A Norte-Sul é uma garantia realidade : José Francisco das Neves
Matéria publicada em 05/06/2011, às 16:46:21

Ver mais de Edição 86 - Abril de 2011 - Anápolis, cidade dos parques

Ver outras Edições

Juquinha, qual é o valor do investimento no Parque das Antas?
Só da VALEC, em torno de R$ 10 milhões. Assinamos o convênio com o prefeito Antônio Roberto Gomide e hoje ele já vai dar a ordem de serviço. O dinheiro é com o governo federal, é com a VALEC e para a Ferrovia Norte-Sul, depois que a então Ministra Dilma Roussef assumiu a Casa Civil não houve interrupção da obra e de lá para cá nunca faltou um centavo para a VALEC continuar construindo. Tivemos outros tipos de problemas, todos foram solucionados e as obras estão ficando prontas a olhos vistos. Eu tenho dito que no Brasil é um remando para a frente e dez remando para trás. Todo mundo pergunta como consegui construir a maior obra do Brasil e eu respondo que não foi o Juquinha que construiu e que foi a mão de Deus que abençoou. Da mesma forma ocorre com este parque ecológico que também será abençoado pela mão de Deus para que a população anapolina possa desfrutar de maior qualidade de vida no maior parque ecológico urbano de Goiás.

A obra da Norte Sul poderá sofrer possíveis novas interrupções?
A obra anda a todo vapor e não existe nenhum empecilho. Prometi entregar essa obra para o presidente Lula no final de dezembro de 2010 e todos são testemunhas de que fiz de tudo, que fiz a minha parte, mas não consegui porque é uma obra muito grande. Quando se fala em 1359 km de linha corrida são 1359 km; não são quaisquer 100 km não. O problema é que de dezembro até abril choveu direto e o trabalho só pode ser recomeçado agora em maio mas, com toda a certeza, num prazo de três meses nós vamos estar com toda a grade pronta. Bastarão três meses de sol."No Brasil é um remando pra frente e dez remando pra trás, mas Deus está nos ajudando e vamos chegar lá"
Como eu disse, tudo está acontecendo agora e no Brasil é assim mesmo. Se a gente não estabelecer um programa, não colocar aquilo como fé, o objetivo acaba não sendo alcançado. Sempre coloco minha equipe perseguindo a meta e, com a graça de Deus, a gente vai conseguindo já podendo dizer que a Ferrovia Norte-Sul é uma realidade em Anápolis e, daqui a dois anos, será realidade em São Paulo porque no final do mês de junho e início de julho já estaremos instalando os primeiros trilhos em Minas Gerais e em São Paulo. Da mesma forma já começaram as obras da Ferrovia Leste-Oeste e, também neste ano, vamos instalar os primeiros trilhos no trecho de Ilhéus até Barreiras, na Bahia, ainda no mês de julho. Estamos hoje com quase 4.000 km de ferrovias em obras e imagine você a gestão disso tudo. Em resumo, é como eu disse: um remando pra frente e dez remando pra trás, mas Deus está sempre ajudando e nós continuamos, graças a Ele, remando pra frente.

Juquinha qual é o percurso total da Norte-Sul já  construído?
Hoje em Goiás falta menos de 100 km com toda a base pronta o que já dá pra considerar essa ferrovia como pronta. Estamos trabalhando em Brasília, tivemos uma reunião com o ministro dos Transportes que já estuda como é que irá funcionar toda a logística da ferrovia, a implantação dos pátios multimodais, inclusive a parte de operação dentro da nova modelagem de contrato. O governo vai acabar com o monopólio e todos os tipos de carga vão transitar pela Norte-Sul, não só minério como é no presente momento.

Em Anápolis, algumas casas foram abaladas pelas obras da Norte-Sul. Como a VALEC está administrando essa situação?
Estamos atentos a tudo isso, sempre atendemos todo tipo de problema decorrente das obras, fazemos o diagnóstico e agimos. Vale lembrar que nem tudo que acontece é de responsabilidade da VALEC. Tem que se ver isso também, porque se a VALEC for cuidar de tudo ela teria que receber novas funções. Quando a responsabilidade é da VALEC, aí assumimos a responsabilidade se algum problema ocorrer desde que fique provado que foi decorrente de ações da VALEC. Nesses casos, fazemos a compensação de imediato.

O Brasil está resgatando agora o que deveria ter sido feito há décadas investindo em ferrovias?
Sim, está. Era uma vergonha, vamos assim dizer porque já tivemos quase 40 mil km de ferrovias e hoje temos 28 mil km e, operando, apenas 12 mil km. A maior parte virou lenha porque os dormentes eram de madeira. Hoje não, é tudo de concreto. A própria construção da ferrovia em si foi demolida, as locomotivas viram sucata e, num passado recente, chegamos ao caos no setor ferroviário. Agora estamos restabelecendo tudo e o importante é voltarmos a ter a cultura da ferrovia que havia no passado a ponto de nós goianos e mineiros termos adquirido a mania de chamar qualquer coisa de "trem" e essa cultura do trem agora está sendo retomanda com esse trabalho que fizemos na VALEC. Para você ter uma ideia, a VALEC construía 10 km de ferrovias por ano e agora estamos entregando 1359 km de linha corrida. Não é fácil fazer uma ferrovia desse porte e hoje estamos sendo procurados pelos chineses, pelos russos e outros povos que estão investindo no Brasil em virtude de diversos fatores mas também pelo potencial do modal ferroviário que está sendo implantado com as ferrovias Norte-Sul e Leste Oeste. Com tudo isso, estamos conseguindo retomar a cultura da ferrovia no Brasil.

O Trem do Pantanal e o Trem Pequi representariam a retomada da cultura do trem de passageiros no Brasil?
"Estamos construindo essa obra já trazendo as devidas compensações para que a população tenha cada vez  melhor qualidade
de vida"
Nossa participação na questão do Trem do Pantanal diz respeito apenas à parte de construção. Quanto à parte operacional de trens de passageiros eu até conversei com o então presidente Lula sobre o Trem Pequi, dizendo a ele ser imprescindível retomar a cultura do trem de passageiros no Brasil. Na minha opinião a melhor alternativa será implantar o Trem Pequi ligando Goiânia a Brasília, saindo de Senador Canedo, passando por Anápolis na plataforma do Porto Seco do nosso amigo Edson Tavares e chegando ao Park Shopping em Brasília com 1h:20min de viagem. Edson Tavares vai, inclusive, me ajudar na elaboração do projeto. Tivemos uma primeira conversa em Brasília e estão bastante adiantados os estudos nesse sentido. No momento em que a gente implantar o Trem Pequi, os goianos poderão trabalhar em Brasília, como faço eu, voltar e dormir com as esposas, com a família. Da mesma forma ocorrerá com os brasilienses que poderá vir para Goiânia ou Anápolis com muito mais facilidade como ocorre na Europa. Pedi apoio ao presidente Lula e ele disse: "Juquinha, pode tocar em frente esse projeto que eu vou ajudar". Então, com certeza ele vai acabar acontecendo e eu até disse na minha última entrevista que dentro de três anos quero que esse trem esteja pronto porque o mais difícil, que é a construção das ferrovias Norte Sul e Leste-Oeste, já está embalada, não tem mais volta e aí vai sobrar um pouquinho de tempo a mais para o Juquinha trabalhar e fazer acontecer o Trem Pequi.

Qual é a importância logística do Porto Seco, da Plataforma Logística de Anápolis e de sua localização geográfica para a Norte-Sul e vice-versa, Juquinha?
Olha, nem dá pra gente mensurar. Por exemplo, a Plataforma Logística de Anápolis deverá fazer, a partir daqui para todo o Brasil, a distribuição de eletrodomésticos fabricados na Zona Franca de Manaus Brasil. Perceba por aí como já começam as coisas. Estamos fazendo um estudo fundamental das obras, tive uma reunião com o ministro e falei a ele que não dá mais pra gente esperar, que as plataformas estão entrando com velocidade menor que as ferrovias que estão ficando prontas.

De que forma a Prefeitura de Anápolis se insere nesse contexto da Norte-Sul, um ferrovia de importância nacional?
Sempre tive o apoio do prefeito Antônio Roberto Gomide na construção da Ferrovia Norte-Sul e agora nos demos as mãos de forma definitiva. Anápolis merece receber, por compensação da construção da ferrovia, a construção deste imenso parque ambiental, com certeza o maior parque ecológico urbano do estado de Goiás. O prefeito já descreveu aqui que teremos ciclovias, pista de caminhadas, um grande lago, enfim, um lugar com ar puro para as pessoas respirarem e uma imensa área de lazer, fruto dessa parceria de mãos forte entre o governo federal, a prefeitura e agora também o governo do estado de Goiás. O palanque ficou para trás e agora é hora de arregaçar as mangas e trabalhar. Hoje, o prefeito vai assinar a ordem de serviço e nós estaremos aqui ao seu lado com a certeza de que o povo anapolino vai receber uma das maiores obras da história do município.

O projeto seria uma forma da ferrovia unir o progresso à sustentabilidade?
Sim, é uma forma de trazer o progresso com sustentabilidade e pagando algum dano que ela causa. Na verdade, Anápolis contempla tudo isso e faz com que a VALEC se engrandeça e reafirme sua filosofia de trabalho voltada para as questões ambientais. Todo mundo sabe que, em termos ambientais, nós nos preocupamos até com caminho de formiga e você está vendo que é a mais pura realidade. Estamos construindo essa obra sem nenhuma provocação ambiental, pelo contrário, já trazendo as devidas compensações para que a população tenha cada vez melhor qualidade de vida.

Ver mais de Edição 86 - Abril de 2011 - Anápolis, cidade dos parques

Ver outras Edições

Copyright © 2015 - Todos os direitos reservados.

A Revista Planeta Água é uma publicação mensal da Versátil Consultoria em Direito e Comunicação Social

Rua Benjamin Constant, 2018 - Centro / Anápolis-GO

Telefones: (62) 3311-3489 / 3706-8000