Mãe da Lua faz pose por mais de 12 horas na região central de Anápolis: Um Urutau amanheceu pousado em uma placa de trânsito no centro de Anápolis e atraiu a atenção dos transeuntes até altas horas da noite
Matéria publicada em 14/05/2010, às 15:54:01

Ver mais de Edição Março 2010 - Se cada um fizer a sua parte

Ver outras Edições

A ave permanceu em uma placa de trânsito na Avenida Goiás
A ave é famosa por seu poder de se camuflar e faz parte da família das corujas.

Um Urutau foi observado este mês na área urbana de Anápolis, em pleno centro da cidade, onde permaneceu estático sobre uma placa de trânsito do início da manhã até altas horas da noite.
A ave estava imóvel, no alto de uma placa de trânsito na Avenida Goiás.
Quando essa ave surge na área urbana causa estranheza tanto pelo fato de ser espécie noturna, como por sua aparência: tem cabeça larga e achatada, bico e pernas pequenas, enormes olhos e penas com coloração especial para a camuflagem.
A espécie registrada pelas lentes da Planeta Água vive tanto em florestas densas quanto nas bordas de mata, capoeiras e até mesmo em árvores isoladas das grandes cidades.

Origem e curiosidades
Os urutaus são aves noturnas restritas às regiões mais quentes do Novo Mundo, que pertencem ao género Nyctibius e à família Nyctibiidae. Também são chamados de mãe-da-lua.
O Urutau é uma ave de hábitos noturnos. Sua alimentação é constituída basicamente de insetos que apanha em pleno vôo, principalmente os grandes, porém pode comer outros animais de pequeno porte, como morcegos, lagartos e pequenos pássaros.

É uma ave que utiliza muito bem sua plumagem para se camuflar.
Normalmente se passa por um pedaço de madeira, um galho de árvore ou mesmo troncos partidos ou em pé.
Costuma ficar estático, não se assustando facilmente.
Alcança até 37cm fora a cauda. Não é uma espécie acostumada ao convívio urbano. O Urutau é tido como nobre pelos moradores rurais por simbolizar força e pela forma como se protege dos perigos e dos predadores. A ave, por seu canto, figura entre várias lendas. Segundo os sertanejos, o urutau aparece na hora em que a lua nasce e seu canto triste se assemelha a “foi, foi, foi...”.

Uma lenda diz que o pássaro seria uma mulher que perdera seu amor. Por isto, ele teria o nome de pássaro-fantasma. Outros dizem que o canto da ave é um presságio ou aviso de morte de algum familiar. Alguns pesquisadores argumentam que o nome da ave vem da união de duas palavras do guarani: guyra (ave) e taú (fantasma).
Outros dizem que o nome é uma onomatopéia para o canto do pássaro: urutau, urutau, em notas graves e decrescentes. É um dos pássaros mais cultuados na literatura fantástica e também aparece em lendas, poesias e raramente é observado na área urbana.
Existe há pelo menos 20 milhões de anos, muito antes do Homo sapiens surgir na Terra. O Urutau pertence à família da coruja e é primo distante do bacurau por ter hábitos parecidos.

Conheça um pouco mais sobre esta curiosa espécie que habita a Terra há mais de 20 milhões de anos:

O Urutau é uma ave rara porque para se camuflar procura uma extremidade de um galho, se adaptando de uma forma que se toma o aspecto de prolongamento do galho. Possui a cabeça chata, olhos grandes e vivos e a boca rasgada de tal maneira que seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos. Sua cor é parda acanelada. Isso lhe permite adaptar-se à cor do galho onde pousa. Esse seu disfarce, associado à sua perfeita imobilidade, o protegem da vista dos caçadores.
O Urutau não constrói ninho. No período de reprodução, deposita um único ovo em alguma forquilha de galho grosso a grande altura ou numa cavidade natural de seu poleiro noturno, onde permanece em atividade de choco.
Habita o Norte e Nordeste da Argentina, as matas do Paraguai, o Norte do Uruguai e, no Brasil, toma vários nomes: jurutaui na Região Amazônica; ibijouguaçú entre os tupis e Mãe da Lua entre o mineiros. Em noites de luar desliza nas alturas, entretendo-se em perseguir e devorar mariposas e besouros.
Seu grito, que se faz ouvir após o anoitecer quando a ave procura a solidão mais espessa das matas, mais parece um assobio de profunda lamentação. Para alguns é semelhante ao lamento de uma mulher. Em outras pessoas, o canto do Urutau provoca espanto e piedade aos que possam ouvi-lo.

Êxodo
Sua quase invisibilidade lhe confere o caráter de ente misterioso e muitos não o tomam por uma verdadeira ave, senão por um ser fantástico, inacessível à mão e aos olhos humanos.
Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, a de preservar a pureza das moças.
As qualidades sobrenaturais deste pássaro se destacam nas crendices populares. As penas e a pele do urutau são milagrosas. Conta-se que antigamente, matavam um Urutau e tiravam-lhe a pele.
A pele seca servia para assentarem as filhas das famílias influentes, nos três primeiros dias, do início da puberdade.

No término deste tempo, a jovem saía curada, isto é, invulnerável à tentação das paixões desonestas que pudessem surgir. Apesar de seu grito de lamentação, o urutau não era tido entre os indígenas como uma ave de mau agouro. Os tupinambás consideravam o canto desta ave como saudações de antigos parentes mortos que gritavam para excitá-los à guerra contra os inimigos.

O desmatamento e a monocultura fazem desaparecer os alimentos na natureza provocando um verdadeiro êxodo de animais selvagens para as cidades como foi o caso do Urutau da avenida Goiás.

Ver mais de Edição Março 2010 - Se cada um fizer a sua parte

Ver outras Edições

Copyright © 2015 - Todos os direitos reservados.

A Revista Planeta Água é uma publicação mensal da Versátil Consultoria em Direito e Comunicação Social

Rua Benjamin Constant, 2018 - Centro / Anápolis-GO

Telefones: (62) 3311-3489 / 3706-8000