiu para a política?
Como professor e advogado sempre servi com denodo a minha cidade. Sempre gostei de minha gente e, daí para a política, foi um pulo.

Considerando as limitações dos prefeitos nomeados temos conhecimento de obras marcantes de sua administração como a maravilhosa e emblemática Praça do Ancião, hoje Praça Abilio Wolney. Quais as principais diferenças entre administrar naquele tempo e administrar nos dias atuais?
Como prefeito nomeado ou prefeito eleito, o idealista e competente fará sempre uma boa administração. A Praça do Ancião, plantada no coração da cidade, será sempre uma marca de minha administração. No meu tempo, administrava-se com poucos recursos vindos do Governo Central, mas as obras saíam do papel pelo esforço e dedicação de uma equipe bem formada e disposta a trabalhar.

A representatividade política de Anápolis era maior na sua época?
Quando exerci o mandato de deputado estadual por duas legislaturas nós éramos quatro deputados estaduais e dois deputados federais. E tinha Anápolis, também, uma parte na adminstração estadual com secretários nomeados pelo governo estadual.

O senhor vivenciou momentos importantes da história de Anápolis. Quais foram os mais intensos e inesquecíveis?
Assisti grandes eventos marcando a história política de Anápolis. A instalação da Base Aérea, a implantação do DAIA, a inauguração de Brasília, a instalação de dois bancos criados com a economia da cidade, foram marcos inesquecíveis, os quais assisti e os guardo na memória.

Anápolis vive um momento diferente em termos de administração pública e também da iniciativa privada?

Anápolis vive um bom momento político e administrativo e a cidade cresce e se desenvolve em todos os sentidos. Basta um exemplo: A UniEvangélica, com mais de 40 cursos superiores e em todas as áreas alcançou já a casa dos 10 mil alunos em todos os cursos.

Que vocações deveríamos cultivar com mais intensidade: a educacional, a industrial ou a comercial, Dr. Olímpio?

O conhecimento tem sido nossa maior vocação. Vejam nossas escolas, desde o primeiro grau às vocações maiores. Mais de um terço de nossa gente está na escola e a nossa Academia Anapolina de Letras acaba de inaugurar a sua sede própria e tudo ao nosso lado mostra a grandeza de nossa busca do conhecimento, tanto científico como pragmático.

O que o senhor tem a nos dizer no 105º aniversário de Anápolis?
Vi Anápolis comemorar o seu centenário. Recebi, naquele ano, a “Comenda Gomes de Souza Ramos” e, todos os anapolinos devem orgulhar-se da cidade que possuem. A revista Planeta Água, por exemplo, é um farol mostrando o caminho do desenvolvimento através da conservação dos valores com os quais Deus sempre abençou esta linda cidade de Santana das Antas.

O senhor construiu a Praça do Ancião, uma das mais belas de Anápolis. Seria possível reproduzir o relato que fez sobre esse sonho em seu livro “Canções guardadas na memória”, intitulado “Os pombos voltarão para os seus ninhos”?
Sem dúvida. Vamos lá. “Na vida o que vale é o sonho, mais vale quem mais sonhou. Na minha longa vida de política eu sempre sonhava com uma grande praça onde o povo pudesse se reunir nas tardes e refrescar-se durante o dia à sombra das árvores frondosas, cercando-se das amenidades que a natureza prodigiosa nos pode oferecer. Teria que ser uma praça onde as árvores não fossem podadas e crescessem livremente a céu aberto, longe das fiações incômodas das instalações elétricas.

Deveria ter um espelho d’água, um parlatório onde todos pudessem ter uma tribuna para gritar a força de suas ideias. Deveria ter um anfiteatro ao ar livre para que as bandas de música e todas as manifestações da arte e da cultura pudessem se apresentar ao povo faminto das coisas inefáveis do espírito. Deveria ter bastante espaço para as crianças e ser um grande abrigo para os velhos. E, deveria ter ainda, um painel onde um poeta pátrio deixaria um poema para dizer às gerações porvindouras que o povo de Anápolis sempre foi amante da poesia. E comportaria ainda a praça mais flores, um repucho que jorrasse perenemente para dessedentar a sede dos pássaros e dos passantes no calor do dia. Os pássaros, em bando, sobrevoariam a praça satisfeitos com a ação dos homens desta augusta cidade de Santana.

“Ao assumir a Prefeitura de Anápolis, nos idos de  1982, senti que o sonho de construir uma praça com árvores crescendo livremente, pássaros, pombos e poesia, finalmente, poderia
se realizar”


No centro da praça se assentaria um pombal para que, a exemplo de Roma e de Veneza, do Rio de Janeiro e das mais belas e prezadas cidades do mundo os pombos, símbolos da paz, se tornassem a alegria das crianças e do velhos que, sem dúvida, todas as tardes ali haveriam de comparecer para tê-los nos ombros e nas mãos quando os reunissem para receber o óbulo da alimentação que viriam trazer. Ao assumir a Prefeitura de Anápolis, nos idos de 1982, por nomeação do então Presidente Figueiredo, senti que o sonho poderia se realizar. Convoquei os técnicos da Secretaria de Planejamento e contei-lhes da praça que queria construir. Trouxeram a seguir os projetos, mas nenhum deles refletia a praça que um dia sonhara para a minha cidade. Como colocar, perguntavam eles, um pombal, um repucho ou, ainda, uma poesia na praça se em nenhuma outra parte do mundo se tem notícia de tão inusitado feito?

Depois de muita discussão e de tantos projetos remontados não chegamos a um acordo, pois a praça era apena sonho e sonho não se poderia retratar na linha dos projetos de tão modernos arquitetos. Lembrei-me então do engenheiro Ronaldo Campos Leão que ocupava a Secretaria de Obras. O sobrinho certamente saberia compreender o tio que sonhara com uma praça diferente para a terra de Zeca Batista. O Ronaldo tomou a si a obrigação de fazer a praça, pedindo apenas que colocasse à sua disposição o mestre de obras Moacir, ordem para contratar um paisagista da Capital do Estado e, logicamente, os recursos necessários. O local a ser construída a praça seria a “baixada do sapo”, em frente ao recém inaugurado Centro Administrativo Municipal; os recursos foram locados em Brasília, através da proficiente ajuda do Dr. René Pompeu de Pina, então Superintendente da Sudeco.

Em 70 dias a praça estava construída. Lá estava o parlatório, o espelho d’água, o painel com a poesia de Bilac da magnífica concepção de Antenor Silva retratando, em majestoso quadro, um velho descansando à sombra de uma árvore.

Lá estava a figura de um ancião saída das mãos ungidas do artista plástico Krisnamurthi Silva e lá estava o pombal no centro da praça que abrigaria os primeiros casais de pombos romanos de leque e outros exemplares que logo haveriam de povoar a casa construída com técnica e esmero e a praça que os esperaria mais tarde. No respeito e na homenagem aos que atingiram a idade provecta a praça se chamaria Praça do Ancião, inaugurada com festas que traziam ao logradouro as mais expressivas figuras da sociedade anapolina e goiana e, como seria natural, os velhos, inclusive os que se achavam abrigados naquele dia e que foram retirados de seus abrigos para, quem sabe pela última vez, se transportarem até a praça construída na homenagem da cidade àqueles que no-la legaram no passado. E a praça ali está. É a mais bela praça da cidade. Ficará ali para refestelo dos anapolinos.

Só os pombos lá não permanecem. O prefeito que assumiu em nosso lugar deu sumiço a eles, não dando de seu ato insano nenhuma satisfação à sociedade. Mas o pombal, construído de ferro e cimento, ainda resiste ao tempo e à insensatez dos homens. Resta-nos, ainda, a esperança de que um dia, como o sonho que se fez realidade, os pombos voltarão para os seus ninhos”.

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