Reinaldo de Castro Del Fiaco: Anápolis cresce, economicamente, acima da média de outras cidades brasileiras
Matéria publicada em 18/04/2011, às 10:36:46

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Reinaldo de Castro Del Fiaco, filho de tradicional família radicada na Vila Fabril, em Anápolis (GO), tem uma trajetória de vida admirável. Seus avós, Silvério Del Fiaco e Francisca Coelho Del Fiaco, ele filho de italianos, transferiram residência de Franca (SP) para Ipameri (GO) e depois para Anápolis, em 1958, quando seu avô assumiu a gerência da então Charqueada da Vila Fabril, hoje Frigorífico JBS. Seu pai, Eurico Del Fiaco, mais conhecido por "Ivo", aqui chegou em 1959 e, no mesmo ano, começou a atuar na área comercial. Algum tempo depois, casou-se com Raimunda de Castro Del Fiaco. Seu avô se aposentou e foi morar em Goiânia, mas seu pai continuou na Vila Fabril, tendo como único bem uma bicicleta, que deu lugar a uma carroça, logo depois substituída por uma pick-up Rural Willys zero km.


Ivo foi a segunda pessoa a possuir televisão na Vila Fabril e, devagar mas com persistência, construiu seu patrimônio, sempre dedicado à esposa e aos seis filhos, todos nascidos na vila. Formado em Economia e Administração de Empresas e pós-graduado em Mercado de Capital, Reinaldo Del Fiaco recorda-se com tristeza da perda do pai quando estava cursando o terceiro ano de Engenharia Civil, em Goiânia. As circunstâncias o obrigaram a abandonar o curso e, a partir daí, a se empenhar, juntamente com outros irmãos, na formação superior dos dois caçulas. Hoje, uma é professora e o outro é engenheiro. Reinaldo Del Fiaco, empresário bem sucedido com empresa instalada na Vila Fabril, responderá pelo comando da Câmara de Dirigentes Lojistas de Anápolis no triênio 2011/2013. O novo presidente da CDL, casado com a jornalista Juliana Luize Moreira Del Fiaco, nos concedeu esta entrevista.

Como se deu seu encontro com a jornalista Juliana Moreira?
Casei-me com Juliana Luize Moreira Del Fiaco em 1991, logo depois que perdi meu pai. Somos pais de Reinaldo Moreira Del Fiaco, 16 anos e de Julia Luize Moreira Del Fiaco, 12 anos, mas já tinha uma filha de um relacionamento anterior, a Renata de Castro Del Fiaco, que mora comigo desde um ano de idade, tendo sido criada por mim e pelos meus pais. Hoje, com 27 anos, ela é advogada, mora com minha mãe e considera a Juliana como mãe. Reinaldinho conseguiu aprovação nos vestibulares de Ciência Aeronáutica na PUC, em Goiânia e Cinema, em Niterói (RJ) e está entre um e outro. Ele gosta de cinema, mais sabe que a Aeronáutica está diretamente ligada à sobrevivência e, talvez no futuro, pelo conhecimento que já tem  nessa área, possa até vir a fazer cinema como hobby.

Como filho de Anápolis como você analisa esse salto desenvolvimentista que a cidade vem experimentando?
O crescimento é vertiginoso, inclusive comentávamos numa solenidade recente que a cidade, naquela época, só dispunha de uma agência do Banco do Brasil e vamos finalizar 2011 com cinco agências do BB e vários postos de atendimento. A cidade está crescendo, evoluindo e, às vezes, nós comerciantes não acompanhamos esse desenvolvimento. Daí, a nossa preocupação com a capacitação profissional para formar gestores, reciclar colaboradores e, dessa forma acompanhar o ritmo de desenvolvimento experimentado nos níveis municipal, regional e nacional. O mundo está evoluindo em ritmo acelerado, logicamente que existem algumas áreas com muitos problemas também no caso específico de Anápolis, mas damos graças a Deus por vivenciarmos uma evolução, em muitos setores, até acima da média dos demais municípios brasileiros.

Os lojistas de Anápolis têm acompanhado essa evolução de maneira satisfatória?
Sempre achei que o comércio tem que se desenvolver para acompanhar a concorrência e, mais ainda, nos dias de hoje porque os concorrentes agora são magazines, grandes redes e lojas âncoras nos shoppings. Por isso, o comércio tem que se fortalecer para acompanhar esse ritmo e, para enfrentar essa concorrência, o lojista tem que evoluir e acompanhar todas essas inovações, investindo nele próprio como gestor, investindo em sua loja, no seu mix e em seus colaboradores. A conseqüência é uma só: o retorno ocorre em todos os sentidos, inclusive na lucratividade que permitirá ao empresário continuar aplicando e crescendo.

A evolução, inclusive tecnológica, trouxe uma nova realidade para os diversos nichos do comércio?
As oportunidades no mercado são representadas por uma série de opções, então, às vezes o comerciante atua em diversos segmentos ao passo que poderia detectar apenas um que dê mais lucro para a empresa e com a preocupação de aproveitar o fluxo de mercado. Tenho acompanhado o vertiginoso crescimento do mercado imobiliário, com incentivo do governo, decorrente do que registra-se um avanço significativo no segmento de materiais de construção e em diversas outras áreas como a da prestação de serviços,  o que alavancou o  crescimento econômico e o poder aquisitivo dos anapolinos. Outro aspecto que a gente deve observar diz respeito à ascensão da classe "D" para a "C" e da classe "C" para a "B", com reflexos evidentes no crescimento do consumo no setor supermercadista. Os supermercados, até há algum tempo, não disponibilizavam cosméticos, um produto de maior lucratividade, mas já trabalham com essa opção, inclusive a perfumaria e opções muito melhores de alimentação. É pequena a margem de lucro dos produtos básicos nos supermercados e decorre também daí a busca por mais opções. Ao passo que a classe "C" adquire esses produtos diferenciados o supermercadista tem maior lucro devido ao aumento do consumo, tanto é que em Anápolis estamos presenciando inaugurações de inúmeras lojas, não só das grandes redes, mas pequenas mercearias e mercadistas. Podemos citar também, em termos de pequenos empreendimentos, o crescimento dos pet shops em conseqüência da melhoria da condição econômica das pessoas, criando seus animais da forma correta com ração, banhos e tosa, tudo isso em virtude da melhoria do padrão de vida do brasileiro. Com essa melhoria, com esse consumismo, o lojismo também tem crescido.

Que outros segmentos experimentam um crescimento diferenciado?
A área de prestação de serviços é um deles, mas gostaria de ressaltar também o setor automobilístico e aí entram, não só as grandes concessionárias, mas o comércio de veículos em geral, ou seja, desde os novos até os semi-novos e os muito usados. Com o consumismo e a maior comercialização ocorre o giro financeiro, deixando um percentual em cada mão que o dinheiro passa e gerando maior arrecadação para o município, para o estado e para a federação. No geral, todo mundo ganha e os impostos voltam em forma de benefícios para a própria população, com maiores investimentos em obras, educação, saúde, etc.

A consolidação dos shoppings é positiva ou negativa para o lojista tradicional de Anápolis?
Na área lojista devemos ressaltar a incidência dos magazines e, mesmo com a concorrência de fora e a afirmação dos shoppings, observa-se grande aceitação desse tipo de comércio. Acho que a presença dos shoppings e das grandes redes é positiva em todos os aspectos, em que pese o bairrismo e o tradicionalismo ainda existentes na cidade. No início houve uma certa resistência, mas hoje há uma conscientização de que o sol nasceu para todos e que há a necessidade de fazer com que todos se desenvolvam para competir com aqueles que oferecem mais, oferecendo algo mais, algo diferenciado. Para tanto, é preciso haver mais investimentos, é preciso haver um diferencial no atendimento, na qualidade dos produtos e nos preços; é preciso haver, principalmente, muita criatividade. Nesse sentido, gostaria de parabenizar o governo municipal e ressaltar que a iluminação natalina do final do ano passado enalteceu e ajudou a promover as vendas no período natalino, tanto é que pessoas das cidades circunvizinhas vieram conhecer e compartilhar conosco o espírito natalino. Gostaríamos que essa feliz iniciativa do poder público se tornasse tradição e uma prática anual como ocorreu na capital goiana. Lembro-me bem de quando meu pai nos levava a Goiânia para ver aquela maravilhosa iluminação natalina e hoje nós, aqui em Anápolis, estamos oferecendo a mesma opção no sentido de atender os nossos lojistas, a nossa comunidade e as comunidades das cidades vizinhas.

O que a CDL oferece para facilitar o dia a dia e a vida dos lojistas?
A Câmara de Dirigentes Lojistas se empenha no sentido de orientar e defender os interesses de nossos associados de forma geral e também perante o poder público. Oferecemos, além do Serviço de Proteção ao Crédito, a Central de Cobranças que ajuda na liquidez dos recebíveis, tudo de acordo com a lei, evitando problemas com inadimplência e de passividade de alguma indenização. Temos a Escola de Varejo com aulas de informática objetivando a capacitação dos nossos diretores e colaboradores, com vários cursos na área de gestão. Outro significativo avanço é a CDL Celular que oferece facilidade de comunicação com preço acessível aos nossos associados e, entre os associados, a custo zero. Hoje nós estamos franqueando esse serviço a outras CDLs, não só no estado de Goiás, como também em cinco outros estados através de parceria com a empresa Consult. Trimestralmente publicamos a revista O Lojista com informações precisas e orientações, assim como fazemos também através do nosso portal, um site atualizado diariamente. Outra preocupação é a inclusão social, a capacitação profissional e a promoção das vendas. Esses quatro pontos estão na pauta do mínimo de ações que serão desenvolvidas em nossa gestão. Logicamente que teremos que desenvolver uma série de outros trabalhos, principalmente no que tange à defesa e à orientação dos nossos lojistas, sendo esta uma preocupação primordial. Com o portal da CDL, utilizando moderna tecnologia, avançamos significativamente na questão da assessoria ao lojista. Já com o SPC, o lojista, ao fazer uma venda a crediário, tem que fazer a pesquisa e buscar informações para realizar uma venda garantida e também para manter o sistema funcionando em perfeita harmonia, em cadeia, ou seja, fazer a pesquisa daquele nome para fazer jus ao lojista que registrou o mesmo nome. Ele deixa de fazer a venda porque a pessoa está com o nome registrado e não merece o crédito, mais no sentido de evitar o prejuízo e fazer jus aquele que está perdendo. Muitos lojistas não têm essa consciência porque a maioria está preocupada em não perder, ao passo que deveria estar preocupado também com aquele que já está perdendo. Daí, a importância da nossa Central de Cobrança como instrumento eficaz de recebimento e ferramenta eficiente para trazer aquele passivo da empresa que está parado, em muitos casos até mesmo negociando para eliminar o passivo e também com a preocupação de recuperar o nome do consumidor registrado para que ele volte para o mercado, para que ele volte a comprar, até porque o consumidor, em muitos casos, se torna inadimplemente por circunstâncias totalmente alheias à sua vontade. Pretendemos disponibilizar cursos de línguas na Escola do Varejo, hoje uma grande necessidade para a capacitação profissional e, nesse sentido, estamos  buscando parcerias com outras instituições, além das que já mantemos com entidades como o SEBRAE, CEPA, IEL, SENAC  e, mais recentemente, com o IFG com o qual intencionamos disponibilizar cursos de gestão, administração de empresas e empreendedorismo pelo fato de haver um maior número de cursos voltados para a área de química e farmácia. O que a gente quer é começar a desenvolver alguns cursos na nossa área, com o SENAC, o IFG e outros. Reclama-se muito da carência de mão de obra com o pensamento centrado na indústria esquecendo-se que o comércio também gera muitos empregos e carece de investimentos para formação e capacitação de novos profissionais. Fala-se muito no DAIA e no número de empregos ali existente, mas quando fazemos uma projeção do número de empresas comerciais instaladas somente ao longo da Avenida Brasil constataremos que ali existe um número de empregos maior que o do próprio DAIA. E isso, somente na Avenida Brasil. 

Qual é sua opinião em relação à proibição de estacionamento na rua Barão do Rio Branco?
Fizemos uma pesquisa junto aos consumidores no final do ano que passou e a maioria foi pela volta do estacionamento. A grande maioria dos lojistas também quer isso e a proibição só trouxe prejuízos. Várias lojas foram fechadas. Outra preocupação em relação ao centro da cidade e que é do conhecimento de todos é o elevadíssimo preço dos aluguéis, porém, entendemos que nossa entidade deve se preocupar em primeiro lugar com a questão do estacionamento. Nesse sentido estamos desenvolvendo um trabalho junto à Companhia Municipal de Trânsito e Transporte e junto ao poder público para que o problema seja tratado com muito carinho, não só politicamente, mas também tecnicamente. Aguardamos ainda o projeto de revitalização da Praça Bom Jesus que nos será apresentado pela Administração Municipal em breve e não temos conhecimento se nele estará contemplada a questão do estacionamento oferecendo alternativas modernas e criativas. Quem sabe até mesmo através da construção de novos prédios com estacionamento a exemplo do que já existe em algumas cidades, em algumas metrópoles. Como Anápolis foi cotada para ser umas das próximas 20 metrópoles do Brasil, então, quem sabe nós poderemos dispor, muito em breve, de estacionamentos verticais.

O acelerado ritmo de desenvolvimento não suscitaria uma possível queda na qualidade de vida da população em virtude dos impactos ambientais?
A sustentabilidade e o meio ambiente devem ser uma preocupação de todos nós. As enchentes, as tragédias e os desastres ambientais são respostas da natureza às agressões cometidas pelos seres humanos contra ela. Essa é uma preocupação de todos e também nossa e tudo que venha a atender à pauta da sustentabilidade, que seja benéfico para o meio ambiente, terá sempre o nosso apoio e a nossa atenção. Um ponto que tem causado maior polêmica é o que se relaciona ao uso das sacolas plásticas. Nossa orientação é a da realização de uma permanente campanha junto aos supermercadistas e estamos conscientes de que esse é um processo gradativo, até porque ainda existe muita resistência de uma boa parcela da população, como as donas de casa que reutilizam as sacolas para diversas finalidades. Penso que terá que haver um trabalho amplo e abrangente para fazer face de essa comodidade instalada, com muitas pessoas achando que não se deve substituir as sacolas de plástico repentinamente, de uma vez. O poder público tem grande responsabilidade quanto a essa questão e haverá de agir. Hoje, no Brasil, já existem inúmeras cidades com o recolhimento de lixo definido, coleta seletiva, separação de orgânicos, inorgânicos, metais e não metais e penso que quando a iniciativa parte do poder público a coisa começa a funcionar, desde que haja adesão dos demais segmentos. É bem provável que chegará a hora certa para isso e estaremos prontos para ajudar e apoiar.

Quais são os principais projetos de sua gestão?
Nosso maior desafio é dar continuidade ao trabalho de Wilmar Jardim de Carvalho e de toda a diretoria anterior a quem parabenizamos pela belíssima gestão. Queremos manter o mesmo trabalho que vinha se desenvolvendo e, se possível, ampliá-lo ainda mais. Existem algumas prioridades, como a capacitação dos nossos gestores e dos nossos colaboradores e a promoção das vendas, não só nas datas sazonais mas quase o ano todo. Nós lojistas enfrentamos muitas dificuldades, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro, com raras exceções como é o caso das empresas da área educacional, uniformes e material escolar e vejo a possibilidade de, durante todo o ano promovermos as vendas de alguma forma, num trabalho em sintonia com o Executivo e Legislativo cujo apoio e parceria são fundamentais para todos nós.
Reinaldo Del Fiaco, muito obrigado pela atenção e carinho.
Gostaria de parabenizá-los pelo trabalho que vocês vêm desenvolvendo, preocupados com o futuro das nossas famílias e das próximas gerações porque acho que se a gente não tiver uma ação efetiva e permanente voltada para o meio ambiente, não estaremos preocupados nem teremos amor pelas próximas gerações. Então, se você tem amor aos seus filhos e aos seus netos se preocupe já com o meio ambiente porque é dele que sai o sustento, a saúde e a qualidade de vida de todos nós. É uma promessa minha de campanha ajudar e promover tudo que estiver relacionado à sustentabilidade e, com a ajuda e o apoio da nossa diretoria, dos lojistas e, primeiramente, de Deus, cumpriremos a contento a nossa promessa. Muito obrigado pela oportunidade.

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