A universalização da água chegou a todos os bairros de Anápolis: Tânia Pereira de Andrade Valeriano
Matéria publicada em 17/07/2012, às 14:40:00

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A engenheira Tânia Pereira de Andrade Valeriano assumiu a Gerência da Saneago em Anápolis em novembro de 2008. De imediato, procurou inteirar-se da situação, considerada grave em virtude do acúmulo de reclamações e da falta de investimentos da empresa no município, conseguindo, com pouco tempo de trabalho, reverter o quadro. Hoje, a Saneago atende satisfatoriamente a todos os que dependem de seus serviços, realiza investimentos consideráveis em Anápolis e demonstra preocupação ambiental ao lançar na cidade o programa Olho no Óleo.

Que situação você encontrou ao assumir a Gerência de Anápolis?

Ao longo de muitos anos o volume de investimentos em saneamento na cidade de Anápolis esteve aquém das necessidades do município, o que gerou um acúmulo de problemas diversos como deficiência no sistema de abastecimento de água, com problemas crônicos de falta d’água em vários pontos da cidade; problemas no sistema de esgotamento sanitário existente e com baixo índice de atendimento; insuficiência no quadro de funcionários e no número de viaturas, gerando má qualidade no atendimento ao público, com atrasos constantes no prazo da prestação do serviço, além de problemas de relacionamento com a sociedade anapolina, devido à  imagem ruim da empresa na cidade.

Nesse período em que você responde pela gerência o que pode ser feito?
A diretoria da empresa decidiu dar uma atenção maior à cidade, estabelecendo Anápolis como prioridade n° 01 para investimentos e implantação de melhorias. Foram contratados quase 80 novos funcionários; adquiridas 28 novas viaturas, de motocicletas a veículos de grande porte, assim como máquinas. Além disso, foram promovidos treinamentos específicos de todos os funcionários garantindo, com tudo isto, a possibilidade de oferecer melhor qualidade de serviços aos clientes.Outro grande ganho foram as obras de implantação de redes de água e esgoto na cidade, implantação de 50 mil metros de redes de água, em 11 bairros até então não atendidos, perfazendo um total de 99% dos bairros da cidade atendidos com esse benefício. Foram ainda implantados 360 mil metros de redes de esgoto, aumentando para 60% o índice de atendimento da população e, após a conclusão das obras em andamento, esse índice chegará a 67 por cento. Passado o sufoco do primeiro ano, 2009, em que medidas emergenciais tiveram que ser tomadas para resolver, em curto prazo, o problema da falta d’água, tornou-se possível desenvolver uma atuação de forma planejada, para ações de médio e longo prazo, que solucionassem problemas crônicos existentes. E é isso o que estamos fazendo.

Quais são os projetos já executados?
Em 2009, foram instalados quatro novos conjuntos motor-bomba, de maior capacidade que os anteriomente existentes, o que garantiu um aumento de 120l/s na produção do Sistema Piancó. Houve, uma maior aproximação com a equipe da Goiasindustrial, responsável pela produção do Sistema DAIA, vem sanando problemas frequentes no fornecimento de água que geravam constantes problemas de falta d’água nos setores abastecidos por aquele sistema. Várias intervenções no sistema de reservação e nas redes de distribuição, projetadas pelos técnicos da equipe local, foram executadas, garantindo a solução de problemas graves, com medidas na maioria simples, outras mais complexas.

Que opções o município teria para garantir auto-sucifiência - e por quanto tempo - em termos de abastecimento de água?
Foram elaborados projetos para a ampliação do sistema de abastecimento de Anápolis, orçados em cerca de R$ 100 milhões, cujos serviços já foram licitados e as obras encontram-se em andamento desde abril de 2011, com previsão para conclusão no final de 2014,  visando atender a cidade pelos próximos 25 anos. As obras consistem em ampliação da captação. No local da atual captação no Ribeirão Piancó, será construída uma nova estação elevatória, que bombeará 1200 l/s, sendo 400l/s captados no local e 800 l/s provenientes da captação na confluência do Piancó com o Anicuns; duplicação da adutora de água bruta onde serão duplicados 10 km da adutora de 800 mm de diâmetro; ampliação da Estação de Tratamento de Água: serão construídos mais dois módulos, em duas etapas que possibilitarão o tratamento de uma vazão de 1200  l/s,   na 1ª etapa e 1600 l/s na 2ª etapa; construção e ampliação de centros de reservação e implantação de adutoras de água tratada para reforçar o abastecimento em diversos setores. Outra ação local que também contribui para a garantia do abastecimento da cidade por um período ainda maior, é o combate às perdas no sistema. Todo o sistema de reservação vem sendo automatizado, com informações on line chegando à Central de Operação do Sistema, o que garante a continuidade no abastecimento dos reservatórios sem o risco de transbordamentos.

A identificação de possíveis vazamentos em uma determinada região, quando observa-se queda acentuada no nível do resevatório que a abastece é outra medida que vem dando excelentes resultados. Foram atualizadas as informações do cadastro de redes e registros, facilitando a identificação dos locais de vazamentos e diminuindo o tempo para a manutenção dos mesmos. Vêm sendo instaladas dezenas de válvulas de controle de pressão nas redes de distribuição para diminuir o número de vazamentos causados por excesso de pressão na tubulação, principalmente no período noturno. Também vem sendo realizado um trabalho de caça de vazamentos ocultos através de equipamentos de geofonamento e hastes de escuta.  Outro trabalho fundamental para o combate a perdas é a modulação de redes que consiste na divisão da malha de redes em módulos menores, o que garante a melhor distribuição da  pressão, não sendo necessário impor uma pressão elevada num trecho da rede para que a água chegue ao trecho mais alto, principalmente numa cidade com o relevo acidentado como Anápolis. A modulação propicia também a facilidade na manutenção, fazendo com que seja necessário a intervenção em um trecho menor, desabastecendo um menor número de quadras a cada manutenção.

A universalização do abastecimento de água foi alcançada?
Já foi alcançada a cobertura de todos os bairros legalizados de Anápolis com rede de abastecimento por água tratada, entretanto, a universalização somente será considerada alcançada, após a conclusão da ampliação do Sistema Produtor, que garantirá a auto suficiência do Sistema Piancó, deixando de utilizar a água hoje fornecida pelo Sistema DAIA.

Na questão do esgoto, qual é a realidade e quais são as perspectivas para os próximos anos uma vez que a cidade cresce e se expande acima dos índices considerados normais?
Com as obras já contratadas, que estão em andamento na região do bairro Recanto do Sol, será alcançado um índice de 65% de atendimento com o serviço de esgoto e já está em andamento a licitação de um contrato de mais de R$ 20 milhões para atender diversos bairros. E assim, sucessivamente, até que toda a cidade esteja coberta pelo serviço.

O  Ribeirão Piancó e sua área de influência vêm recebendo todos os investimentos necessários em termos de recuperação e preservação de nascentes e da mata-ciliar?

“Sem sombra de dúvida, cada indivíduo pode e deve contribuir para a preservação ambiental. Evitar desperdícios de água, por exemplo, é um gesto de cidadania”

O trabalho de recuperação da bacia do Piancó, realizado em 2003, trouxe grandes benefícios à qualidade da água do ribeirão. Em reunião com a Promotora Sandra Garbellini ficou acertado que a partir do mês de agosto de 2012 o Ministério Público convocará todas as entidades envolvidas (Prefeitura, SEMARH, Agência Rural, etc.) assim como os usuários da bacia (SANEAGO, Águas Indaiá, produtores rurais, etc.), para que o trabalho seja retomado, com a devida responsabilização e envolvimento de todos, visando garantir que toda a bacia seja alcançada pelo trabalho de recuperação. A área da bacia a ser trabalhada atualmente é maior, visto que será utilizada, continuamente, a captação da confluência do Piancó/Anicuns.

Além do Piancó, quais seriam as outras opções de abastecimento de água para o futuro?
Com a ampliação do Sistema Produtor, no local da atual captação passarão a ser explorados apenas 400 l/s, ao invés dos atuais 860 l/s. Na captação do Anicuns, que atualmente é utilizada apenas como sistema reserva em períodos de estiagem, passarão a ser explorados continuamente 800 l/s, totalizando 1200 l/s. Para uma etapa futura, uma nova captação será implantada à jusante da confluência do Piancó/Anicuns, ampliando para  1600 l/s a vazão dali atualmente extraída.

A polêmica sobre tentativas de municipalização dos serviços de água e esgoto em Anápolis parece ter chegado ao fim. Isto teria se dado em virtude da satisfação da população?
Como os problemas mais graves foram sanados, melhorando a qualidade do serviço prestado e diminuindo as ocorrências de falta d’água, o índice de satisfação dos clientes aumentou muito. Com este fato, somado à continuidade das obras das redes de água e esgoto condizentes com a necessidade do município, percebeu-se que seria desnecessária qualquer mudança no atual modelo de concessão do serviço de saneamento de Anápolis.

A Saneago poderia contribuir, de alguma forma, para solucionar os problemas recorrentes da Estação de Tratamento de Esgoto do DAIA?
A administração de todo o sistema de infraestrutura  de abastecimento do DAIA é de responsabilidade da Goiasindustrial, incluindo as estações de tratamento de água e de esgoto e somente com a adequação da estrutura da ETE à atual demanda será possível resolver o problema.

Qual deveria ser a atitude do cidadão comum e das autoridades no que tange à preservação do meio ambiente?
Sem sombra de dúvida, cada indivíduo pode e deve contribuir para a preservação ambiental. No caso da utilização dos serviços de saneamento, ressaltamos ações como: praticar o consumo racional da água, evitando-se desperdícios, pois quando o consumo é maior aumenta a necessidade de se extrair um volume cada vez maior do manancial; jamais lançar água de chuva na rede de esgoto,  pois isto gera extravazamentos de esgoto e compromete o tratamento do mesmo; nos locais ainda não contemplados com o serviço de coleta de esgoto, destinar o esgoto para fossas sépticas ou para fossas ecológicas (canteiros biosépticos), e nunca lançá-lo nas galerias pluviais ou em fossas negras, que contaminam o lençol freático. Outra atitude bastante importante é a de não lançar óleo residual de frituras no ralo da pia das cozinhas reisdenciais ou industriais, mas sim, armazená-lo e entregá-lo em postos de coleta, colabroando com o meio ambiente. Essas são algumas das atitudes de cidadania que poderão contribuir com a melhoria da qualidade de vida de todos.

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