A ameaça da Energia Nuclear : Mais de 300 usinas serão construídas até 2030
Matéria publicada em 24/05/2011, às 14:17:03

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De acordo com os cálculos do IPCC, o “Intergovernamental Panel for Climate Changes”, a produção de energia terá de quintuplicar até 2050, para suprir, sobretudo, a demanda dos países emergentes. E como hoje em dia os governos começam a desenvolver uma mentalidade ambiental sustentável e, principalmente, como o mundo se prepara cada vez mais para viver sem o petróleo, para alguns a energia nuclear está novamente na moda, esquecendo-se eles que países tropicais como o Brasil possuem enorme potencial para explorar as chamadas energias "limpas", em especial as energias eólica e solar.

Proliferação
No presente momento, 53 usinas movidas a fissão nuclear estão em construção e mais 295 são planejadas para até 2030, o que demonstra o alto risco que a humanidade está correndo ao não investir maciçamente em outras formas de energia. Paradoxalmente, o governo brasileiro resolveu investir ainda mais nas usinas de Angra. Angra I e Angra II já funcionam a pleno vapor. Angra I entrou em funcionamento em 1985. Angra II, em 2000. Angra II gera o dobro da energia de Angra I. Elas ficam lado a lado e terão companhia. Angra III já teve verba liberada e deverá estar funcionando entre 2013 e 2014. Gerará 1350MW de potência assim como Angra II. Terá também a mesma forma física de Angra II (como a concha invertida do Congresso Nacional Brasileiro). De todos os países BRIC – a sigla do momento, que designa Brasil, Rússia, Índia e China - só o Brasil não possui tecnologia própria de projeto e construção de usinas nucleares, o que nos torna dependentes de técnicos, cientistas e empresas de outros países, como da Alemanha por exemplo. O correto seria, uma vez que existe tamanha dependência, que o Brasil passasse a investir pesado nas chamadas energias limpas. Veja porque:

O perigo da radioatividade
O acidente de Chernobyl, na ex-URSS em 1986, provocou comoção mundial. Os estragos diretos da explosão do reator podem não ter sido muitos, mas as sequelas foram desastrosas. Espalharam-se pela Europa e pelo território soviético. Os especialistas argumentam que o que aconteceu na URSS (hoje, especificamente na Ucrânia) foi fruto do despreparo técnico gerado pela cegueira soviética para acompanhar os norte-americanos. Mesmo assim, o risco de acidente é assustador. Uma guerra nuclear então, nem se fala (assista ao filme "O dia seguinte"). Depois da tragédia provocada pelo terremoto e o tsunami, o povo japonês é acossado por outro grande desastre, o acidente nuclear de Fukushima que demonstra mais uma vez o perigo representado pela energia nuclear para a humanidade.
Os norte-americanos possuem mais de 100 usinas nucleares. Na Europa, franceses e ingleses possuem quase isso. Canadenses e japoneses também possuem várias. Os impactos ambientais são mínimos, sugerem os defensores da energia nuclear. É verdade que esse tipo de usina praticamente não lança gases poluentes, como o dióxido de carbono, no ar. Mas lança água quente no mar. A água aquecida pelo reator eleva a temperatura oceânica em até 4 graus em um raio de 200 metros. As espécies sofrem e dados confirmam a migração de algumas delas, incomodadas pela diferença térmica.

Lucro
As centrais nucleares são as campeãs da rentabilidade para as empresas de energia eléctrica, principalmente quando são antigas e têm pouco investimento em segurança. A sua construção e desmantelamento são assumidos pela administração pública, assim como o tratamento e recolha de resíduos nucleares. Também costumam ter diretamente subvenções públicas. Calcula-se que uma central nuclear de 1.000 Mw produza em média 1 milhão de euros por dia de lucro. Isto é o que permite a Ignacio Sánchez Galán, dono de várias centrais nucleares espanholas, ganhar 1.826 euros a cada hora. Conhecendo esses números torna-se evidente porque se esforçam tanto na defesa das centrais nucleares.

Energias renováveis ... E limpas!

Energias renováveis são a melhor alternativa para assegurar a existência futura de vida no planeta.
• SOLAR - A energia luminosa do sol é transformada em eletricidade por um dispositivo eletrônico, a célula fotovoltaica. Já as placas solares usam o calor do sol para aquecer água. Maiores produtores: Japão e EUA.
• EÓLICA - O vento gira as pás de um gigantesco catavento, que aciona um gerador, produzindo corrente elétrica. Maiores produtores: Alemanha, Espanha e EUA.
• DAS MARÉS - As águas do mar movimentam uma turbina que aciona um gerador de eletricidade, num processo similar ao da energia eólica. Não existe tecnologia para exploracão comercial. França, Inglaterra e Japão são os pioneiros na producão.
• BIOGÁS - Transformacão de excrementos animais e lixo orgânico, como restos de alimentos, em uma mistura gasosa, que substitui o gás de cozinha, derivado do petróleo. A matéria-prima é fermentada por bactérias num biodigestor, liberando gás e adubo.
• BIOCOMBUSTÍVEIS
Geracão de etanol e biodiesel para veículos automotores a partir de produtos agrícolas (como semente de mamona e cana-de-acúcar) e cascas, galhos e folhas de árvores,que sofrem processos físico-químicos. O Brasil está entre os maiores produtores mundiais.

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