Os bons valores não podem ser atirados na vala comum dos corruptos: José Batista Junior
Matéria publicada em 12/10/2011, às 19:53:04

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José Batista Junior, membro do Conselho do Grupo JBS é um dos seis irmãos da família constituída por José Batista Sobrinho Junior, bem sucedido empresário do setor de proteína animal que iniciou suas atividades com um pequeno frigorífico - a Casa de Carnes Mineira - na Vila Fabril, um bairro de Anápolis (GO) no início da segunda metade do século XX até chegar à condição de maior empresa do mundo em seu segmento.  Atualmente, a JBS conta com quase 200 mil funcionários e tem a expectativa de um faturamento de R$ 70 bilhões, para o final de 2011. “Em números somos a segunda, ao lado da Vale e atrás da Petrobrás”, explica Junior. Para ele, os 60 anos de sucesso da JBS são resultado da base familiar que a empresa estabeleceu desde o princípio. “Nós somos iguais na empresa, levantamos cedo todos os dias”, diz. O Grupo investe pesado na construção da Eldorado Celulose na beira do rio Paraná, no município sul-matogrossense de Três Lagoas, divisa com São Paulo, onde quase 3 mil pessoas estáo trabalhando. A fábrica será a maior do mundo num momento em que os concorrentes apontam uma retração do mercado de papel. “Cada empresa olha o setor de forma diferente. Nosso negócio é de longo prazo e temos a expectativa de que o mercado se aqueça durante o tempo de instalação da fábrica”, revela. Depois de uma incursão pelas fileiras do PSDB e do PTB José Batista Junior filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro e está empenhado na reestruturação e criação de diretórios municipais por todo o estado de Goiás. O bem sucedido empresário assume um novo desafio: buscar na política as condições necessárias para melhorar a qualidade de vida de um número bem maior de pessoas. É o que revela José Batista Junior nesta entrevista exclusiva à Planeta Água.

A JBS é hoje a maior processadora de proteína animal do planeta. Tudo começou em Anápolis?
Ficamos em Anápolis de 1953 a 1957 e foi lá que começamos na atividade bovina. Depois fomos para Brasília, no início da construção da capital da República que estava sendo transferida do Rio de Janeiro para o Planalto Central na gestão do então presidente Juscelino Kubstichek. Lá, nos firmamos como grandes comerciantes na área de carne bovina, fornecendo  produtos para as cozinhas industriais das companhias e das grandes empreiteiras que vieram construir Brasília. Na fase seguinte, nos firmamos com destaque no Centro-Oeste, incorporando Goiânia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul até chegarmos à condição de maior empresa de carnes do Brasil com a aquisição de algumas plantas, construindo outras, fazendo a incorporação de algumas empresas que nós compramos, como a Bordon que começou em Anápolis e comprando as marcas Anglo e Swift, essa última do empresário Geraldo Bordon. Naquela época nossa marca era a Friboi. Em 1980 adquirimos uma unidade de subprodutos em Luziânia que hoje tornou-se uma unidade de higiene e limpeza com as marcas Albany e Minuano. Nessa caminhada, realizamos aquisições e incorporações de empresas, formamos equipes, abrimos novos mercados, aumentando a base de distribuição de produtos e entramos na era da carne congelada. Naquela época, nos grandes centros só se consumia carne congelada e entramos na luta pelo consumo de carne desossada e embalada a vácuo para melhorar a qualidade dos produtos. Foi uma longa caminhada. Depois, em 2006, abrimos o capital da empresa que presidi por 25 anos e onde comecei a trabalhar aos 14 anos. Passei por todas as áreas e, aos 20 anos, assumi a presidência, ali permanecendo por 25 anos, período no qual internacionalizei a JBS. Em 2005, compramos a Swift da Argentina e depois a Swift americana quando abrimos o capital da empresa e a listamos na bolsa de valores. Fizemos uma oferta e conseguimos reunir investidores brasileiros, americanos, europeus e asiáticos aos quais vendemos 32% do capital da companhia. A JBS foi a primeira empresa do setor de processamento de proteína animal a ir para a bolsa de valores. Abrimos o capital, compramos a Swift americana em 2007, quando eu e meu irmão, Joesley Batista, transferimos residência para os Estados Unidos de onde retornamos este ano. Lá, fizemos algumas aquisições como a Pilgrim’s Pride, na área de frango e a Feed Beef. Depois, adquirimos a Fibe Webers que é uma empresa de confinamento. Hoje, nos Estados Unidos, competimos de igual para igual com a Tyson, a maior empresa americana do setor, tanto na área de frango quanto na de bovinos, mas somos líderes mundiais porque a Tyson não opera em outros países como nós que temos subsidiárias na Austrália.

Tudo isso gera responsabilidade social e ambiental e também alguns ataques de concorrentes. Como você administra isso?
Na verdade no mundo capitalista a competição é muito dura. Um exemplo: fomos barrados pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão americano de controle de drogas e alimentos, que não aprovou nossa oferta de aquisição da National. Os competidores americanos são diferentes dos competidores do resto do mundo. A mesma dificuldade e competitividade do campo capitalista existem também no campo da política. No caso do capitalismo o diferencial é que construímos todo o nosso patrimônio sem fazer nenhum inimigo e sim fazendo amigos. Entramos nos Estados Unidos, fomos para a Austrália e para o Oriente Médio, temos fábrica na China no setor coureiro, temos na Rússia um grande centro de distribuição, adquirimos uma empresa na Itália, temos um centro de distribuição na África, ou seja, hoje a JBS tem um volume de negócios com grandes reflexos na área social resultantes de algo que construímos com muito trabalho, ao invés de ficar pensando e falando mal dos outros, olhando o que o outro não fez. Ao contrário, escolhemos um que fez para ser a nossa referência e estamos indo adiante. As pessoas têm muito desse negócio de ficar olhando o que o outro não fez para depois criticar. Nós nunca agimos assim. Sempre fomos muito visionários e desprendidos, sempre fomos empreendedores. Gostamos de fazer o que fazemos e o resultado vem como consequência. A JBS foi criada dessa forma.

A condição de empresário realizado e muito bem sucedido seria o principal motivo para sua aspiração política?
No campo empresarial temos plena convicção do dever cumprido. Somos sócios da empresa e membros do Conselho Consultivo e agora temos o privilégio e a oportunidade de desenvolver e executar outro projeto na vida, projeto esse que está diretamente ligado à gestão publica. Não queremos entrar na vida política. Na realidade o que queremos é fazer gestão publica, o que é muito diferente de ser político.
Muitas pessoas perguntam por que não temos planos para o Legislativo e a resposta está relacionada com nossa vocação para o gerenciamento, para a gestão, para a execução. Depois que retornamos dos Estados Unidos o pessoal nos convidou para o projeto de reestruturação e crescimento do Partido Socialista Brasileiro, o PSB. Identificamo-nos com a ideologia do partido, o PSB vem crescendo muito, é um partido muito centrado, um partido antigo e de grandes lideranças, além do que não prega um socialismo radical, mas sim um socialismo democrático, um socialismo que pensa no social, um socialismo que pratica o humanismo e busca a justiça, a paz, a liberdade. Alguns questionam o fato de ver um capitalista falando em socialismo, porém, o socialismo do PSB nada tem a ver com o socialismo radical e extremado de outras épocas exatamente por sua natureza democrática, moderna e voltada para o entendimento e para o social. Sempre atuamos priorizando o social o que se comprova pelo número de empregos diretos e indiretos gerados por nossas empresas e que dão oportunidade de vida digna e crescimento a centenas de milhares de pessoas. Ou seja, nós já fazemos o social dentro de nossas próprias empresas, mas como não conseguimos fazer tudo o que gostaríamos de ter feito estamos saindo para fazer na gestão pública, para prestarmos um serviço a mais para a comunidade, até porque não quero aposentar agora, aos 50 anos. Queremos, isto sim, dar a nossa contribuição ao nosso estado e continuar dando a nossa colaboração também ao nosso país, praticando o social e proporcionando qualidade de vida às pessoas, criando oportunidades cada vez maiores, o que não poderia ser feito se ficássemos na empresa, mas que poderá ser realidade através do estado. É uma missão, é a vontade de servir. Não somos radicais, não fazemos a política do ódio, da perseguição, das acusações, da mentira e da falsidade e, se nunca fizemos isso na vida, não será agora que o faremos.

Esse diferencial, essa sua maneira de ver na política a oportunidade real de ajudar ainda mais as pessoas, não atrai inimigos ferrenhos?
Pelo contrário, faz com que as pessoas se juntem ainda mais à nossa proposta porque é isso o que as pessoas querem nos dias de hoje. O que está levando os políticos a um descrédito cada vez maior é a prática de uma política predatória, a política do interesse próprio e que não pensa no coletivo, essa política que ninguém mais quer. Na JBS temos um departamento de pesquisa e desenvolvimento e a empresa só caminha norteada na pesquisa e no desenvolvimento, pesquisando o que os consumidores querem e desenvolvendo produtos que satisfaçam plenamente as pessoas. O mesmo deveria ocorrer no Estado que também precisa de um departamento de pesquisa e desenvolvimento para saber o que o povo realmente quer como política e desenvolver uma política correta para o povo. Esse é um dos principais motivos de nossa pretensão política. Queremos, dentro do governo, poder pesquisar e satisfazer a vontade popular, até porque não são só obras que o povo quer, não é só o benefício material, mas também e principalmente o exercício de mandatos eletivos com responsabilidade, com ética, com a aplicação correta do dinheiro público, com o cumprimento religioso dos compromissos assumidos. Na política não se compra nada, na política só se combina; já na iniciativa privada compra-se um patrimônio, faz-se um cheque e pronto. Está pago. Na política prevalecem ou deveriam prevalecer a ética, a retidão, o cumprimento dos compromissos assumidos.

A presidente Dilma está no caminho certo ao continuar com a faxina nos ministérios?
Na verdade, acho que esse é um processo natural de um país que trilha os caminhos da democracia, um país onde isso nunca havia acontecido o que nos leva a imaginar o quanto o Brasil mudou de 10 anos para cá, período em que vimos a polícia prender juízes, governadores, prefeitos. O país está mudando, o povo está exigindo e só tem um jeito de tirar o Brasil ou o Estado da condição de refém de práticas condenáveis não aprovadas pelo povo: sair para as ruas. Com o povo nas ruas, se manifestando pela renovação, o Brasil se transformará no país dos sonhos de todos nós. Com esse objetivo, colocamos nosso nome à disposição de nossa gente determinados a fazer acontecer e cientes de que teremos o dia de começar e o dia terminar nossa missão. Não somos profissionais da política e queremos apenas, como experimentados profissionais do campo empresarial, servir ao nosso estado e à nossa gente.

A experiência empresarial pode favorecer sua atuação na gestão pública, Junior?
Muito, porque na verdade o que o povo precisa é de gerenciamento, de controle do Estado, de lideranças que administrem e administrem bem, com competência e determinação. Quando isso acontece é como se aquilo fosse da gente e ao se administrar algo que temos como nosso não há como errar. A sociedade não vive sem o Estado, a iniciativa privada não vive sem o Estado e o estado não vive sem a sociedade nem sem a iniciativa privada.

O seu ingresso definitivo na política poderia acontecer já nas eleições municipais do ano que vem como candidato a prefeito?

Não. Primeiro, vamos estruturar o PSB para elegermos um grande número de vereadores, prefeitos e vice-prefeitos e nos prepararmos para a eleição majoritária de 2014. Precisamos passar por esse processo de evolução nos municípios o que está nos proporcionando uma visão muito mais ampla em relação ao que queremos fazer. A estruturação de diretórios municipais, essa proximidade com prefeitos, vereadores e outras lideranças locais amplia nossa experiência e fortalece nosso sonho de um dia termos um governo voltado para os municípios, um governo empenhado em cuidar da infra-estrutura dos municípios e dos interesses dos cidadãos em suas cidades. Nosso projeto é colocar o estado dentro do município porque não teremos um estado forte com municípios fracos e não teremos um país forte com estados fracos. O que o PSB quer é uma integração e uma evolução desses três níveis do Estado para exercitarmos o verdadeiro significado da palavra civilização, traduzido em qualidade de vida. E isso começa pelas pessoas, começa pelo cidadão, começa no município. Temos muita vontade de fazer um governo municipalista, voltado para o interior, levando os pólos industriais para o interior e, com isso, melhorando a qualidade de vida nas pequenas e médias cidades e também nas metrópoles e mais: invertendo o êxodo rural para que o homem do campo continue lá ou volte para o campo, para a produção. O Brasil é extremamente produtivo e se promovermos a agroindústria, processando a matéria prima em suas regiões de produção daremos um enorme salto econômico e social. Falamos muito no Centro- Oeste, mas precisamos falar também do Cerrado do Centro-Oeste. Observe que muito se fala na Amazônia, no Pantanal, nos outros biomas, mas não se fala no Cerrado, não se fala da origem do homem do Cerrado, o maior e mais importante dos biomas e que sequer é considerado patrimônio nacional. Projeto nesse sentido há anos está engavetado no Congresso Nacional. Precisamos falar, precisamos juntar blocos e unir as pessoas para construirmos uma nação que seja realmente forte, pujante e justa.
 
Você convive com empresários de várias partes do mundo. Como é que eles vêem o potencial brasileiro?
Todos querem investir no Brasil, todos estão descobrindo o Brasil. Os americanos estão encantados com o Brasil porque aqui temos três coisas que a maioria dos outros países não têm: água, terras férteis e sol o ano inteiro. É difícil encontrar um país tão completo como o nosso, com um povo extremamente generoso, hospitaleiro e trabalhador. Em nossa opinião o brasileiro é um povo fantástico, receptivo e alegre, talvez até em agradecimento a Deus por dispor de água, sol e terra em abundância. O brasileiro é engraçado, é criativo e, por tudo isso e pelo orgulho de sermos brasileiros é que fazemos questão de defender o Brasil mundo a fora.
 
Às vésperas de mais uma eleição municipal, com todos nós querendo acreditar neste país apesar de toda a corrupção, que recado você passa aos nossos leitores?
Achamos que as pessoas precisam exercer o poder de cidadania e que só conseguiremos mudar este país, só conseguiremos mudar o nosso estado na hora que todos nós exercemos o direito de cidadania e exigirmos o nosso direito. E só poderemos fazer isso votando por opção e não por exclusão. Se nós tivermos opção ou buscarmos uma opção, deixaremos para trás o velho hábito de votar por exclusão. Por isso é que trazemos agora uma nova opção para Goiás. Achamos que o povo brasileiro, de um modo geral, tem melhorado muito em termos de saber escolher o que é bom para o país. Imagine quantos jovens estão se inserindo no mercado de trabalho, quantas escolas estão educando jovens que não votam hoje, mas votarão daqui a dois, quatro anos. Hoje, quem agrada os filhos, agrada o pai e os filhos de hoje, os jovens de hoje, participam da política brasileira. Os próprios partidos estão abrindo as portas para novas lideranças, contrariando alguns caciques que jamais deram voz ou vez aos jovens futuros líderes. O coronelismo e o caciquismo estão acabando, vivemos uma democracia que nos assegura o direito de renovação, o direito de alternância no poder, o direito de oxigenação do Estado e é isso que buscamos ao nos empenharmos na implantação dos novos diretórios do PSB. Estamos no caminho certo e o PSB vai crescer muito em Goiás, vai se firmar como uma grande sigla partidária e uma grande opção, basta ver o extraordinário e crescente número de pessoas que estão se filiando ao PSB. Nunca pensei em entrar na política, mas entrei e hoje vejo com satisfação o crescimento vertiginoso do número de pessoas de todos os segmentos, de empresários de lideranças comunitárias que estão querendo participar mais ativamente do processo político pensando em mudança. Muitos já vieram e muitos mais ainda virão conosco para o PSB. Às vezes as pessoas têm receio ou até mesmo medo de participar do sistema quando, na verdade, o sistema não é nada daquilo que pensam. Os bons são maioria sim e é preciso que as pessoas participem mais, apresentem-se mais, ingressem na política e também passem a tomar decisões. Claro que ainda existem muitos e bons valores na política, assim como em todos os demais segmentos da sociedade e essas pessoas não podem ser atiradas na vala comum dos corruptos, dos que não trabalham pelo bem coletivo.

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