Entrevista: Haroldo Reimer
Matéria publicada em 12/06/2012, às 14:18:11

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O professor Haroldo Reimer assumiu a reitoria da Universidade Estadual de Goiás em março deste ano e já demonstrou dedicação e capacidade para o exercício do cargo. Doutor em Teologia pela Kirchliche Hochschule Bethel, Alemanha (1986-1990) e professor titular do Departamento de Filosofia e Teologia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), Haroldo Reimer é pesquisador com Bolsa de Produtividade em Pesquisa  Nível 2 (2012-2015) e líder de grupo de pesquisa no CNPq;  licenciado em Filosofia pela Universidade Católica de Goiás (2002 a 2004), bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2006-2010) e pós-doutorado (em andamento) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) teve participação em programa de estudo em Arqueologia pela Universidade de TelAviv, Israel (1987) e em Teologia na República Democrática Alemã (1988). Editor da revista Fragmentos de Cultura (PUC Goiás) é membro do Conselho Editorial da revista Sapiência, da UEG de Iporá e do Conselho Consultivo da revista Protestantismo em Revista. Autor e organizador de muitas publicações (livros e artigos) é tradutor de temas de pesquisa ligados à Bíblia, Antigo Testamento, Hermenêutica, Ecologia, Religião e Direito na Antiguidade. O reitor Haroldo Reimer é o nosso entrevistado.


Como se deu o processo que redundou na escolha de seu nome para a Reitoria da UEG?
Na situação de saída do antigo reitor, meu nome foi cogitado ao lado do nome de outras pessoas para assumir interinamente o cargo de reitor da UEG. Os nomes figuraram em listas tríplices, que acabaram numa só lista tríplice. Na situação dada, o governador do Estado, Marconi Perillo, que é quem por direito nomeia o reitor, fez a escolha pelo nome que parecia estar menos suscetível a partidarismos dentro da UEG.

No caso, eu ingressei na UEG via concurso em 2010 e a complexidade das relações dentro da universidade é algo que começo a conhecer mais a cada dia. Na época foi considerado também o argumento técnico e acadêmico. Agradeço a todas as pessoas que referendaram o meu nome para ocupar o cargo interinamente. Contudo, sei que dentro da UEG existem outras pessoas que poderiam ter assumido a tarefa com muita competência. Agora, estando na reitoria, vou procurar fazer o possível para o desenvolvimento da instituição rumo à maturidade e à excelência acadêmica.  

Qual era a situação da Universidade quando o senhor assumiu e quais os principais desafios encontrados?
A Universidade vivia uma crise institucional com o pedido de exoneração do ex-reitor. A instabilidade estava no ar. Era preciso reconduzir a Universidade à normalidade de suas atividades. Um dos grandes desafios era a composição do Conselho Universitário, que é o órgão deliberativo superior da Instituição. O Estatuto da UEG, editado via decreto em setembro de 2011, prevê a eleição por seus pares dos representantes dos docentes, servidores técnico-administrativos, que devem ser do quadro efetivo, bem como dos discentes. A prática anterior era a indicação pelas entidades. Conversei com os representantes de todos os segmentos.

Pessoalmente, sou respeitador das entidades representativas constituídas. Contudo, naquele momento importava respeitar a letra do Estatuto, o qual previa eleição pelos pares. Assim, acabou sendo realizada uma eleição em dois turnos: no primeiro, cada Unidade Universitária elegeu um representante por categoria; no segundo momento, reunidos em Anápolis e divididos por oito regionais, estes elegeram os representantes titulares e os suplentes. Foi um processo democrático, representativo e transparente. No dia 17 de abril, o Conselho Universitário retomou suas atividades após quase um ano sem se reunir. Todos os membros foram publicamente apresentados, com direito a certificado. Agora o Conselho Universitário tem condições de deliberar de forma legítima. E as demandas são muitas.

O decreto de nomeação também impunha ao reitor interino a tarefa de atender às diligências do Ministério Público que levaram à saída do antigo reitor. Foi instituída uma comissão que está tratando destas questões da forma mais ética e justa possível.  Sob o ponto de vista financeiro, a transição não foi problemática. Além do orçamento da receita da vinculação constitucional de dois por cento, a  UEG ainda dispunha de saldo de 2011, o que dá certa margem para a concretização de demandas ao longo do ano. De uma forma geral, havia na comunidade universitária o grande desejo de voltar à normalidade das atividades. Há muita gente valiosa trabalhando em prol desta universidade pública, gratuita e de qualidade.

Em 13 anos de existência quais foram os avanços concretos experimentados pela UEG?
A UEG é herdeira de uma história que vai além dos 13 anos. Várias faculdades estaduais isoladas e inclusive uma universidade (Universidade Estadual de Anápolis) foram reunidas numa só instituição por um ato do então governador Marconi Perillo. Neste conjunto de atividades, a UEG prestou relevante serviço ao povo do Estado de Goiás. Recentemente foi entregue o diploma de número 50 mil a uma aluna da Escola Superior de Educação Física do Estado de Goiás (ESEFEGO). Este número é um indicativo da grande contribuição desta instituição para a sociedade goiana e a maioria desses diplomas foi entregue a pessoas do interior do Estado que, sem a UEG, dificilmente teriam tido acesso ao ensino superior. Uma pesquisa nos nomes das pessoas tituladas revelou que a maioria é constituída por mulheres de baixo poder aquisitivo. Isso evidencia uma vez mais a função social da UEG. Entre as grandes contribuições da Instituição estão também as Licenciaturas Parceladas, que contribuíram para a qualificação dos docentes do sistema estadual, municipal e privado de ensino.  A oferta de cursos da Universidade Estadual de Goiás funciona de forma complementar às ofertas de outras importantes instituições universitárias, como a Universidade Federal (UFG) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC Goiás), que têm sua atuação concentrada na área metropolitana. A expansão e a capilaridade da presença da UEG em tantos municípios goianos têm suas vantagens e também suas desvantagens. Uma delas é a dificuldade de dotar do mesmo ritmo todas as Unidades Universitárias com os equipamentos necessários para o bom funcionamento.

“Os trabalhos da Gerência de Avaliação Institucional da UEG dão conta de que todos os cursos da Instituição avaliados pelo ENADE apresentaram desempenho acima da média nacional”

A UEG continua sendo a segunda maior universidade pública do país?
Acredito que este dado não está atualizado e também não é o mais relevante. A UEG faz parte da rede de universidades estaduais e municipais vinculadas por meio da Associação dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (ABRUEM). Segundo dados desta associação o sistema estadual e municipal responde por 43 por cento das matrículas no sistema universitário público. A UEG já cresceu muito em número; encontra-se numa fase de estabilização dos números de matriculados e deverá ter tendência de crescimento no mesmo ritmo em que ganhar maior maturidade acadêmica e, tangencialmente, também maior credibilidade pública. Novos cursos serão criados e outros, eventualmente, descontinuados ou fusionados regionalmente.

Há algum tempo circulava a notícia de que a UEG estaria entre as cinco piores universidades do Brasil. Entrementes, isso é coisa do passado, pois no final de 2011 a UEG alcançou a nota 3 no Índice Geral de Cursos (IGC), tendo vários cursos com nota 5 no ENADE. Os trabalhos da Gerência de Avaliação Institucional da UEG dão conta de que todos os cursos da Instituição avaliados pelo ENADE apresentaram desempenho acima da média nacional.

Os recursos destinados à UEG são suficientes para a consolidação da Instituição como uma Universidade à altura das necessidades dos goianos?
A UEG tem a sua receita a partir do repasse de dois por cento da vinculação constitucional da receita do Estado de Goiás. Como os números não são sigilosos, isso significa para o ano de 2012 um orçamento na ordem de aproximadamente 195 milhões de reais. Desse total, 60 por cento são para a folha de pessoal e o restante para a manutenção da Universidade e para investimentos. No bojo do Plano de Ação Integrada de Desenvolvimento (PAID), do governo estadual, a Reitoria da UEG encaminhou duas ações para consolidar a Universidade: a) Ação para qualificação de pessoal, com previsão de dois concursos e b) Ação para qualificação da infraestrutura da UEG, com um conjunto de obras necessárias para o funcionamento da Universidade. As duas ações ultrapassam os 100 milhões de reais.

É um  valor  alto, mas que pode ser coberto a partir da previsão orçamentária para os próximos três anos, lapso temporal de alcance do PAID. Trata-se de um Plano de Desenvolvimento da UEG. Há universidades estaduais que têm uma dotação orçamentária mais arrojada, mas creio que com o repasse regular dos 2 por  cento constitucionais a UEG poderá continuar a prestar grandes contribuições ao povo e ao Estado goianos. Nisso, deve passar também por reengenharias de cursos e fluxos administrativos no sentido de realizar gastos mais qualificados com resultados superiores.

Nesse curto período de trabalho o que já foi realizado?

A reconstituição democrática e transparente do Conselho Universitário foi uma realização de política interna muito importante. A devida constituição do Conselho Acadêmico,  do Conselho de Gestão e das Câmaras de Graduação e de Pós-Graduação será feita ainda no início do mês de junho. Tratamos de estabelecer com as direções das Unidades Universitárias uma política de planejamento estratégico. Momentaneamente estão ocorrendo oito seminários regionais para discutir possibilidades e demandas da Universidade. Neste momento trata-se mais de cursos, tanto de graduação quanto de pós-graduação. Buscamos também marcar a presença da Reitoria nos eventos da Universidade. Ajudamos a fazer o encaminhamento à Casa Civil e Segplan de um projeto de lei para a ampliação do percentual de doutores e pós-doutores no quadro de docentes efetivos da UEG, bem como a transformação da atual gratificação de dedicação exclusiva (DE) em regime de trabalho. Isso ajudará a fixar os docentes doutores na UEG; afinal, a política de cargos e salários constitui importante instrumento para atração e permanência de docentes na Instituição.

Estamos também mantendo conversas sobre concursos. A UEG funciona com a maioria de seus docentes e servidores técnico-administrativos em regime de contrato temporário, muitos deles se estendendo para além do teto legal de 12 meses. Superar esta situação significa não mais continuar a confrontar a administração superior com situações de extrapolação legal, constituindo justiça para milhares de servidores que vestem a camisa da UEG. De momento, a realização dos seminários regionais nos quais está se rediscutindo um projeto estratégico para a UEG é algo importante. Cremos que os resultados desse processo darão mais solidez acadêmica à Instituição.

Professor Reimer, o senhor presidiu, pela primeira vez, uma plenária do Conselho Universitário da UEG realizada em 17 de abril do corrente ano no Campus da Instituição em Anápolis.  Qual é a importância do CsU para o processo de democratização da Universidade Estadual de Goiás?
Pelo Estatuto, o Conselho Universitário

“Há demandas continuadas para o processo de expansão e interiorização da UEG.  Para as pessoas e as autoridades dos municípios do interior, a presença de uma Unidade Universitária é algo importante. Temos que pensar em expansão privilegiando, contudo, a consolidação”

é o órgão deliberativo máximo da Universidade. São quase 80 membros, entre natos e eleitos. Membros natos são os integrantes da Reitoria e os diretores ou diretoras das Unidades. Cada segmento (docentes, discentes e técnico-administrativos) tem oito representantes eleitos por pares. Promovemos esta eleição de forma representativa e democrática em cada Unidade Universitária e, num segundo turno, em Anápolis. Cada representante é o delegado eleito de uma região, sendo que para este fim, a UEG foi dividida em oito regionais. Creio ser uma forma muito transparente e que confere legitimidade ao CsU. No dia 17 de abril, todos os membros foram apresentados, receberam um certificado no ato e foram empossados em seus cargos. Agora, este grêmio máximo da UEG voltou à normalidade de suas atividades, devendo ser convocado conforme determina o Estatuto para debater os problemas e os rumos da Universidade. A normalidade e a legitimidade do CsU são de fundamental importância para a administração sadia e estável da Universidade. Procurarei manter o CsU como um espaço eminentemente democrático, que deve basear suas decisões fundamentalmente em critérios técnicos e acadêmicos.

As recentes mudanças influenciaram no processo de expansão e interiorização da Universidade, professor Reimer?

Há demandas continuadas para o processo de expansão e interiorização da UEG.  Para as pessoas e as autoridades dos municípios do interior, a presença de uma Unidade Universitária é algo importante. Temos que pensar em expansão privilegiando, contudo, a consolidação. Novos cursos são necessários, mas temos que fazer uma reengenharia. Demandas por cursos podem ser temporárias e a Universidade deve poder se adaptar às novas condições. Alguns cursos deverão passar por processo de fusão para dar lugar a outros cursos, com maior demanda. Devemos encarar isso como um processo no qual a Universidade e a população têm a ganhar, embora possam surgir alguns problemas circunstanciais. A UEG continuará a ter força marcante no interior; é da sua tradição, pode ser sua vocação. Ela comunga disso juntamente com a maioria das outras universidades estaduais, que também operam de forma complementar no interior. Isso, contudo, não significa de modo algum a renúncia à qualidade.

A UEG tem cursos de graduação no interior com nota máxima no ENADE, o que coloca estes cursos em situação de igualdade com o de universidades muito conceituadas. Lamentavelmente, isso ainda não é a situação geral. Ainda há muito a fazer. A aprovação, pela CAPES, do Mestrado em Produção Vegetal na Unidade Universitária de Ipameri é um indicativo da força e da necessidade de interiorização também da pós-graduação. Neste ano, a UEG submeterá, entre outros, a proposta de um mestrado em Ciência Animal para funcionar na Unidade Universitária de São Luís de Montes Belos. Assim, gradativamente vão se formando os Centros Regionais de Excelência que devem ser visto como benéficos para toda a Universidade, indicando um caminho a ser seguido por todas as Unidades Universitárias da UEG.

De que forma o senhor pretende equilibrar situações contrastantes como o excessivo número de contratos temporários com notas de alunos da UEG no ENADE acima da média nacional?
A UEG ainda está na condição de que a maioria dos docentes encontra-se em situação de contrato temporário, o qual, pela previsão legal, deveria ter a duração máxima de 12 meses. Isso é ocasionado pela multiplicação de Unidades Universitárias e de cursos e pela falta de concursos regulares; a isso se acrescenta a taxa relativamente alta de flutuação docente. Os seguidos concursos nas universidades e institutos federais atraíram muitos docentes para fora da UEG. Muitos docentes que atuam nas Unidades da UEG no interior acabam não se fixando no lugar, o que requer a contratação de temporários para a sua substituição e para a continuidade da oferta regular de aulas e das outras atividades acadêmicas. Num futuro próximo deveremos fazer uma reengenharia nos cursos de graduação evitando demasiadas ofertas paralelas de disciplinas com foco comum. Isso ajudará a racionalizar a questão do pessoal docente, abrindo espaços para novos cursos e iniciativas. O fato de em 2011 todos os cursos da UEG que passaram pela prova do ENADE terem alcançado nota acima da média nacional mostra que, apesar de todos os problemas, temos na Instituição um espaço acadêmico de qualidade. Contudo, para a condução estável da administração da universidade seria desejável que a maioria, tanto dos docentes quanto dos servidores técnico-administrativos, fosse do quadro efetivo.

É legal e é justo! A expansão da pós-graduação stricto sensu na UEG funcionará como elemento alavancador de qualidade, pois os docentes participantes destes cursos necessariamente devem se inscrever numa dinâmica de maior produção intelectual. Os cursos de mestrado e de doutorado são avaliados por comissões de especialistas das respectivas áreas designados pela CAPES e este processo requer qualidade. A UEG deverá fazer este investimento. Isso reverterá em maior qualidade e será benéfico para a Universidade, para o Estado e para o governo. No caso das notas do ENADE de cursos da Universidade Estadual de Goiás acima da média nacional  há que se registrar a qualidade, as potencialidades e habilidades dos alunos envolvidos neste processo na UEG. Esse desempenho dos alunos foi fundamental para a obtenção dos resultados positivos no ENADE.
“A universidade deve ser um espaço em que a pesquisa ocupa lugar de importância, vinculando também demandas importantes. A questão ambiental é uma delas. Neste ano, em nível de cursos de pós-graduação, será submetida a CAPES uma proposta de mestrado em Cerrado, Urbanização e Cultura. Será uma proposta de programa interdisciplinar”

Será possível, num curto prazo, atender todas as reivindicações apresentadas pelos alunos da UEG logo no início de sua gestão?
No dia do 13º aniversário da UEG os estudantes fizeram uma demonstração de descontentamento e protesto. No meu entender, fizeram isso com razão, embora num momento não muito oportuno. As reivindicações eram mais localizadas, estando relacionadas com a Unidade de Ciências Exatas e Tecnológicas (UNUCET). No curso de Engenharia Civil há falta de professores no momento. Com o recente concurso do Instituto Federal vários professores deixaram a UEG e os alunos ficaram sem aulas pela falta de professores de Engenharia e por haver poucos profissionais dispostos a dar aulas pelo baixo valor da hora aula na UEG. Reivindicaram também a imediata instalação do Restaurante Universitário (RU) e a construção da casa do estudante. Tudo isso já consta nos documentos da UEG, mas falta concretizar na prática.

O RU será instalado o mais breve possível, num convênio com a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e funcionará nos moldes do Restaurante Cidadão, porém, voltado para a comunidade universitária. A direção da UEG precisa se preocupar seriamente com políticas estudantis, de apoio à vida estudantil; bolsas e políticas de permanência devem fazer parte disso. Alguns passos já foram dados, mas há alguns obstáculos a serem superados. No caso do RU, devem ser feitas adequações a serem aprovadas pela Vigilância Sanitária. Esperamos poder atender a estas e outras demandas o mais prontamente possível. Devemos criar na UEG a situação de sermos confrontados sempre com novos problemas e não sempre com os mesmos problemas.

Professor Reimer, o que representa o Mestrado Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias, recentemente implantado na Universidade, para a condição de excelência que toda instituição de ensino superior deve ter?
Este mestrado é o primeiro da UEG na área das Ciências humanas. Isso é significativo porque permite uma continuidade de estudos pós-graduados para tantas pessoas que obtiveram a titulação no âmbito das licenciaturas nas áreas de Educação e Letras e afins. O mestrado é interdisciplinar, isto é, ele conjuga pelo menos duas áreas de conhecimento distintas.  O grande diferencial é que este mestrado se propõe a colocar o foco nas novas tecnologias como mediadoras do processo de ensino-aprendizagem e produção do conhecimento. Este é o quarto mestrado próprio da UEG. Em 2011, a Instituição obteve a aprovação de dois mestrados, tendo um aumento de 100% neste tipo de oferta; em números absolutos, passou de dois para quatro mestrados.

Em 2012, esperamos aprovar mais propostas. Um leque maior de mestrados e também doutorados é condição para uma instituição de ensino superior poder portar o nome de universidade. Para a UEG, essa expansão reverterá necessariamente em aumento de qualidade, na medida em que os docentes vinculados aos programas de pós-graduação stricto sensu devem se inserir numa dinâmica de produção intelectual mais intensa, com mais artigos publicados em revistas bem qualificadas, em capítulos de livros, em livros e em participações em eventos com apresentação de trabalhos. Esse passo será dado e a Reitoria dará todo o apoio necessário e possível para que todas essas metas sejam concretizadas.

O que poderá decorrer de sua recente visita à Universidade Federal Fluminense?
A UEG já havia feito alguns contatos anteriores com a Universidade Federal Fluminense, com sede em Niterói. Acho que foi por conta de um mestrado ou doutorado em História. Em 2011 havia sido encaminhada proposta de Mestrado Interdisciplinar em Letras (Minter), em convênio com a Universidade Federal de Goiás, que não obteve aprovação pela CAPES. Como havia uma expectativa por essa oferta, neste ano a Coordenadora de Pós-Graduação stricto sensu fez os contatos e o Programa  de Estudos em Linguagem da UFF respondeu prontamente e de forma positiva. Diante disso fizemos uma primeira visita e o resultado disso provavelmente será a oferta de um Minter em Estudos de Linguagem a partir de 2013 para uma turma única de 20 alunos. Este Minter será uma oferta para qualificação de docentes que atuam na UEG.

Obviamente que a questão ambiental está entre as prioridades de sua gestão. Quais são seus planos para essa área de fundamental importância na vida de alunos, professores, servidores e da comunidade em geral?
A universidade deve ser um espaço em que a pesquisa ocupa lugar de importância, vinculando também demandas importantes. A questão ambiental, sem sombra de dúvida, é uma delas. Neste ano, em nível de cursos de pós-graduação, será submetida a CAPES uma proposta de mestrado em Cerrado, Urbanização e Cultura. Esta será uma proposta de programa interdisciplinar. A pesquisa sobre o bioma do Cerrado e os impactos econômicos e ecológicos do seu processo histórico de ocupação será o eixo condutor do curso. Vale lembrar que também as expressões culturais da região terão o seu espaço de estudo em uma das linhas de pesquisa do curso. A questão ambiental ou ecológica precisa permear os estudos e as práticas, especialmente num organismo como uma universidade como a UEG que  atualmente congrega aproximadamente 25 mil pessoas.

“A comunidade estudantil tem um papel relevante na consolidação da Universidade. Os estudantes são parte importante no dinamismo acadêmico e a razão de existir da própria Instituição. Por isso, a Reitoria deve estar atenta às demandas estudantis, mantendo diálogo aberto e crítico, e colaborando por meio de fomento de políticas adequadas com o fortalecimento da comunidade estudantil e de suas entidades representativas. Uma UEG academicamente forte e de qualidade se faz com a participação de todos os segmentos da comunidade universitária”


Transformações de práticas e hábitos já encontram uma escala considerável nesta comunidade universitária. Em termos administrativos, será preciso investir em digitalização de processos.  

O processo eletivo interno da UEG ocorrerá no final do ano. Quais são os principais pontos do Documento Orientador para os servidores da Instituição que têm intenção de se candidatar a um cargo eletivo este ano? O senhor também tem planos nesse sentido?
O Documento Orientador 002/2012 está direcionado para os servidores que pretendem participar das eleições municipais deste ano, indicando os prazos para desincompatibilização.  Internamente, o ano de 2012 é o ano de eleição para reitor. Os três nomes mais votados serão levados ao Chefe de Executivo para a escolha final e nomeação. O Estatuto reza que o nome do reitor e o nome do vice-reitor devem ser vinculados para a eleição. Certamente haverá algumas duplas que concorrerão aos cargos máximos da Instituição. É um momento novo. Tenho recebido muitas solicitações para concorrer às eleições, vindas dos diferentes segmentos que compõem a UEG. Ainda não tomei uma decisão, mas a minha intenção é contribuir para que a UEG se firme como uma instituição pública, gratuita e de qualidade. Fortalecendo esta instituição universitária fortaleceremos o processo de desenvolvimento humano e tecnológico do Estado de Goiás.

O que falta para a UEG se firmar, definitivamente, como a segunda maior universidade pública do Brasil, professor Reimer?
A UEG precisa se fortalecer enquanto instituição universitária, conjugando cada vez mais sua atuação no tripé ensino, pesquisa e extensão. A UEG precisa crescer em qualidade. E isso passa por concursos regulares, plano de cargos e salários, políticas de fixação e qualificação continuada, apoio à pesquisa e à extensão. A infraestrutura de muitas Unidades precisa de investimentos. A maturidade acadêmica resulta de um processo, no qual se conjugam fatores espontâneos, vinculados a pessoas, grupos e interesses, e fatores de indução e condução. Para se firmar como universidade, a UEG precisa manter o foco nas suas atividades finalísticas. A comunidade estudantil tem um papel relevante na consolidação da Universidade.

Os estudantes são parte importante no dinamismo acadêmico e a razão de existir da própria Instituição. Por isso, a Reitoria deve estar atenta às demandas estudantis, mantendo  um diálogo aberto e crítico e colaborando, por meio do fomento de políticas adequadas, com o fortalecimento da comunidade estudantil e de suas entidades representativas. Uma UEG academicamente forte e de qualidade se faz com o envolvimento e a participação de todos os segmentos da comunidade universitária.

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